Crítico, cuja alma um mundo afobado exterminou,
Cujo gosto é só a marca dos seus dias,
Não me mandes reprimir minha pena com ardor,
Ou cortejar a turba em rimas vazias.
Não digas mais que a paixão, a dor, o prazer,
Sentimentos gastos do coração popular,
Devem meus dias encher, meus sonhos reger,
E na arte laboriosa triunfantes pulsar.
Deixa o camponês bruto, que a mente não desperta,
Cantor de sua Phillis, de receios e afeição;
Que os tolos presos à terra provem dessa oferta,
Dancem com fúteis alegrias, chorem sem razão.
Por que prender-me em grilhões microscópicos
Que o espírito afligem e a mente contêm,
Se além das nuvens brilham visões de horizontes épicos
Cujos reinos estelares zombam do homem também?
Pode o intelecto lúcido contentar-se em viver
Nos limites estreitos da nossa raça pequenina,
Quando acima o céu estrelado se põe a jazer,
Grávido de segredos do espaço que a abismo inclina?