Aproximem-se! Vós, sombras alongadas que riscam o verde,
Para refrescar a brisa e aliviar a cena tórida.
Que Febo agora se retire com seus raios rubros,
Enquanto colinas púrpuras ocultam o fogo declinante.
O poente pintado exibe um brilho suntuoso,
Enquanto nuvens benevolentes realçam os raios vespertinos;
Sobre o campo e o bosque desce o véu agradável,
E o dia e a penumbra fundem-se em um crepúsculo calmo.
O vale lá atrás, onde dríades sonhadoras dançam,
Sente primeiro a sombra do avanço da noite:
Negras são suas profundezas, onde lagos plácidos outrora
Refletiam o ocaso da margem ocidental.
Exceto Filomela apenas, a revoada emplumada
Cessa seus doces cantos, sem animar o camponês rumo ao lar;
Mas no lago o verde *Hypsiboas* conduz
Seus coros mais profundos entre os juncos curvados:
Empoleirados nas folhas de nenúfar, os sapos entoam
Seu canto rouco e saúdam a lua ascendente.
Inúmeros insetos emprestam suas gargantas flexíveis,
E com acordes suaves fornecem notas orquestrais.
Alto, sobre o mais nobre dos pinheiros circundantes,
A primeira estrela da noite brilha em solitário esplendor;
Cada sombra sucessiva traz ainda outra,
Até que a esfera brilhante dos Céus entoe um peã silencioso.
Baixo, sobre o sul, o temível Antares rasteja;
Enquanto, ao norte, das alturas Calisto cai.
Altair e Vega brilham sobre os prados,
E o brilhante Arcturo infla o espetáculo estrelado.
Até onde a visão alcança, por vales e campos,
As flores que se fecham rendem-se a porções de orvalho;
Enquanto toda a terra ganha um aspecto alterado,
À medida que os raios lunares ascendentes douram as campinas de grama.
Despertados pelos raios, enfeitiçados por glebas gentis,
Em tons responsivos cantam os riachos cintilantes.
Doutras águas ergue-se uma multidão de náiades
Que contemplam a cena e unem-se ao canto sagrado.
Assim como estrelas refletidas agora adornam o lago,
Assim pestanejam os vaga-lumes no matagal húmido;
Enquanto a Fantasia traça na luz inconstante
As tochas dos faunos que dançam à noite.
Ouçam! Do carvalho o Noctívago desperto grita,
E cruza os céus em seu voo ululante.
Com voz estridente ele encorpra o canto vespertino,
E vagueia sombrio contra a lua ascendente.
Noite benigna! Cujos suaves prazeres aplacam
As preocupações corrosivas que preenchem o dia ofuscante:
Cujos cenários mais amenos abençoam o mortal fatigado,
E vestem a sórdida Verdade com uma doce Ilusão.
Todas as visões e sons da Natureza, aqui combinados,
Encantam a alma e despertam a mente pensativa;
Acalmam o espírito triste e revestem com Paz
O coração atribulado que busca alívio e descanso.
Aqui, como em dias mais nobres, contemplamos livremente
O universo sagrado, não corrompido pelo Homem.
Com olhos reverentes vemos o todo maravilhoso,
Pois tudo contém, e forma, a Divindade!
A Rural Summer Eve (Poesia #53)