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Respite (Poesia #66)

Respite

Por caramanchões bem cuidados vaguei em vão

   Em busca de trégua para as dores sem causa

Que povoam o espírito exausto, e invadem

   A mente que raras vezes sonha com o repouso.

 

Nem caminho de cerca limpa, nem a graça radiante do jardim,

   Nem fonte de cristal brotando sobre o verde,

Puderam alegrar meu coração, ou apagar da minha alma

   A tragédia das coisas que poderiam ter sido.

 

Os ramos do pomar, adornados com flores de primavera,

   Os gramados viçosos, aparados com hábil labor,

Não puderam trazer-me alegria ou frêmito grato;

   Em lágrimas vim, e demorei-me apenas para prantear.

 

Um dia, em ociosidade, meus passos acharam

   A encosta sufocada por ervas que conduz aos abismos silvestres

Onde tapetes de folhas cobrem o solo pisado por ninguém,

   E a Natureza, sem adornos, guarda o seu palácio.

 

Foi aqui, em regiões desconhecidas da humanidade,

   Onde o pântano e a mata fecham espíritos benignos,

Enfim estive, a sós com o Deus da Natureza,

   E alcancei a trégua que o mundo me negara.