Último dos gigantes, em cuja alma ardia clara
A tocha sagrada da grandeza e do direito,
Um mundo destroçado, que não tem quem te iguale,
Pranteia sobre a tua campa na recém-nascida noite.
Sábio, vidente e estadista, versado em toda arte;
O primeiro a contemplar, e o primeiro a pregar a verdade;
Soldado e patriota, em cujo poderoso coração
Pulsava o alto brio da eterna juventude.
Primeiro dos cidadãos e o melhor dos chefes,
Em tua mente não havia a fraca inação;
Fiel às tuas bandeiras, firme em tuas crenças;
Tão ágil para o ato, quanto os outros para a fala.
Homem livre e fidalgo, cujo espírito brilhava
Com o fogo mais caloroso da bondade e da clemência;
A príncipes e camponeses tua vasta amizade fluía,
Cada qual orgulhoso de aceitá-la, ávido por admirar.
No livro de tua vida, cada página imaculada
Jaz aberta para a vista respeitosa do mundo;
Tu te ergues como o primeiro e o mais puro de nossa era,
Fiel tanto à virtude privada quanto à pública.
Em ti reluzia tão transcendente grandeza,
Que ninguém te negaria um lugar Imperial;
Contudo, tal era a tua modéstia, que devias parecer
O líder, não o monarca, de tua estirpe.
Coragem e poder, unidos ao engenho e ao saber,
Com uma energia que envergonhava o sol invejoso;
O mais capaz, o mais bravo, o mais nobre da humanidade —
Um César e um Aurélio fundidos em um só.
Sob o teu olhar severo a Desonra curvou a cabeça;
A Opressão esgueirou-se em ignóbil retirada;
Os virtuosos seguiram onde teus passos conduziam,
E a Liberdade abençoou teu império incorrupto.
Quando do Oriente vândalos invasores jorraram,
E a ignorância egoísta reteve a nossa mão,
Tua voz foi a primeira a nos ordenar desembainhar a espada
Para guardar as nossas liberdades e salvar a nossa terra.
A Inveja negou-te o que teu espírito buscava,
E manteve-te longe da planície fervilhante de batalhas;
Ainda assim, teu sangue altivo lutou em corpos filiais,
E as papoilas florescem sobre o teu QUENTIN tombado.
Coube-te ver o triunfo da tua causa;
Teus olhos gratos contemplaram um mundo remido;
Quem dera tua sabedoria pudesse ter moldado as leis
Da nova era, e guiado a alturas nunca sonhadas!
Ainda assim, partiste? Não há de tua presença aferrar-se
Como a de todos os grandes que antes viveram?
Não hão novas maravilhas de tua lavra
De erguer-se de tuas palavras, tão potentes quanto outrora?
Ausente em carne, tu com uma chama mais brilhante
Brilhas como o farol dos bravos e livres;
Tu és a alma de nossa pátria — nossa mais alta meta
É apenas honrar-te e seguir-te!