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To Endymion (Poesia #215)

To Endymion

(Frank Belknap Long, Jun.)

Ao atingir a maioridade, 27 de abril de 1923

Ergue-te, lua amiga, e lança os raios teus
Sobre a terna genialidade que os anos teceu;
E glorifica com teu raio de prata ardente
ENDIMIÃO, hoje com vinte e um! Presente!

Criança etérea! Quão breve foi o lapso de tempo
Que bastou para transformar-te em homem, a teu tempo!
Mas ontem a tua mente infantil
Colhia sonhos de maravilha do vento a fio,
Voava com as nuvens de céus rosados
Onde o solitário flamingo branco tem voado,
E sulcava o perfumado mar austral
Que lambe a praia de Arcádia, ideal.

Tais sonhos iluminam o jovem poeta
Com chamas de luz irredutivelmente secreta,
E tais — pela vontade de Selene, quão rara —
Ó Menino Imortal, ainda tua alma ampara!

Meu é, pois, o dever de saudar esta hora
Com louvor a um poder que não chega agora;
Mas regozijando-me por hostes divinas cederem
O que teus próprios domínios já retêm e comovem.

ENDIMIÃO! Guardado por graças sem par,
Para sempre jovem, para sempre a brilhar;
Acariciado pela brisa no cume de Latmos,
Em incessante inocência e repouso, plácidos!

Teu mundo ostenta mil feitiços sem igual
Que se perdem em nosso reino torpe e banal;
Mil cores de delicadeza infinita,
E cantos que aves desconhecidas criam, bendita;
Mil panoramas dispostos em serena harmonia
Em muitas cenas enluaradas de magia,
A luz do sol, da lua ou do céu profundo —
Grandes navios de ouro, monstros alados do submundo,
E estranhas grutas marinhas de fogo líquido e imundo.

Conserva pois tua juventude — sê sempre o infante
Como quando cantaste tua primeira nota adiante,
E não deixes os anos corroer o fulgor
De cada sonho de ametista, puro e viçor.

Para ti não se estende a vista comum e vã
Sobre o ermo cinzento da terra e sua manhã;
Nenhuma paixão vulgar corrói e se agita
No éter cristalino da tua canção infinita:
Teu é o dom de pintar com pincel de chama
Esferas hialinas que o sem-nome reclama.

Criança bendita, que todos os teus pensamentos de juventude
Te inclinem ainda aos caminhos da verdade e virtude;
À imaginação sem manchas, rica e amável,
À singeleza que a mente acalma e torna estável,
À virtude sem pose, à razão ousada,
À coragem para manter tua altiva morada,
Ao saber maduro que desperta a Musa inspirada,
E à beleza por sua própria essência guardada.

O mais amado de Febe! Ao contemplar
Os dias futuros que te hão de chamar
Homem, vejo uma vereda de luz prateada;
Para a eternidade, ininterrupta e sagrada.

Nessa senda brilhante teus pés élficos jamais
Poderão vacilar ou recuar para trás,
Mas hão de dançar até que o Tempo traga enfim
Os Aidens da tua visão, sem fim!