A Floresta de Dooros – Conto Celta

Era uma vez, seres mágicos do oeste que, ao voltarem para casa depois de uma partida de hurling com as fadas dos lagos, descansaram por três dias e três noites na Floresta de Dooros. Eles passavam os dias comendo e as noites dançando à luz da lua, e dançaram tanto que gastaram os sapatos, e por uma semana inteira depois disso, os leprechauns — sapateiros das fadas — trabalharam dia e noite fazendo novos, e o bater, raspar e martelar de seus martelinhos eram ouvidos em todas as cercas vivas.

Os seres mágicos se banqueteavam com frutinhas vermelhas que eram tão parecidas com as que nascem na sorveira brava que, só de olhar, era possível confundir uma com a outra; mas as frutas dos seres mágicos nascem apenas na terra mágica, e são mais doces do que qualquer fruta que nasce neste mundo, e se um idoso, grisalho e curvado, comesse uma delas, passaria a ser jovem, ativo e forte de novo; e se uma idosa, desgastada e enrugada, comesse uma delas, passaria a ser jovem, vivaz e bela; e se uma moça que não fosse bonita comesse uma delas, ela se tornaria mais linda do que uma flor cheia de beleza. Os seres mágicos guardavam suas frutinhas com o mesmo cuidado de guardas escondendo ouro, e sempre que estavam prestes a sair da terra mágica, tinham que prometer, na presença do rei e da rainha, que não dariam nenhuma fruta a nenhum homem mortal, nem permitiriam que uma delas caísse na terra, pois se uma única fruta caísse na terra, uma árvore fina de muitos galhos, carregada de frutos, surgiria de uma vez, e os homens mortais poderiam comê-las.

Mas, por acaso, eles estavam na Floresta de Dooros e continuaram comendo e dançando por muito tempo, e estavam tão felizes por terem derrotado os seres mágicos do lago que um ser muito pequeno, não muito maior do que meu dedo, perdeu a cabeça e soltou uma frutinha na mata. Quando o banquete terminou, os seres mágicos voltaram à terra mágica, e estavam em casa há mais de uma semana quando souberam do erro do amigo, e vamos contar como foi. Um grande casamento estava prestes a acontecer, e a rainha dos seres mágicos mandou seis de seus escudeiros à Floresta de Dooros para pegar cinquenta borboletas com manchas douradas nas asas roxas, e cinquenta brancas sem manchas nem bolinhas, e cinquenta douradas, amarelas como a prímula, para fazer um vestido para si, e cem brancas, sem manchas nem bolinhas, para fazer vestidos para a noiva e as madrinhas.

Quando os escudeiros chegaram perto da mata, ouviram a música mais incrível, e o céu acima deles se tornou muito escuro, como se uma nuvem tivesse encoberto o sol. Eles olharam para cima e viram que a nuvem era formada por abelhas que, reunidas, voavam em direção à mata e zuniam sem parar. Ao ver isso, sentiram medo até virem as abelhas pousando em uma árvore, e observando a árvore de perto, viram que estava coberta com frutinhas mágicas. As abelhas não viram os seres mágicos, por isso eles não sentiram mais medo, e caçaram as borboletas até capturarem toda a quantidade das muitas cores. Então, voltaram para a terra mágica e contaram à rainha a respeito das abelhas e das frutas, e a rainha contou ao rei. O rei ficou muito bravo, e mandou seus escudeiros aos quatro cantos da terra mágica para reunir todos os súditos à sua frente, para que ele pudesse saber logo quem era o culpado.

Todos eles compareceram, exceto o pequeno que soltou a frutinha, e claro que todo mundo disse que ele não tinha ido porque estava com medo, e que devia ser o culpado. Os mensageiros saíram todos à sua procura e, depois de um tempo, eles o encontraram escondido em uma samambaia e o levaram ao rei. O pobre rapaz estava tão assustado que a princípio mal conseguia falar mas, depois de um tempo, disse que só sentiu falta da frutinha quando chegou à terra mágica, e que sentiu medo de dizer algo às pessoas sobre o ocorrido. O rei, que não queria saber de desculpas, sentenciou que o culpado deveria ser levado para a terra dos gigantes, que ficava além das montanhas, e ali ficar para sempre, a menos que conseguisse encontrar um gigante disposto a ir para a Floresta de Dooros e guardar a árvore mágica. Quando o rei determinou a sentença, todo mundo ficou triste, porque o réu era muito querido por todos. Nenhum harpista com sua harpa, nenhum flautista com sua flauta, nenhum violinista com seu violino conseguia tocar tão bem quanto ele tocava uma folha; e quando eles se lembravam de todas as noites de luar agradáveis nas quais tinham dançado ao ritmo de sua música, acharam que nunca mais a ouviriam nem dançariam mais, e seus coraçõezinhos foram tomados por pesar. A rainha estava tão triste quanto qualquer um de seus súditos, mas a palavra do rei tinha que ser obedecida.

Quando chegou o momento de o rapaz partir para o exílio, a rainha mandou seu principal mensageiro com ele com um punhado de frutinhas. Ela disse que ele deveria oferecê-las ao gigante, e dizer ao mesmo tempo que o gigante que estivesse disposto a proteger a árvore poderia se esbaldar com as frutinhas doces desde a manhã até a noite. Quando o serzinho seguiu seu caminho, quase todos os seres mágicos o seguiram até as fronteiras da terra, e quando eles o viram subir a montanha em direção à terra dos gigantes, todos tiraram as capas vermelhas e as chacoalharam até ele desaparecer de vista.

Ele seguiu caminhando dia e noite, e, quando o sol nasceu numa manhã, ele estava no topo da montanha, e podia ver a terra dos gigantes no vale que se estendia bem à sua frente. Antes de começar a descer, ele se virou para olhar para a terra mágica uma última vez; mas não conseguiu ver nada, pois uma nuvem pesada e escura tampava a vista. Ele estava muito triste, cansado e com os pés doloridos e, conforme descia pela encosta acidentada, não conseguia parar de pensar na mata verdejante e nos caminhos da linda terra que tinha deixado para trás. Quando acordou, o chão estava tremendo, e seus ouvidos captaram um barulho parecido com trovão. Ele olhou para cima e viu, partindo em sua direção, um gigante assustador, com um olho que ardia como brasa no meio da testa, a boca arreganhada de orelha a orelha, os dentes compridos e tortos, a pele do rosto escura como a noite, e os braços e peito cobertos com pelos pretos arrepiados; enrolado em seu corpo, havia uma liga de ferro, e pendendo dela, com uma corrente, havia um porrete com pontas de ferro. Com um golpe do porrete, ele conseguia quebrar uma rocha em pedaços, e o fogo não podia queimá-lo, e a água não podia afogá-lo e armas não podiam feri-lo, e não havia como matá-lo, exceto se o acertassem com três golpes de seu próprio porrete. E ele era tão mal-humorado que os outros gigantes o chamavam de Sharvan, o Ranzinza. Quando o gigante viu a capa vermelha do ser mágico, deu um grito parecido com um trovão. O pobre rapazinho tremia da cabeça aos pés.

— O que o trouxe aqui? — perguntou o gigante.
— Por favor, sr. Gigante — disse o ser mágico —, o rei dos seres mágicos me baniu para cá, e aqui devo ficar para sempre, a menos que o senhor vá guardar a árvore dos seres mágicos na Floresta de Dooros.
— A menos que o quê? — vociferou o gigante, e deu um chute no ser mágico, fazendo-o rolar para longe e cair de cabeça para baixo.

O serzinho ficou deitado como se estivesse morto, e então o gigante, sentindo pena pelo que tinha feito, o segurou delicadamente entre o indicador e o polegar.

— Não tema, homenzinho — disse ele. — Agora, conte-me tudo sobre a árvore.
— É a árvore dos frutos mágicos que cresce na Floresta de Dooros — disse o serzinho —, e trouxe alguns deles comigo.
— Ah, sim? — disse o gigante. — Quero vê-los.

O serzinho pegou três frutos do bolso de seu casaquinho verde e os entregou ao gigante. O gigante olhou para eles por um segundo. Então, ele engoliu os três juntos, e depois de fazer isso sentiu-se tão feliz que começou a gritar e dançar de alegria.

— Mais, seu ladrãozinho! — disse ele. — Mais, seu… qual é seu nome? — perguntou o gigante.
— Pinkeen, a seu dispor, sr. Gigante — disse o serzinho enquanto entregava os frutos.

O gigante gritou mais alto do que antes, e seus gritos foram ouvidos por todos os outros, que partiram correndo na direção dele. Quando Sharvan os viu chegar, ele pegou Pinkeen e o colocou dentro do bolso, para que não o vissem.

— Por que você está gritando? — perguntaram os gigantes.
— Porque — disse Sharvan — aquela pedra ali caiu no meu dedão.
— Seu grito não parecia o grito de um homem ferido — disseram eles.
— Como você pode saber o jeito com que gritei? — perguntou ele.
— É preciso dar uma resposta civilizada para uma pergunta civilizada — disseram eles —, mas, claro, você sempre foi Sharvan, o Rabugento. — E eles se foram.

Quando os gigantes desapareceram, Sharvan tirou Pinkeen de sua carteira.

— Mais umas frutas, seu ladrãozinho… ou melhor, pequeno Pinkeen — disse ele.
— Não tenho mais — disse Pinkeen —, mas, se você for guardar a árvore na Floresta de Dooros, pode se esbaldar com elas até a noite.
— Vou guardar toda árvore na floresta, se precisar — disse o gigante.
— Você vai ter que guardar uma só — disse Pinkeen.
— Como devo chegar a ela? — perguntou Sharvan.
— Primeiro você deve ir comigo em direção à terra mágica — disse o serzinho.
— Muito bem — concordou Sharvan —, vamos. — E ele pegou o serzinho e o colocou dentro de sua carteira, e em pouco tempo eles estavam no topo da montanha. Então, o gigante olhou ao redor em direção à terra dos gigantes; mas uma nuvem escura a escondia, enquanto o sol brilhava no vale à frente dele, e ele conseguia ver, a distância, as matas e as águas cristalinas da terra mágica.

Não demorou para ele chegar às fronteiras, mas, quando tentou atravessá-las, seus pés se prenderam no chão e ele não conseguiu dar nem um passo. Sharvan deu três gritos que foram ouvidos em toda a terra mágica, e fizeram as árvores nas matas tremerem, como se o vento de uma tempestade os estivesse atingindo.

— Ah, por favor, sr. Gigante, deixe-me sair — disse Pinkeen.

Sharvan pegou o serzinho e, assim que viu que estava nas fronteiras da terra mágica, o pequeno correu o mais rápido que suas pernas conseguiram, e antes que pudesse se afastar demais, encontrou todos os seres encantados que, ao ouvirem os gritos do gigante, desceram das samambaias para ver o que estava acontecendo. Pinkeen disse a eles que aquele gigante iria guardar a árvore, e os gritos eram porque ele estava preso nas fronteiras, e eles não precisavam temê-lo. Os seres mágicos estavam tão felizes por terem Pinkeen de volta, que eles o carregaram em seus ombros e o levaram ao palácio do rei, e todos os harpistas, flautistas e violinistas marcharam à sua frente, tocando a música mais alegre que se pôde ouvir. O rei e a rainha estavam no gramado na frente do palácio quando a procissão alegre se aproximou e parou diante deles. Os olhos da rainha brilharam de prazer ao ver o pequeno preferido, e o rei também ficou feliz, mas parecia muito sério ao dizer:

— Por que você voltou, sirrah?

Então Pinkeen disse à vossa majestade que trouxera consigo um gigante disposto a guardar a árvore mágica.

— E quem ele é e onde ele está? — perguntou o rei.
— Os outros gigantes o chamavam de Sharvan, o Rabugento — disse Pinkeen —, e ele está preso fora das fronteiras da terra mágica.
— Está tudo bem — disse o rei —, você está perdoado.

Quando os seres mágicos ouviram isso, jogaram suas touquinhas vermelhas no ar, e aplaudiram tão alto que uma abelha que estava agarrada a um botão de rosa perdeu os sentidos e caiu no chão.

Em seguida, o rei ordenou que um de seus servos buscasse os frutos, fosse até Sharvan e mostrasse a ele o caminho para a Floresta de Dooros. O servo, levando os frutos consigo, foi até Sharvan, cujo rugido quase assustou o pobre coitado. Mas assim que o gigante provou os frutos, ele ficou de bom humor e perguntou ao mensageiro se este podia retirar o feitiço dele.

— Posso — disse o servo — e farei isso se prometer que não vai tentar atravessar as fronteiras da terra mágica.

— Prometo isso, do fundo do coração — disse o gigante. — Mas vamos, meu rapaz, pois minhas pernas estão doendo.

O mensageiro arrancou uma prímula e puxando os cinco botõezinhos vermelhos do vaso, ergueu um ao norte, um ao sul, um ao leste e um ao oeste, e um para o céu, e o feitiço foi quebrado, e os membros do gigante se libertaram. Então, Sharvan e o mensageiro mágico partiram para a Floresta de Dooros, e não demorou muito para que vissem a árvore mágica. Quando Sharvan viu os frutos brilhando ao sol, gritou tão alto e tão forte que o vento soprou o serzinho de volta para a terra mágica. Mas ele teve que voltar à mata para contar ao gigante que ele tinha que ficar o dia todo ao pé da árvore pronto para batalhar com quem quisesse roubar os frutos, e que durante a noite ele teria que dormir entre os galhos.

— Tudo bem — disse o gigante, que mal conseguia falar, já que estava com a boca cheia de frutos.

Bem, a fama da árvore mágica se espalhou muito, e todos os dias chegava um aventureiro para tentar levar embora alguns dos frutos; mas o gigante, como prometeu, estava sempre alerta, e nem um dia se passava sem que ele lutasse e matasse um invasor ousado, e o gigante nunca foi ferido, porque o fogo não o queimava, nem a água o afundava, nem arma alguma o feria.

Agora, naquele momento, Sharvan estava alerta, guardando a árvore, e um rei cruel reinava nas terras que davam para o sol nascente. Ele havia assassinado o rei legítimo de maneiras horrendas, e seus súditos, por amarem o soberano assassinado, odiavam o usurpador; mas, por mais que o detestassem, eles o temiam ainda mais, pois ele era corajoso e habilidoso, e estava armado com capacete e escudo que nenhuma arma feita por mãos mortais poderia atravessar, e sempre levava consigo duas lanças que nunca erravam o alvo, e eram tão fatais que eram chamadas de “as lanças da morte”.

O rei assassinado tinha dois filhos — um garoto, cujo nome era Niall, e uma garota, que se chamava Rosaleen — ou melhor, Rosinha; mas nenhuma rosa já desabrochou com metade da beleza ou da doçura dela. Por mais cruel que o rei tirano fosse, ele temia o povo e não matou as crianças. Mandou o garoto à deriva no mar em um barco aberto, esperando que as ondas engolissem a embarcação; e pediu para uma velha bruxa lançar um feitiço de deformidade em Rosaleen, e, sob o feitiço, sua beleza desapareceu, até, por fim, ela se tornar tão feia e assustadora que quase ninguém falava com ela. E, rejeitada por todos, ela passava os dias no celeiro com o gado, e todas as noites ela chorava até dormir.

Um dia, quando ela estava se sentindo solitária, um pequeno pintarroxo se aproximou para pegar as migalhas que tinham caído aos pés dela. Ele parecia tão dócil que ela lhe ofereceu o pão na palma da mão, e quando ele aceitou, ela chorou de alegria por descobrir que havia um ser vivo que não a rejeitava. Depois disso, o pintarroxo a visitava todos os dias, e ele cantava com tanta doçura que quase se esqueceu de sua solidão e tristeza. Mas, certa vez, enquanto o pintarroxo estava com ela, a filha do rei tirano, que era muito bonita, passou com suas damas de companhia e, ao ver Rosaleen, a princesa disse:

— Ah, ali está aquela coisa horrorosa.

As damas riram e disseram nunca ter visto nada tão horrível.

A pobre Rosaleen sentiu como se seu coração fosse explodir, e quando a princesa e as damas de companhia estavam longe, ela quase morreu de tanto chorar. Quando o pintarroxo a viu chorando, pousou em seu ombro e encostou a cabeça em seu pescoço, e cantou baixinho, e Rosaleen se sentiu consolada, pois sentia que pelo menos tinha encontrado um amigo no mundo, apesar de ser um pequeno pintarroxo. Mas o pintarroxo podia fazer mais por ela do que ela seria capaz de imaginar. Ele escutou o comentário feito pela princesa, e viu as lágrimas de Rosaleen, e agora ele sabia por que ela era rejeitada por todos, e por que era tão infeliz. E naquela noite, ele voou para a Floresta de Dooros, chamou um primo e contou tudo sobre Rosaleen para ele.

— E você quer um pouco dos frutos mágicos, acredito — disse o primo, Robin da Floresta.
— Quero — disse o pequeno amigo de Rosaleen.
— Ah — disse Robin da Floresta —, as coisas mudaram desde que você esteve aqui pela última vez. A árvore agora é guardada dia e noite por um gigante ranzinza. Ele dorme nos galhos durante a noite, e respira nos galhos e entre os galhos toda manhã, e sua respiração é veneno para aves e abelhas. Só há uma chance possível, e se você tentar, pode lhe custar sua vida.
— Então, me diga o que é, pois eu daria cem vidas por Rosaleen — disse o pintarroxo. — Bem — disse Robin da Floresta —, todos os dias, um guerreiro vem lutar com o gigante, e o gigante, antes de começar a luta, coloca um galho de frutos no cinto de ferro ao redor de sua cintura, para que, ao se sentir cansado ou sedento, possa se refrescar, e existe uma pequena chance, enquanto ele está lutando, de pegar um dos frutos do galho; mas se ele respirar em cima de você, a morte é certa.
— Vou correr o risco — disse o pintarroxo de Rosaleen.
— Muito bem — falou o outro. E os dois pássaros voaram pela mata até aparecerem perto da árvore mágica. O gigante estava deitado, esticado aos pés dela, comendo os frutos; mas não demorou muito para um guerreiro aparecer e desafiá-lo à batalha. O gigante ficou de pé e, enfiando um galho da árvore em seu cinto, balançando a barra de ferro acima da cabeça, seguiu em direção ao guerreiro, e a luta começou. O pintarroxo pousou em uma árvore atrás do gigante, observando e esperando sua chance, mas demorou muito, porque os frutos estavam na parte da frente do cinto do gigante. Por fim, o gigante, com um golpe muito forte, derrubou o guerreiro, mas, ao fazer isso, tropeçou e caiu em cima dele, e antes que tivesse tempo de se recuperar, o pintarroxo partiu na direção dele como um raio e pegou um dos frutos, e então, o mais rápido que as asas conseguiram carregá-lo, voou em direção à casa e, no caminho passou por uma tropa de guerreiros em cavalos brancos como neve. Todos os cavaleiros, exceto um deles, usavam capacetes prateados e mantos brilhantes de seda verde, presos por broches de ouro vermelho, mas o líder deles, que seguia à frente da tropa, usava um capacete dourado, e seu manto era de seda amarela, e ele parecia, de longe, ser o mais nobre deles. Quando o pintarroxo deixou os cavaleiros muito para trás, ele espiou Rosaleen sentada do lado de fora do palácio, lamentando seu destino.

O pintarroxo pousou em seu ombro, e quase antes que ela percebesse que ele estava ali, ele colocou o fruto entre seus lábios, e o gosto era tão delicioso que Rosaleen comeu de uma vez, e naquele momento o feitiço da bruxa passou, e ela se tornou adorável, uma flor de formosura. Naquele momento, os guerreiros nos cavalos brancos como neve se aproximaram, e o líder, com o manto de seda amarela e o capacete dourado, saltou do cavalo e se ajoelhou à sua frente, dizendo:

— Mais linda de todas as moças, certamente a senhorita é a filha do rei destas paragens, apesar de estar fora dos portões do palácio, sem uma corte, sem roupas da realeza. Sou o Príncipe dos Vales Ensolarados.
— Sou filha de um rei, sim — disse Rosaleen —, mas não do rei que governa estas paragens.

E, dizendo isso, ela correu, deixando o príncipe se perguntando quem ela podia ser. O príncipe, então, mandou os tocadores de trombeta avisarem sobre sua presença do lado de fora do palácio, e em poucos instantes o rei e todos os nobres foram cumprimentar o príncipe e seus guerreiros, dar a eles as boas-vindas. Naquela noite, um grande banquete foi organizado no salão, e o Príncipe dos Vales Ensolarados se sentou ao lado do rei, e ao lado do príncipe sentou-se a bela filha do rei, e então, na ordem certa, sentaram-se os nobres da corte e os guerreiros que tinham chegado com o príncipe e, na parede atrás de cada nobre e guerreiro, seu escudo e seu capacete estavam pendurados, iluminando a sala. Durante o banquete, o príncipe falou de modo gracioso com a adorável moça ao seu lado, mas, durante todo o tempo, ele pensava na bela desconhecida que tinha visto do lado de fora do palácio, e seu coração desejava vê-la de novo. Quando o banquete terminou, e os copos enfeitados com joias foram distribuídos pela mesa, os pássaros cantaram felizes, acompanhados por harpas, o “Cortejo à Lady Eimer”, e enquanto eles viam sua beleza radiante ofuscando a de suas damas, o príncipe pensou que, por mais bela que Lady Eimer fosse, havia alguém ainda mais bela. Quando o banquete terminou, o rei perguntou ao príncipe o que o levava àquelas paragens.

— Venho — disse o príncipe — à procura de uma noiva, pois me foi dito, em minha terra, que apenas aqui eu encontraria a moça que está destinada a dividir meu trono, e seu reino é famoso por ser o local onde moram as moças mais adoráveis do mundo todo, e eu acredito muito nisso — acrescentou o príncipe — depois do que vi hoje.

Quando a filha do rei ouviu isso, ela abaixou a cabeça e corou como uma rosa, pois, claro, pensou que o príncipe se referia apenas a ela, pois não sabia que ele tinha visto Rosaleen, e ela não tinha ouvido falar sobre a recuperação de sua beleza. Antes que outra palavra pudesse ser dita, um grande barulho e o bater de espadas foram ouvidos do lado de fora do palácio. O rei e seus convidados se levantaram de onde estavam e empunharam a espada, e os bardos deram início à canção da batalha; mas suas vozes foram abafadas e as harpas silenciadas quando viram um guerreiro na entrada do salão , e em seu rosto eles reconheceram os traços do rei assassinado.

— Tis Niall voltou para assumir o trono de seu pai! — disse o bardo líder.
— Vida longa a Niall! — Vida longa a Niall! — responderam os outros.

O rei, pálido de ira e surpresa, virou-se para os líderes e nobres de sua corte e gritou:

— Não há nenhum homem leal o suficiente para mandar embora esse invasor de nosso banquete?

Mas ninguém se mexeu, nenhuma resposta foi dada. Então, o rei avançou sozinho, mas antes que pudesse chegar ao ponto em que Niall estava de pé, foi segurado por uma dezena de homens e desarmado de uma só vez.

Durante essa cena, a filha do rei tinha fugido assustada; mas Rosaleen, atraída pelo barulho, e ouvindo o nome do irmão e os gritos dados, entrara no salão sem ser notada por ninguém. Mas quando sua presença foi descoberta, todos os olhos ficaram encantados com sua beleza. Niall olhou para ela por um momento, tentando entender se a senhorita radiante diante dele poderia ser sua irmã de quem ele tinha sido separado muitos anos antes. No segundo seguinte, ela estava nos braços dele.

Então, o banquete foi servido de novo, e Niall contou a história de suas aventuras; e quando o Príncipe do Vale Ensolarado pediu a mão de Rosaleen, Niall pediu para a adorável moça decidir por si mesma. Com olhos tímidos e sorridente, ela disse “sim”, e aquele foi o dia mais feliz e iluminado que já aconteceu, e Rosaleen se tornou a noiva do príncipe.

Em sua felicidade, ela não se esqueceu do pequeno pintarroxo, que foi seu amigo na tristeza. Ela o levou para casa consigo, em Vales Ensolarados, e todos os dias ela o alimentou com suas mãos, e todos os dias ela cantava as músicas mais doces que já tinham sido ouvidas por uma moça.

Fim,

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