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Spring (Poesia #86)

Spring

Parafraseado da Prosa de Clifford Raymond, Esq., no Chicago Tribune.

Erguei-vos, camponeses! pois a luz da bela Aurora
Mostra os gansos selvagens em matinal fuga agora;
Em fileiras cambiantes fazem seu curso mudo,
E deixam o lago pelo pântano, o refúgio tido:
Embora voem soltos, de formas variadas,
Têm olhos firmes, metas inalteradas.
Assim no instinto bruto a Natureza atesta a lei;
Desperta o espanto e impõe o temor que eu vi.
Mas escutai! Daquele bosque o canto amável
Dos pintirrojos, rumo ao banquete indomável;
Em tons mais brandos canta o gaiio vigoroso,
Enquanto à sombra do plátano vagueia o melro orgulhoso:
Do muro vizinho o canto do azulão ressoa,
E no prado a cotovia jubilosa voa.
Florestas e campos acolhem o acorde amado,
E saúdam a vinda do bando alado;
Ágeis afluem as legiões aéreas das praias
Onde a Baía do México verte as correntes várias:
Em ondas sutis a tropa sonora afluíra,
Para alegrar a alma e a plaga nortenha que inspira,
Obediente ao mando da mão onipotente de Jove, que a tudo mira.
Vivo de canto o suave azulão flutua;
O tordo-eremita as notas melódicas recusa;
Ninguém nota seu rumo firme, mas ao chegarem,
Cada um ganha as boas-vindas do lar que vão habitar.
Gotejam agora os plátanos seu sumo vernal,
Enquanto espinhos crescentes abrem o broto natal;
Nas encostas de grama os novelos peludos se desatam
Onde em breve as alvas flores da hepática se dilatam.
Todo-poderoso Pã! cuja vasta vontade imutável
Veste o bosque verde e a colina indomável,
Quão calmos os trabalhos de teus grandes decretos!
Quão quieta tua magia sobre os prados repletos!
Nenhum tropel de passos ou som de tímpano agita
A cena silvestre, nem a sarça adormecida habita:
Em pacífica canção a lei irresistível se move,
E agrada enquanto governa os prados e o bosque jovem.