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O Universo de Toringa! – feat. Lisbôa

O Universo de Toringa! – feat. Lisbôa

O universo de *Toringa*, obra literária criada por Lisbôa, teve sua gênese em uma *fanzine* produzida na adolescência do autor, por volta dos 12 e 13 anos, inspirada fortemente em referências do universo *shonen* de animes, como *Naruto*. Anos mais tarde, aos 16 anos, o autor resgatou esse material para estruturar uma narrativa coesa, culminando no lançamento do primeiro volume quando tinha 17 anos, através de uma editora tradicional. No entanto, após uma experiência frustrante com o mercado editorial brasileiro — modelo que muitas vezes se sustenta financeiramente à custa dos autores em vez de lucrar com as vendas reais —, o projeto foi interrompido e a continuação engavetada.

A retomada da saga aconteceu anos depois, impulsionada por um episódio de depressão durante a pandemia e por um áudio nostálgico enviado pelo filho de um primo, que havia redescoberto o primeiro livro e perguntava pelo desfecho da história. Decidido a reescrever a obra do zero por ter perdido os arquivos digitais originais, Lisbôa contou com a leitura crítica de Lucas Rosalém, parceiro de live e escritor, o que elevou drasticamente a qualidade técnica do texto. Essa nova versão, reformulada e muito mais robusta, ganhou corpo e foi dividida para publicação em dois volumes iniciais, com um terceiro volume já inteiramente redigido e guardado em cadernos físicos.

O enredo de *Toringa* acompanha Débora, uma jovem carioca que se muda para Londres devido ao trabalho do pai e carrega o segredo de possuir poderes de fogo. Na capital inglesa, ela descobre a existência de outras pessoas dotadas de habilidades extraordinárias, unidas principalmente em razão dessas peculiaridades, visto que possuem personalidades completamente díspares. Essa dinâmica de grupo ganha complexidade com a chegada de Josh, um soldado vindo de outro universo chamado Toringa. Josh está na Terra com a missão de recrutar cientistas e extrair energia e metais escassos para salvar seu planeta natal, que enfrenta uma grave crise energética.

Enquanto o primeiro volume foca essencialmente no desenvolvimento dramático e psicológico dos personagens na Terra, servindo como uma introdução intimista e focada no drama pessoal da protagonista, o segundo volume expande os horizontes da narrativa. Nele, os jovens aprendem a controlar e treinar seus poderes como ferramentas de sobrevivência e defesa, e o leitor finalmente é apresentado à mitologia profunda, à história antiga e às intrigas políticas do universo de Toringa. O autor destaca que, embora o livro possua uma roupagem infanto-juvenil — comparável ao apelo intergeracional de sagas como *Harry Potter* —, a reescrita técnica introduziu subtextos, controle dramático e complexidade temática que transcendem a simples aventura adolescente.

Durante o processo de reescrita, alterações estruturais significativas foram feitas em relação à edição original dos anos de adolescência do autor. Cenas excessivamente melodramáticas, como a morte precoce de uma personagem secundária usada de forma artificial para justificar o sofrimento e o amadurecimento de outros, foram eliminadas por serem consideradas recursos narrativos preguiçosos. Além disso, o aprofundamento do *world-building*, inspirado em leituras densas como o *Silmarillion* de J.R.R. Tolkien, garantiu que o universo fantástico ganhasse consistência estética e coerência interna. Para Lisbôa, o processo criativo revelou os desafios inerentes à escrita de continuações e à manutenção do ritmo, reforçando a importância de concluir o esqueleto da história antes de sua publicação para evitar bloqueios criativos ou a perda do fôlego original.

💡 Sugestões e Dicas

  • Saiba o final da história antes de começar a escrevê-la, estruturando o arco completo para evitar bloqueios e garantir a coesão da trama.
  • Evite o uso de mortes de personagens apenas como recurso melodramático superficial para forçar o amadurecimento ou o sofrimento de outros; busque motivações narrativas mais orgânicas.
  • Treine técnicas de escrita criativa escrevendo contos regularmente para ganhar segurança antes de se aventurar em projetos longos.
  • Não confie apenas no dramatismo explícito (como descrever um personagem chorando); construa um entorno dramático na cena para que o leitor sinta a emoção genuinamente.
  • Trate cada formato de publicação (livro físico e livro digital/e-book) como um produto distinto, compreendendo que possuem catalogações, exigências e burocracias próprias.