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A Verdade Sobre o Falecido Arthur Jermyn e sua Família – LOVECRAFT – Relembrar é viver! ••• Rayhan

A Verdade Sobre o Falecido Arthur Jermyn e sua Família - LOVECRAFT - Relembrar é viver! ••• Rayhan

Neste vídeo, o canal Universo Antaris traz uma análise detalhada e reflexiva do conto "A Verdade Sobre o Falecido Arthur Jermyn e sua Família", escrito por H.P. Lovecraft em 1920 e publicado em 1921. A discussão explora os temas de horror geracional, as expedições ao Congo e o desfecho trágico da linhagem Jermyn.

A verdade sobre o falecido Arthur Jermyn e sua família, conto escrito no início de 1920 e publicado em março de 1921, é uma obra fascinante. Relê-lo foi uma excelente oportunidade para refrescar a memória e redescobrir um texto de altíssima qualidade. O conto é dividido em duas partes e possui uma pegada diferenciada, pois, como o próprio título indica, acompanhamos um horror geracional, ou seja, relacionado a uma linhagem familiar inteira: os Jermyn.

A história começa com Sir Wade, o patriarca da família, que parte para uma guerra e acaba retornando ao seu local de origem com uma esposa — filha de um português —, sendo ambos vindouros da África. A partir desse ponto, eles têm filhos, mas estes acabam nascendo com algumas deformidades. O mistério surge justamente porque a família é muito reclusa. Apesar de terem alcançado a aristocracia, circulam rumores sobre a verdadeira natureza dos filhos do casal.

Após desavenças com a esposa — visto que ela não apreciava a sociedade em um contraste que julgava elitista demais —, Sir Wade decide se embrenhar nos estudos. Ele encontra um porto seguro na antropologia e decide fazer uma expedição ao Congo. Consegue coletar diversos artefatos e, após entrevistar membros de tribos nativas, concatena a história do que seria uma cidade perdida. É aqui que o horror lovecraftiano começa a dar seus passos para congregar na narrativa, estabelecendo uma relação direta entre esse horror e o que viria a acontecer com sua família.

O conto prossegue narrando que essa cidade perdida ficava no meio de uma selva remota no Congo. Sir Wade descobre que o local foi habitado por uma espécie de macaco branco, uma sociedade inteira, e fica fascinado por essa história. Ele retorna da expedição acadêmica e escreve diversos relatos. Até que ocorre um confronto com sua esposa, culminando em um clímax inicial trágico: Sir Wade comete suicídio seguido de fratricídio e assassinato, matando a esposa e os filhos. Apenas um membro da família sobrevive, um filho de dois anos, enquanto o patriarca ateia fogo ao próprio corpo e se mata.

Após esses eventos, a família passa a ser tida como amaldiçoada, e os vizinhos contam histórias assustadoras sobre o que Sir Wade costumava relatar de suas expedições. O mistério permanece no ar, mas o filho sobrevive, e acompanhamos as futuras gerações tentando decifrar esse mesmo horror. É aí que chegamos a Sir Arthur Jermyn, filho de uma cantora com um dos últimos reminiscentes da família, que acaba falecendo. Arthur retorna à casa ancestral; embora seja tido como bruto por alguns, os moradores o tratam com boa-fé por ter recebido uma educação aristocrática e de qualidade. Ele demonstra sensibilidade, aprecia a poesia e carrega uma forte curiosidade sobre o passado de sua família, especialmente no que tange à coleção de artefatos e escritos deixados por seu tataravô.

A partir disso, acompanhamos Arthur na empreitada de reunir todos esses documentos e horrores que montam o relato da cidade perdida. Ele realiza uma expedição para o mesmo lugar visitado por seu tataravô anos antes, obtendo confirmação dos nativos sobre lendas que davam coesão ao que parecia ser apenas uma fábula. Ele encontra as ruínas da cidade, mas, ficando sem recursos financeiros para aprofundar as escavações, conta com a ajuda de um belga chamado Verhaeren por meio de cartas, pois desejava encontrar as múmias dos reminiscentes daquelas criaturas — o que parecia ser uma dinastia entre um deus e uma princesa macaco.

Alguns meses depois, Arthur recebe um pacote contendo a múmia que tanto procurava, e é aí que o clímax da história se inicia. Ao analisar o achado e abrir o caixão que embalava a múmia, ele encontra não apenas os resquícios da princesa macaco — uma criatura muito semelhante a um humano, mas também incrivelmente parecida com os membros de sua própria família —, como percebe que ela empunhava um medalhão com o símbolo da família Jermyn. Diante disso, Arthur enlouquece, sai correndo da residência e, em uma clareira, encharca-se de óleo e ateia fogo a si mesmo.

O conto termina com esse clímax e com o horror posterior, quando os observadores encaram essa semelhança chocante e decidem enterrar o mistério para sempre. A narrativa expõe a trágica história do fascínio dos Jermyn, que acabou por levá-los à ruína, visto que a maior parte deles encontrou um fim trágico ou faleceu tentando desvendar esse mistério por enlouquecimento e insanidade.

Este é um conto muito bem feito e escrito. Só a primeira frase já demonstra seu poder, e eu convido todos a lerem o texto. Ele é um pouco mais longo se comparado a outros do autor, mas ainda assim muito acessível. O conto começa dizendo: "A vida é uma coisa de onda, e dos bastidores do que conhecemos dela espreitam pistas demoníacas de verdades que às vezes a tornam ainda mais horrenda". A obra centra-se na ideia de que não devemos saber de tudo. Ficamos nessa ânsia inerente à espécie humana de querer descobrir tudo, mas Lovecraft brinca com isso: às vezes, quando você quer descobrir tudo, acaba encontrando algo cuja existência preferiria ignorar, algo capaz de causar medos que vão além da nossa compreensão e abalam nossos nervos, filosofias e crenças.

É muito interessante ver esse horror geracional sendo trabalhado com doses que se manifestam através do patriarca, do filho e das gerações seguintes, montando esse quebra-cabeça. À medida que nos aproximamos do terceiro ato, percebemos que não é um conto que demora a entregar suas doses de horror; não é daqueles que constroem um único clímax no final. Ele funciona como uma montanha-russa, apresentando pequenas reviravoltas e surpresas ao longo da própria narrativa. Isso confere ao texto uma dinamicidade muito gostosa de ler, fazendo o tempo voar.

Vale muito a pena, recomendo a leitura. Deixem nos comentários o que acharam deste conto, se têm opiniões diversas e sugestões de outras obras que gostariam de ver analisadas aqui. Pretendo analisar todas, mas aceito preferências. Vejo vocês no próximo vídeo e até mais!