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“Sob as Pirâmides” – LOVECRAFT, Harry Houdini e EGITO? Não tem como dar errado!

Sob as Pirâmides: Lovecraft, Houdini e Egito

Neste vídeo, o canal Universo Cantares explora o conto "Sob as Pirâmides", escrito por H.P. Lovecraft em colaboração com o famoso ilusionista Harry Houdini. A narrativa mistura elementos de horror cósmico com aventuras orientais e o misticismo do Antigo Egito.

Salam Aleikum, amigos do Universo Cantares. No vídeo de hoje, venho falar sobre um conto muito legal de H.P. Lovecraft. Vestido a caráter com a minha roupa de xeique, vamos falar sobre o conto incrível chamado "Sob as Pirâmides". Este conto foi escrito em 1924 como um *ghost-writing*; ou seja, Lovecraft deu uma de escritor fantasma e o escreveu a pedido de ninguém menos do que Harry Houdini, o famoso escapista que conseguia sair de todas as armadilhas possíveis e que morreu de uma forma um tanto quanto trágica, mas nos proporcionou esse conto fenomenal onde o protagonista é o próprio Houdini.

Então, se você gosta de histórias à la "As Mil e Uma Noites" misturadas com horror lovecraftiano e ilusionismo, este conto é simplesmente fenomenal. Ele foi escrito em 1924 e publicado em duas partes, em maio e junho do mesmo ano, na revista *Weird Tales*. Aproveitando o mês do horror, espero que vocês gostem desta obra.

A história é a seguinte: Houdini está viajando para as pirâmides do Egito. Ele ia, na verdade, fazer uma viagem para a Austrália, mas aproveita a rota e passa pelo Egito, fazendo uma visita às Pirâmides de Gizé. Só que ele acaba encontrando um guia não oficial um tanto quanto diferenciado chamado Abdul Reis, que o leva por diversos pontos turísticos através do Cairo. A princípio, não há nada de horror cósmico, mas temos uma descrição muito bela de como os personagens encontram as pirâmides do Egito e de como Lovecraft sabe trabalhar monumentos históricos de maneira lovecraftiana. A gente faz essa viagem pelos mercados, pelos bazares e pela história da humanidade à medida que Houdini vai se embrenhando com esse guia através das pirâmides.

O conto dá continuidade explorando a Pirâmide de Gizé e, mais especificamente, a Esfinge e Quéfren, um dos construtores da pirâmide, que acaba captando a atenção de Harry Houdini. A segunda parte do conto, que é a mais legal e que eu gosto bastante, é quando Abdul acaba se metendo em encrencas com os integrantes desses guias turísticos extraoficiais, que lembram um pouco Alibabá e os quarenta ladrões. Há então um convite para um duelo sobre as Pirâmides de Gizé. O duelo acontece, mas Houdini percebe que ele foi simulado e que aquelas pessoas descobriram que ele é um ilusionista e um escapista. Eles acabam o prendendo e jogando dentro de um fosso, com o pressuposto de que, se ele é tão bom mesmo, tem que conseguir sair sozinho.

O que acontece é que, ao mergulhar em direção a essas profundezas, ele encontra todo o panteão dos deuses egípcios. Quéfren e Nitócris — eu acho que é uma das rainhas antigas — acabam cultuando um deus lovecraftiano nessas profundezas. É muito maneiro como, quando ele desperta, tem que usar suas habilidades de escapista, embora grande parte do corpo já esteja ferida por criaturas que supostamente tentaram mutilá-lo. É descrita a queda dele nessas profundezas inomináveis que Lovecraft ama escrever, com coisas gigantescas.

Ele está em um salão cujas colunas são basicamente ciclópicas, a ponto de nenhuma Torre Eiffel se igualar a elas, e é desperta pelo clamor da marcha retumbante dessas criaturas. Elas são uma amálgama odiosa entre animais — crocodilos, águias, gatos — costurados aos corpos de pessoas, de cadáveres. Eles estão em procissão até uma escuridão onde Quéfren e sua consortem são venerados, enquanto os súditos jogam oferendas de alimentos para uma criatura lovecraftiana.

O conto termina com ele se escondendo. É muito interessante porque, para prevenir a própria loucura, a maneira que ele encontra para se esconder é atrás de uma dessas colunas. Ele acaba vendo a silhueta dessas criaturas através do brilho dos tochas que vão sendo levados em direção àquela abertura. É muito maneiro como Lovecraft consegue usar até mesmo as sombras que essas criaturas projetam como ponto central do clímax do horror da história. O conto termina com ele fugindo de fato e vendo atrás dele aquela criatura de cinco cabeças que devora todos os cadáveres jogados em sua direção.

É muito interessante que Lovecraft sempre gosta de transformar momentos de delírio com a realidade; ele gosta de unir as duas coisas. Então, quando você estiver vendo o personagem descrever algo como se fosse um sonho ou um momento de alucinação, provavelmente é a realidade apavorante se misturando aos devaneios dele. E é interessante ver como cada um tenta lidar com isso à sua maneira: Houdini tenta esquecer esse horror e acaba escapando para a luz do dia.

É um conto fenomenal sobre as pirâmides, com todos os elementos de uma boa história lovecraftiana misturados a essas aventuras orientais à la *As Mil e Uma Noites*. Espero que vocês tenham gostado, assim como espero que tenham gostado da minha indumentária para este vídeo, já que é um tema caracterizado. Lovecraft sabe trabalhar muito bem essa parte oriental junto com o horror lovecraftiano, que são duas coisas que eu gosto bastante.

E aí, gostaram dessa narrativa? Vejo vocês no próximo vídeo com mais uma história muito doida para contar e para analisar. É isso, salamaleico, até mais, *au revoir*, vejo vocês no próximo vídeo. Até mais e lá!