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A verdade sombria por trás de Benjamin Button

A verdade sombria por trás de Benjamin Button

O conto "O Curioso Caso de Benjamin Button", escrito por F. Scott Fitzgerald, frequentemente gera reações exageradas e análises mirabolantes na internet, como se fosse uma revelação profunda sobre a existência humana, quando na verdade é apenas uma premissa fantástica clássica. A obra literária, no entanto, traz reflexões genuínas e uma estrutura bem diferente da adaptação cinematográfica estrelada por Brad Pitt.

Esse é mais um livro que eu encontrei, com o pessoal na internet dizendo que vai mudar completamente a sua forma de enxergar o mundo e tudo mais. Caramba, esse povo é muito estranho, é sério. É constrangedor. Teve um vídeo que eu vi em que o cara falou assim: "Porque o normal é nascer novo e morrer velho, mas e se fosse ao contrário?". O cara explicou isso como se fosse a maior revelação do mundo. E teve outra pessoa que ainda falou que isso beira o absurdo. A vida dessa pessoa deve ser bem divertida, né? Dos mesmos criadores de "E daí que ele virou um inseto?", vem aí: "E daí que ele nasceu ao contrário?". Caramba, qual que é o grande lance? Saca? Esse pessoal vive em um mundo muito louco, eu queria ver o mundo deles. Deve ser fantástico. O cara deve ter uma privada que é uma hidra e ter que lutar com ela todo dia, senão não seria irado.

Mas falando da obra, eu recomendo a leitura. É legal até porque tem o filme, né? Eu vi o trailer e saquei que era diferente. Falei: "Não vou ver, o filme deve ser bom, mas é outra coisa". É completamente diferente, cara. No filme, ele nasce pequenininho, com a pele toda amassadinha assim. Os pais dele doam ele para um casal qualquer lá e tal, e ele tem muita autonomia. Ele não é uma vítima do que está acontecendo com ele, porque no livro ele fica se justificando: "Não é minha culpa, eu não queria fazer assim", e repete isso em pelo menos uns três momentos diferentes. No filme, não. É o Brad Pitt doidão lá, fazendo o que quer, aproveitando ao máximo a vida dele, muito mais do que uma pessoa comum. A vida dele no filme é muito melhor do que a de uma pessoa comum.

No livro não. No livro ele é um cara qualquer que aproveita um pouquinho a vida. É que tá: quando ele tá por volta dos seus 40 ou 35 anos, ele vai para o exército, ele volta, vai para a noitada, dança com as meninas, depois vai para a universidade, joga futebol. Tem um período ali, dos 40 anos, biologicamente falando — indo de 40 para 20 —, que são os melhores anos da vida dele. E assim, ele vive 70 anos. Então, os primeiros 15 são um inferno, os últimos 15 são um inferno, e os 40 do meio são maravilhosos. Mais da metade da vida dele foi show. Ele lutou na guerra, jogou futebol, se diplomou em Harvard, casou com uma mulher linda, saiu para um monte de festa e foi o primeiro homem da cidade dele, em Baltimore, a ter um automóvel, já que os carros ainda estavam sendo criados na época. Então ele teve uma vida extraordinária, mas não tão diferente da de outros 10 mil caras nos Estados Unidos que também tiveram uma vida interessante. A única diferença é que a dele estava indo de trás para frente: dos 40 para os 20. Os outros jovens viviam isso dos 20 aos 40, e depois, com 45 ou 50 anos, começavam a ficar velhos, a sentir dores.

A primeira crítica que eu tenho ao texto é o narrador. A introdução é horrível, o narrador é ruim, mas depois vai ficando melhor. Quem for ler o conto, lê isso aí em uma passada rápida, uma hora de leitura, no máximo umas duas ou três horas. Quantas páginas são? Eu li em duas horas. Em francês tem umas 50 páginas. A partir de um certo momento, depois de umas cinco páginas, a leitura vai bem fácil. Para mim não foi assim no começo, achei chato. A primeira frase é o narrador dizendo "me dizem que não sei o quê lá". Esse tipo de narrador é péssimo, mas depois vai ficando melhor.

A história é boa. Não é um Kafka, embora o tipo de história seja um pouco parecida, mas a escrita não. A escrita é diferente, e eu gosto. Mas, enfim, você leu "O Grande Gatsby"? Você leu ele? Eu não conheço a história, mas aquele livro é melhor. É o grande livro do Fitzgerald. Até pensei nisso, porque aquele livro não tem nada a ver com essa história de Benjamin Button, nem tem a ver com Kafka. Procurei para ver se ele tinha alguma outra história parecida, na mesma pegada, e achei uma versão impressa que junta "O Curioso Caso de Benjamin Button" e outra história… como é o nome? "Berenice Corta o Cabelo", algo assim. Nossa, história chata, não gostei.

Mas você queria uma história parecida com Gatsby ou parecida com Benjamin Button? Com Benjamin Button, para ser mais doida. Porque parecida com Gatsby, todas as histórias do Fitzgerald são, pelo que dizem, ambientadas na mesma época, falam das mesmas coisas, os personagens são de classes sociais semelhantes e fazem mais ou menos o mesmo percurso. É o que dizem. O Fitzgerald era um cara bem focado nisso, o que dizem ter sido o motivo do fracasso posterior dele. Ele fez muito sucesso na época dele, mas nos anos 30 e 40 ninguém mais queria saber da era do jazz e dos anos loucos. Mas ele não fala muito de jazz, cara. Só que, espere aí, amigo: este conto aqui foi publicado em qual volume? Em "Contos da Era do Jazz". Eu sei, pô, mas ele não fala tanto. É engraçado que tem uma musicista famosona com o mesmo sobrenome dele, Fitzgerald, e ela é uma jazzista foda. Você procura no YouTube e encontra ela. Mas será que é nome artístico? Não sei se é o nome real dela, mas eu ouvi o som dessa mulher. O nome do autor é F. Scott Fitzgerald, pronto.

Vamos pro conto logo, porque a gente tá enrolando muito. Então, a gente vai falar do conto e talvez fale do filme um pouquinho depois, ou não, eu não quis ver o filme, só se precisar… Só se o Lucas se empolgar como ele sempre se empolga e quiser falar. Vamos lá. Uma parada interessante é que é o seguinte.