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New-England Fallen (Poesia #10)

New-England Fallen

Hic, ubi nocturnae Numa constituebat amicae,

Nunc sacri fontis nemus et delubra locantur

Judaeis, quorum cophinus faenunique supellex;

Omnis enim populo mercedem pendere jussa est

Arbor, et ejectis mendicat silva Camenis.

—Juvenal, iii, 12-16.

Quando, há muito, a América era jovem,
E habitada por lavradores de estirpe britânica,
A Nova Inglaterra estava cheia de rústicos vigorosos;
Verdes eram seus campos, e diligentemente lavrados.
Meu avô João, junto a uma colina rochosa,
Em meio a pastagens banhadas por um riacho cintilante,
Ergueu firme sua despretensiosa choupana;
Afundou fundo seu poço, traçou o terreno de seu jardim;
Construiu galinheiros para as aves, colmeias para as abelhas;
Celeiros para o gado; limpou a terra das árvores.
Os prados largos cercou com muros ao redor,
Edificados com pedras cavadas do solo rochoso.
Da alvorada à escuridão chegava seu labor diário;
Cada primavera semeava com sementes o solo fértil;
E no calor de cada meados de verão,
Com a foice afiada ceifava o feno inclinado.
Sob a lua da colheita ele colhia a safra madura;
No sopro do inverno seu machado era ouvido cortando
Os carvalhos balançados pelo vento e os bordos do bosque
Que nas encostas de sua colina erguiam-se majestosos.
Em pastagens gramadas, repletas de rico húmus,
Seu gado musculoso costumava pastar e vaguear;
Assim ele vivia, e chamava seus acres humildes de „LAR”.

A casa de fazenda de madeira, pintada de um branco níveo,
Tinha nela mais de largura do que de altura.
Um telhado inclinado emprestava sua proteção segura;
Em vão as tempestades lá fora gastavam sua fúria.
Acima do telhado, a chaminé de pedra elevava-se,
Por onde a fumaça jorrava em torrentes da cor de tinta.
Ao redor da porta, a hera trepadeira entrelaçava-se;
O jardim ensolarado continha flores brilhantes.
Os cômodos lá dentro eram esfregados até brilharem
Pela boa esposa do honesto Fazendeiro João.
Junto ao fogo à noite o rústico sentava-se,
E ouvia o canto de seu gato,
Ou lia as Escrituras para sua esposa e filho,
Ou pela janela observava a lua ascendente.
Seu filho foi criado por máximas sábias e boas,
A virtude ele amava, o Deus Imortal temia.
O vício e a loucura do mundo ele espezinhava,
Mas na escola do distrito aprendeu a verdadeira sabedoria
Com seu bondoso mestre, que com preceitos prudentes
Refinava e moldava o crescimento da tenra idade.
Com nenhum comércio inferior sua mente maleável estava cheia,
Nem seu engenho foi morto por noções frívolas.
Poucos eram seus estudos, mas com zelo perseguidos;
Com aprendizado sólido o jovem estava embuído.
Suas horas de lazer eram discretamente gastas;
Em alegrias e esportes inofensivos ele vivia contente.
Robusto ele cresceu, pela lei certa da Natureza;
Não conhecia vilas, nem via ruas apinhadas.
Todo domingo em sua charrete robusta e espaçosa,
João dirigia-se à reunião, para louvar a Deus nas alturas.
Recém-barbado, e com o melhor de seus casacos,
Os salmos ele cantava, com notas alegres e retumbantes.
Com a mente devota, buscava salvar sua alma,
Enquanto liberais ofertas dava à igreja.
Com ouvido atento ele ouvia o sermão;
Os conselhos do pastor, e a santa palavra.
Abençoado era aquele pastor, o nobre dos homens;
Verdadeira era sua crença, exaltada era sua mente.
Pecadores ele salvava, e toda a criação amava;
Com palavras simples, seu rebanho às lágrimas movia;
Inspirado ele pregava, e os serafins acima aprovavam.

As necessidades do fazendeiro eram poucas, e bem supridas
Por navios carregados que rolavam sobre a maré,
De praias distantes trazidos por Zéfiros favoráveis
Até os cais que adornavam cada cidade portuária.
Nos conveses varridos pelo vento os ianques, maravilhados, viam
Os marinheiros morenos, aberrações de sangue alienígena.
Pouco temiam, enquanto desfrutavam da brisa,
Que seu reino em breve estaria cheio de tais criaturas;
Estavam desprevenidos; sua ignorância era uma bênção;
Não sabiam como sua terra iria desandar.
Quem dera eu pudesse possuir tal nescisciência como esta!

Frequentemente à vila dirigia-se o bom Fazendeiro João,
Para abastecer sua dispensa, e prover seu celeiro.
Entre ruas sombreadas ele buscava a loja da vila,
E saudava os rústicos amontoados ao redor da porta.
Ele comprava com sabedoria, e com coração honesto
Negociava cavalos no mercado rural.
Então, quando a noite vinha, rumo a casa a charrete de João inclinava-se,
Seu nag recém-comprado trotando logo atrás.
E enquanto ele viajava, com orgulho patriótico,
No brilho do pôr do sol ele contemplava o campo.
Os campos plantados estendiam-se diante de seu olhar;
O campanário perfurava a névoa vespertina que se acumulava,
Enquanto aqui e ali uma fazenda arrumada exibia
Sua extensão branca ao lado da estrada escurecida.
Entre as árvores, ele viu uma alameda sinuosa;
Pedras eram seus muros, e musgoso era seu chão.
Os rapazes vizinhos dirigiam-se a ele através da penumbra
Enquanto com seus cães conduziam o gado para casa.
Junto ao riacho ficava o moinho de água;
O trabalho do dia feito, sua roda ponderosa estava quieta.
A paz pairava sobre cada vale e colina suavemente ondulada.

Felicidade agreste! Por que não podes permanecer?
Por que os anos devem trazer o mal em seu rastro?
Por que os filhos dos rústicos abandonaram o lar,
Para vagar em vilas sombrias e terras distantes?
Por que deixaram os prados de seu nascimento;
Abandonaram o sossego rural pela penúria e carência urbana?
Por que brutos estrangeiros vis têm permissão para habitar
Entre as colinas onde a grandeza saxônica tombou;
Viver suas vidas vis, degradando-se na imundície
Como macacos que frequentam um palácio há muito em ruínas?

Menos fresca e verde parecem agora as colinas da Nova Inglaterra,
O ar está corrompido pela fumaça dos moinhos;
As casas cambaleantes, mal mantidas erguidas,
Tremem ao vento, e desmoronam por negligência,
Embora em algumas poucas vivam alguns alienígenas miseráveis
Em meio à imundície hedionda, e ao fedor repulsivo.
A igreja vazia decai com a podridão mofada;
O campanário altivo oscila sobre sua base trêmula;
Dentro de seu pátio coberto de grama, em sono pacífico,
O pastor jaz, mas ninguém resta para chorar.
A vila ecoa com gritos estrangeiros e ribaldos;
Ao redor das tabernas vagueiam com olhos embriagados
Uma tripulação viciosa, que zomba do nome de „homem”
Ainda assim ousam chamar a si mesmos de „americanos”.

Os navios da Nova Inglaterra já não cruzam o mar;
Portos outrora prósperos afundaram na pobreza.
Os cais apodrecidos como ruínas contam a história
Dos dias em que os ianques guarneciam a vela enfunada.
As Índias já não rendem suas cargas raras;
O moinho fuliginoso é a preocupação atual da Nova Inglaterra;
O moinho barulhento, gerido por camponeses estrangeiros,
Suplanta a gloriosa navegação que se foi.
Nos campos áridos, o gado já não muge;
O solo desconhece o sulco do arado;
Os prados ondulados jazem todos negligenciados,
Manchados aqui e ali por algum chiqueiro de estrangeiro imundo.
A escola já não contém a classe atarefada;
As paredes estão caídas, as ruínas sufocadas pela grama.
Dentro do batente do portão andorinhas constroem seus ninhos;
Sobre a colina, o gentil mestre descansa.
A alameda musgosa está tomada de espinheiros;
Os muros limítrofes são montes informes de pedra,
E através das árvores em luto os ventos gemem com tristeza.

De onde vem esta devastação da terra,
Este golpe terrível da mão do Todo-Poderoso?
Onde está a Nova Inglaterra, que nossos pais conheceram,
Onde homens piedosos cresciam em virtude rude?
Onde a lei e a ordem governavam o reino rústico,
E a honra permanecia inconquistada no leme?
Se foi! Com a raça nobre que lhe deu vida,
E entregue ao crime e à contenda estrangeira.
O lavrador saxão tornou a Nova Inglaterra grande,
E quando ele parte, deixa-a entregue a um fardo cruel.
Nenhuma tribo mais baixa pode tomar seu lugar honrado,
E adornar com semelhantes virtudes a velha Nova Inglaterra.
Este poder jaz trancado dentro da nobre raça BRITÂNICA!