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O dia em que um homem se infiltrou no tribunal das mulheres

Homem se infiltra em tribunal das mulheres em Aristófanes

Neste trecho de uma análise bem-humorada da peça *As Tesmoforiantes*, de Aristófanes, discute-se a inusitada cena em que um homem se infiltra em uma assembleia exclusiva de mulheres para defender Eurípides.

Na peça de Aristófanes, as mulheres se reúnem no festival das Tesmoforias para julgar e condenar Eurípides por difamá-las em suas tragédias. Elas reclamam que as peças do dramaturgo destruíram a reputação feminina, deixando os maridos obcecados por desconfiança e transformando suas vidas domésticas em um verdadeiro inferno — a ponto de sugerirem envenenar o autor. Para se defender, Eurípides convence um parente idoso a se disfarçar de mulher e se infiltrar no tribunal para interceder por ele.

No entanto, o plano logo começa a desandar. O parente travestido tenta defender o dramaturgo argumentando que ele apenas expõe verdades sobre o comportamento feminino, e acaba ele mesmo listando uma série de traições e artimanhas absurdas cometidas pelas mulheres, como casos com escravos, bebês comprados para enganar maridos e amantes escapando enquanto a esposa distrai o cônjuge. A situação gera um nó cômico e contraditório: o coro de mulheres reclama que o parente (disfarçado) está difamando o sexo feminino, mas acaba criticando as próprias mulheres no processo. O debate rapidamente degenera em caos, com discussões sobre depilação como punição, exigências irônicas de liberdade de expressão, acusações sobre personagens como Fedra e Penélope, e, por fim, um verdadeiro barraco generalizado com puxões de cabelo e ameaças divertidas dignas de comédia pastelão.