A alarmante prevalência em periódicos contemporâneos de “poesia” sem forma, engenho ou beleza artística tem causado não pequena apreensão entre os verdadeiros amigos do verso, e dado azo ao receio de que a arte aônia tenha adentrado uma fase definitiva de decadência. É crença do *The Conservative*, contudo, que a situação é mais complexa e menos fundamentalmente ameaçadora do que transparece em indicações superficiais.
Deve-se lembrar que, não obstante o parentesco entre a fantasia humana e seu modo de expressão, há uma distinção nítida entre o radicalismo de pensamento e ideais, e o mero radicalismo de forma; e que, enquanto os espécimes mais notórios de verso livre representam completo caos tanto de sentido quanto de estrutura, a maioria daquilo que logra admissão em revistas respeitáveis é decadente apenas na técnica. A fraternidade poética tem um novo brinquedo, e todos forçosamente hão de ter sua hora de divertimento com ele; mas a melhor estirpe de bardos possui bom gosto e sanidade inerentes em grau excessivo para se extraviar demasiadamente. Em breve estarão escrevendo verso real por acidente, malgrado si mesmos, pois não podem derrotar as leis naturais do ritmo na expressão poética. Já agora, a obra desses poetas pulula de reações ocasionais à rima normal e ao metro racional. Nossa co-amadora Sra. Renshaw, uma poetisa superlativamente boa apesar de suas teorias radicais, compôs recentemente uma peça de aparente *vers libre* que é na verdade uma composição iâmbica bem-delimitada, com variação no comprimento dos versos. O poeta inato triunfou involuntariamente sobre o teórico radical! Podemos, pois, confiar com segurança no tempo para trazer os experimentadores verdadeiramente dotados de volta ao rebanho.
A segunda escola de poetas livres, ou inteiramente errática, é aquela representada por Amy Lowell em seu pior momento; uma horda chamativa de rapsodistas histéricos e semijuízos cujo princípio básico é o registro de seus humores momentâneos e fenômenos psicopáticos em quaisquer frases amorfas e destituídas de sentido que lhes venham à língua ou à pena no momento do transe (ou ataque epilético) inspiracional. Essas criaturas patíbulas subdividem-se naturalmente em vários tipos e escolas, cada qual professando certos princípios “artísticos” baseados na analogia do pensamento poético a outras fontes estéticas tais como forma, som, movimento e cor; mas são fundamentalmente semelhantes em sua carência total de senso de proporção e de valores proporcionais. Sua rejeição completa do intelectual (um elemento que não podem possuir em grande proporção) é a sua perdição. Cada qual põe por escrito os sons, ou símbolos de sons, que vagam por sua cabeça sem a menor cautela ou ciência de que possam ser compreendidos por qualquer outra cabeça. O tipo de impressão que recebem e registram é anormal, e não pode ser transmitido a pessoas de psicologia normal; pelo que não há arte verdadeira ou mesmo os rudimentos de um impulso artístico em suas efusões. Esses radicais são animados por processos mentais ou emocionais que não os poéticos. Não são em nenhum sentido poetas, e seu trabalho, sendo totalmente alheio à poesia, não pode ser citado como indicação de decadência poética. É antes um tipo de decadência intelectual e estética da qual o *vers libre* é apenas uma manifestação. É a decadência que produz a música “futurista” e a pintura e escultura “cubistas”.
Caso sejam necessários exemplos concretos das duas espécies de verso amétrico — o verdadeiramente poético e o inequivocamente anormal — para ilustrar sua diferença, o leitor pode comparar “Inarticulate Grief”, de Richard Aldington (*The Poetry Review*, agosto de 1916), com o seguinte trecho de insensatez sóbria, escrito por um dos chamados “Espectristas” sem qualquer intuito de humor, mas encontrado por *The Conservative* em um dos parágrafos caprichosos de um “condutor de coluna” de Nova York; onde sua completa inutilidade e irracionalidade o recomendaram para citação. O Sr. Aldington é um poeta de genuína profundidade e sentimento, malgrado seu meio expressivo desajeitado; o leitor poderá julgar o seguinte sem o auxílio de crítico ou comentarista:
Sua alma era sardenta
Como a careca
De um banqueiro judeu ictericiado.
Seu rosto alvo e cheio de traços
Contorcia-se como
Uma jiboia albina.
Ela achava que se parecia com a Mona Lisa.
Isto demonstra a futilidade de pensar.
E a futilidade de aceitar os “poetas” livres crônicos como fatores sérios na situação literária de hoje!