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Providence in 2000 A.D. (Poesia #9)

Providence in 2000 A.D.

(Anuncia-se no Providence Journal que os italianos desejam mudar o nome da Avenida Atwell para “Avenida Colombo”.)

Por anos guardei meus tostões suados,
Para cruzar os mares e ver Providence, de lados,
Pois embora inglês de nascimento eu seja,
Meus ancestrais moravam em Rhode Island, na comcleveja,
Até que, acuados por imigração estrangeira,
Deixar a velha Plantação foi sua carreira,
Em busca de uma vida de paz e repouso
Em solo britânico, de onde brotou nosso foço.

Quando em minha viagem ousei zarpar,
Subi a bordo de uma arca rápida a flutuar
Que sulcou as ondas, e em um só dia
Alcançou o porto na Baía de Narragansett, fria.
Deixei o navio, e com olhos assombrados
Vistoriei a cidade de gritos forasteiros cercados.
Nenhuma palavra de discurso pude entender,
Pois o inglês era ali desconhecido, sem ver.
Desembarquei no Cabo de São Miguel,
Onde se aglomeravam homens de todo matiz e piel.
Dizem que este lugar “Fox Point” já foi chamado,
Mas os Bravas negros esse nome têm derrubado.
Num bonde vacilante, para o norte voei,
Veloz pela Avenida O’Murphy levei.
Há muito, muito tempo, “South Main” era o nome,
Mas tais títulos simples a prole da Irlanda consome.
No Largo Goldstein deixei o vagão troando,
E pisei o calçamento que era a “Praça do Mercado”, vagando.
No extremo leste, perto de um monte elevado,
Ergue-se a ruína de um prédio tijolado:
A antiga “Junta Comercial”, diz o povo a falar,
Restante dos tempos antes do domínio hebraico imperar.
Cruzando uma ponte, onde águas aromáticas vão,
Rumei minha jornada em direção ao sol e à amplidão.
Uma bifurcação primeiro chamou meu olhar;
Meu guia a chama “Encruzilhada de Finkelstein”, sem parar,
Mas numa nota histórica está escrito, afinal,
Que os velhos ingleses chamavam o lugar de “Cabeça de Turco”, genial.
Alguns passos ao sul, vi um prédio antigo;
Um Correio de pedra, à venda, sem abrigo.
Meu rumo agora era uma rua estreita e com dor,
Subindo a passos duros com meus pés de fadiga e ardor.
Seu nome é Travessa Svenson, pois pelo sueco
A “Rua Westminster” foi mudada, num eco.
Depois subi num bonde rumando a noroeste,
E logo entre homens morenos me achei, com pressaste,
No cume de La Collina Federale,
Perto do Il Passagio di Colombo, medonho mal.
Retornei então e rumei direto ao norte;
Sobre trilhos enferrujados o bonde zumbia, forte.
Alto perto de meu assento, um homem com escárnio vociferava
Um plano fácil para o Leste chegar, que o Lado esperava.
Por Nova Jerusalém passamos velozes;
Vimos a riqueza que Israel amontoou, em vozes,
E logo chegamos à Cidade de Nova Dublin,
Uma grande metrópole que de um pequeno “Pawtucket” veio enfim.
De lá vaguei em direção a Nova Paris,
Que no passado era “Woonsocket”, sem diz,
Antes que o gauleses do Canadá transbordassem ali
Para inchar as fábricas e o barulho a rir.
Logo retornei a Providence, e então
Fui a oeste desafiar o polaco em seu covil, são.
No que antes chamavam “Olneyville” eu vi
Uma placa de rua pintada: Wsjzxypq$?&%$ ladislaw, ali.
Tomado de pavor, busquei o cais novamente,
Mas quando o apito do vapor bramiu de repente,
Uma forma murcha, meio agachada entre a carga,
Agarrou meu braço, detendo minha marcha amarga.
“Quem és tu, infeliz?” espantado indaguei;
“Um prodígio monstruoso”, o sujeito suspirou, rei:
“O último da minha espécie, um homem só e sem clã,
Meu nome é Smith! Sou um americano, amanhã!”