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Ranqueando as DISTOPIAS [TIER LIST] • Rayhan • VEREDITO

Ranqueando as Melhores Distopias | Tier List de Livros

Após concluir sua jornada de leitura pelas grandes distopias clássicas modernas, o autor decidiu organizar essas obras em três diferentes *tier lists*: a das mais críveis e realistas, a das que possuem a melhor qualidade de escrita e a do seu gosto pessoal.

Todas as distopias abordadas são muito bem escritas, mas começamos pela lista que avalia o quão realistas e coerentes elas são. *Laranja Mecânica* é classificado como coerente, mas pouco crível. Isso porque a forma como é feita a lavagem cerebral no protagonista Alex, aniquilando completamente o seu livre-arbítrio a ponto de torná-lo incapaz de reagir ou pensar, parece improvável, embora a obra em si seja sólida. Já *Fahrenheit 451* entra na categoria de "real o suficiente". A premissa de um futuro onde livros são queimados para proteger a suposta saúde mental da população e evitar que saibam de coisas importantes antecipou com precisão assustadora o emburrecimento induzido pelas telas, projetores nas casas e fones de ouvido imersivos para novelas interativas.

*Admirável Mundo Novo*, de Aldous Huxley, é considerado irreal. Não por seu tema central, mas pela articulação da sociedade, especificamente na forma como a força de trabalho é criada artificialmente em laboratório. Contudo, o livro acerta em cheio em outros aspectos, como o uso de antidepressivos que mantêm a população em uma letargia inebriante. *1984*, por sua vez, é visto como coerente, mas pouco crível. Apesar de ser excelente, a obra estabelece pressupostos difíceis de acontecer na realidade, o que se torna mais perceptível nos conflitos armados e no histórico que levou àquele estado distópico. Por fim, *Nós*, de Ievguêni Zamiatin, a primeira distopia moderna, também se encaixa em coerente, mas pouco crível. Acompanhamos um engenheiro de um governo totalitário em um futuro onde as casas são feitas de vidro. Embora a logística das casas de vidro seja complexa e haja dúvidas sobre as áreas inacessíveis ao governo onde redutos de revolta se abrigam, o autor foi visionário ao prever aspectos da Guerra Fria e, junto com *Fahrenheit 451*, apresenta um dos desfechos onde a revolução avança um pouco mais.

Na segunda *tier list*, focada na qualidade da escrita, todas se destacam positivamente. *Fahrenheit 451* brilha pela prosa de Ray Bradbury, que é romântica, intimista, focada em sentimentos e de leitura extremamente fluida e cinematográfica. *Admirável Mundo Novo* traz uma escrita complexa, com momentos de genialidade absoluta, refletindo seu foco profundo na arte, no pensamento e na literatura. Em *Laranja Mecânica*, Anthony Burgess utiliza uma narrativa em primeira pessoa repleta de gírias e um linguajar próprio do protagonista criminoso Alex, tornando a leitura desafiadora, porém crua e de uma intensidade marcante. *1984* atinge o nível de escrita divino: é bizarro o quão bom o livro é do início ao fim, deixando o leitor atônito com a capacidade de George Orwell. Contudo, o topo dessa lista fica com *Nós*, de Zamiatin, que consegue o feito único de misturar uma distopia com prosa poética de alta beleza estética. A narrativa, moldada nas anotações de um engenheiro que vai se tornando sensível à arte e ao amor, resulta no livro mais belo e bem escrito em termos de prosa.

A última categoria é dedicada ao gosto pessoal e à experiência de leitura do autor. *Fahrenheit 451* é o grande queridinho e a recomendação número um para quem quer começar a ler o gênero, graças à escrita acessível e bela de Bradbury. *Admirável Mundo Novo* é muito apreciado, especialmente pelo final excelente, embora demore um pouco mais para engatar. *Laranja Mecânica* agradou muito por colocar o leitor na perspectiva do antagonista e criminoso, gerando uma reflexão profunda onde se sente mais pena do sofrimento imposto pelo Estado do que repulsa pelo personagem, culminando em um desfecho surpreendentemente otimista. *1984* é adorado por ser fenomenal do começo ao fim, com adaptações cinematográficas recomendadas para quase todas essas obras (com exceção de *Nós*, cujo filme russo clássico é de difícil acesso). No entanto, *Nós* permanece na frente no ranking pessoal devido à genialidade de unir distopia e prosa poética, uma obra que deixa saudades após a leitura. O autor conclui convidando o público a compartilhar suas próprias distopias favoritas nos comentários, mencionando que obras mais recentes como *O Conto da Aia* ainda não entraram na lista por serem de outra fase, mas que novos conteúdos com esse formato devem surgir no canal futuramente.