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“O que a Lua traz consigo” prova que horror cósmico e histórias curtas combinam! • [LOVECRAFT]

O que a Lua traz consigo: Horror Cósmico e Lovecraft

Nesta análise de contos do mestre do horror cósmico, exploramos como H.P. Lovecraft conseguia transitar entre narrativas densas e textos curtíssimos sem perder sua identidade atmosférica e assustadora.

E aí, pessoal do universo Antares, sejam bem-vindos a mais um vídeo aqui no canal. No vídeo de hoje, vamos dar continuidade à nossa playlist onde eu analiso todos os contos de H.P. Lovecraft. Por incrível que pareça, devo analisar o que eu acho que seja o conto mais curto dele. Lovecraft foi, durante sua vida, muito conhecido por ser um escritor prolixo. Até por conta do gênero, não só do terror, mas do horror cósmico, conhecido por exigir uma narrativa mais cadenciada — ou seja, o autor precisa de mais palavras para criar uma ambientação e o nível de imersão em que o horror e o impacto que ele quer construir através da prosa sejam possíveis.

Mas existe também uma consideração, uma falácia que muitos fazem: as pessoas geralmente dizem que você precisa de histórias longas para ter horror cósmico. Este conto aqui prova justamente o contrário. De qual conto estou falando? Estou falando de "O que a Lua traz consigo", que talvez seja a história mais curta de H.P. Lovecraft. Foi escrita, se não me engano, em junho de 1922 e publicada em maio de 1923.

Qual é o lance desta narrativa em específico? Por ser muito curta, a gente já tem basicamente a construção indo direto para o terceiro ato. Para vocês terem uma ideia, são basicamente duas ou três páginas no máximo. E qual é a narrativa dele? Apesar disso, é um conto muito bom, porque acompanhamos um personagem específico que tem horror à lua — não ao que a lua representa enquanto objeto celeste, mas ao que ela acaba por revelar.

Basicamente, ele está perambulando por um jardim exótico, um jardim meio psicodélico próximo de uma região costeira. Próximo à orla, ele começa a ver o mar, na verdade um córrego ou um riacho que deságua num rio e, consequentemente, vai para o mar. Ele acaba acompanhando esse fluxo em um momento muito lírico, que parece até uma alucinação. É isso que torna o horror do conto tão interessante: à medida que ele vê o que a lua revela através das águas, ele consegue ver uma cidade submersa. Conforme a lua amarela vai se alterando e baixando, é como se essa cidade começasse a emergir. O conto termina com ele observando um ídolo — o que eu acredito que seja Cthulhu ou outra criatura, não necessariamente a criatura em si, mas talvez uma estátua ou alguma referência nesse sentido.

Eu gosto muito deste conto porque ele é curtíssimo e prova que muita gente que lê Lovecraft acaba achando chato por achar que só dá para fazer horror cósmico com uma prosa prolixa e avantajada, com muitos parágrafos para descrever coisas. Aqui, por exemplo, nós temos uma prosa mais elucubrada, recheada daqueles jargões e daquele modo de narrar mais erudito, mas ainda assim em um conto curto. Isso gera outro contraponto: você pode ser erudito, pode ter uma prosa do ponto de vista literário um pouquinho mais complexa, e ainda assim fazer uma história curta. Não é desculpa para achar que Lovecraft se resume a um estilo só. É claro que ele tem um estilo próprio, mais recorrente em seu trabalho, mas no geral ele consegue ser bem versátil também.

Como este é um conto bem pequenininho, o vídeo fica um pouco mais curto, mas eu espero que vocês tenham gostado. O que vocês acharam? Gostam também de histórias lovecraftianas mais curtinhas? Se vocês têm alguma favorita, deixem aí nos comentários. Vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!