Por caramanchões bem cuidados vaguei em vão
Em busca de trégua para as dores sem causa
Que povoam o espírito exausto, e invadem
A mente que raras vezes sonha com o repouso.
Nem caminho de cerca limpa, nem a graça radiante do jardim,
Nem fonte de cristal brotando sobre o verde,
Puderam alegrar meu coração, ou apagar da minha alma
A tragédia das coisas que poderiam ter sido.
Os ramos do pomar, adornados com flores de primavera,
Os gramados viçosos, aparados com hábil labor,
Não puderam trazer-me alegria ou frêmito grato;
Em lágrimas vim, e demorei-me apenas para prantear.
Um dia, em ociosidade, meus passos acharam
A encosta sufocada por ervas que conduz aos abismos silvestres
Onde tapetes de folhas cobrem o solo pisado por ninguém,
E a Natureza, sem adornos, guarda o seu palácio.
Foi aqui, em regiões desconhecidas da humanidade,
Onde o pântano e a mata fecham espíritos benignos,
Enfim estive, a sós com o Deus da Natureza,
E alcancei a trégua que o mundo me negara.