Uma manhã fragrante, a Primavera jovem,
O vale eu percorria em ânsia e quermesse,
Esperando achar na relva, por bem,
Onde a violeta seu ninho tecesse;
Mas nem folha ou botão brotarem vêm
Do leito onde o inverno adormecesse:
Contudo, ao fim da busca ávida e vã,
A flor que eu não via vi surgir fã!
Numa noite, encerrado em meu aposento,
Eu quis meus devaneios aprisionar
Em versos vivos, e dar alento
À dor e à blitze que hei de tragar;
Mas conflito d’alma dilacerou meu cento —
O lápis lento em vão quis rimar:
Eis que o luar, no prado, a canção troveja,
A há muito almejada, indesejada e alheia!