Lúgubres névoas de outono despejam sua carga gélida,
Um corvo estremece ao voar rente ao chão;
Por pastagens solitárias serpenteia a Estrada de Sulcos,
Onde ulmos fronteiriços erguem-se nus contra o céu.
Esses sulcos fundos, que apontam mudos adiante
Sobre areias percorridas que se estendem até a borda da Visão,
Despertam pensamentos ocultos — um anseio meio a meio pavor —
Até que a Fantasia hesita ante a perspectiva sombria.
Sombras descendentes ordenam que eu me apresse por entre
As antigas marcas que tantos conheceram antes;
Um grilo zomba de mim com seu canto sem alegria —
Temo a trilha — bem que gostaria de não ver mais nada.
Contudo, aqui, com seu carro puxado a boi, cada camponês impensado
Seguiu seu rumo, sem jamais deixar o caminho comum;
Posso eu, superior à plebe rústica,
Encontrar a aurora em atalhos mais luminosos?
Com um olhar inquisitivo, examino a charneca que escurece;
Quem sabe além daquela colina todas as bênçãos me aguardam?
Mas ainda assim o fascínio irresistível da Estrada de Sulcos
Contém meu progresso rumo ao Caminho do Destino.
Assim devo tatear entre as árvores agourentas
Onde aqueles que me antecederam encontram a noite mística;
Sigo em frente, além dos prados murchos —
Mas o que, após a curva, aguarda a minha visão?
Terras mais belas do que esta convidam meus pés?
O Destino me concederá suas dádivas mais preciosas?
O que jaz adiante, para saudar minha alma exausta?
Por que será que eu não desejo saber?