(Dedicado ao Mestre Alfred Galpin, Jun.)
Sábio jovem, cuja fronte
Enfeita o louro tessálio,
Herdeiro de alegrias que ante
O viçoso trilho desviam-se em brio:
Colhe tuas grinaldas com cautela
Para os dias de inverno além;
Podes coroas usar com desvelo
Quando as rosas fenecerem também!
Dríades perseguem teus passos ligeiros,
Musas amam teu olhar ávido;
Sê doce qual Dríades nos outeiros,
Cresce qual Musas, sábio e plácido.
Belezas serpenteiam teu caminhar,
Virtudes cintilam tua fronte;
Bebe as belezas para o teu pensar,
Aperta as virtudes contra o monte.
A juventude é breve carícia,
A velhice é longa, fria e atroz;
Farta os olhos na beleza fictícia
Na primavera de tua voz.
Flores e sonhos jazem a teu lado,
Colhe com sabedoria o que há de durar;
Flores murcharão logo no prado,
Sonhos hão de o passado te guardar!
Assim, pela estrada em flor
Caminha leve, caminha livre;
Não tornarás a trilhar com vigor,
Gentil viajante, onde o tempo vive.
Gozos fogem — não chores penosamente —
Guarda memórias para o futuro reter;
Então, sem medo, adormece docemente,
Bem-aventurado e sem sonhos para sempre a ver!