Neste vídeo da série dedicada à análise de toda a ficção de H. P. Lovecraft, exploramos "O Estranho" ("The Outsider"), um de seus contos mais marcantes e profundos. Publicado em 1926 e fortemente inspirado pelo estilo gótico de Edgar Allan Poe, a narrativa convida o leitor a refletir sobre o isolamento, a busca pela luz e o terror da autodescoberta.
E aí, pessoal do Universo Antares! Sejam bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal e à nossa playlist onde analiso todos os contos e materiais de ficção que H. P. Lovecraft escreveu ao longo de sua vida. No vídeo de hoje, vamos falar sobre um conto muito interessante intitulado "The Outsider", que pode ser traduzido como "O Estranho". Escrito em 1921 e publicado em 1926 na revista *Weird Tales*, este conto representa uma forte união entre Lovecraft e a literatura gótica, inspirando-se bastante no estilo literário de Edgar Allan Poe.
Vamos então à história e à narrativa. Não temos um protagonista nomeado, mas ele é um personagem extremamente melancólico e solitário. Ele vive em um castelo onde a luz do sol nunca alcança, cercado por bosques estranhamente opressores, de modo que ele nunca consegue sair dali. Todas as torres estão cobertas por essas árvores, com exceção de uma torre específica que teve a sua escadaria quebrada, impedindo-o de alcançá-la. Ele vive por anos e anos nessa solidão, tendo pouquíssimas memórias de sua infância, lembrando apenas de ter sido cuidado por um homem muito velho. A narrativa dá a entender que ele é o último de fato, não existindo mais nenhuma outra pessoa ou inquilino naquele castelo.
Em um desses episódios de melancolia, o personagem tem uma vontade incessante de ver a luz do dia. Ele decide escalar aquela torre, afirmando que é uma subida perigosa, mas que prefere morrer tendo a chance de ver a luz do sol do que morrer sem tê-la visto. Ele começa sua subida arriscada até sair por uma espécie de alçapão, percebendo então que está em uma igreja.
Ao sair dali, começa a perambular e se sente completamente aturdido, pois ele é um *outsider*, um estranho, e tudo naquele local lhe é desconhecido. Ele caminha por estradas, Prados e rios até encontrar um castelo onde há aquilo que ele tanto procurava: pessoas e felicidade. Ele se aproxima de uma janela iluminada e entra.
As pessoas no interior ficam completamente apavoradas, desmaiando e correndo. Ele não entende o motivo de tanto pavor até o momento em que alcança uma determinada parte daquele castelo e vê um espelho. No espelho, ele enxerga a coisa mais monstruosa que poderia ter imaginado. Para se ter uma ideia, no castelo onde vivia não havia espelhos, logo ele nunca tinha visto o próprio reflexo.
Ele fica apavorado com a visão daquela criatura, mas ao mesmo tempo sente uma certa atração por ela, até o ponto em que seus dedos se enc માટે… Quer dizer, até o momento em que seus dedos se encostam nos do monstro. É aí que ele é tomado por uma nova dose de horror, ao compreender finalmente que a criatura é ele mesmo — ele é o monstro.
Em seguida, ele sai, tenta voltar para o castelo subterrâneo onde morava, mas não consegue. Ele vê o brilho da lua e entende que a luz do sol também não é para ele, passando a vagar pela noite junto com outros fantasmas. O conto termina dessa maneira, e eu acho isso muito interessante justamente porque Lovecraft trabalha fortemente com o psicológico e com a ideia do monstro dentro de cada um de nós.
Essa sensação de estranhamento — você já chegou em algum lugar e se sentiu completamente deslocado, como se não fosse humano ou como se aquele não fosse o seu lugar? Lovecraft explora isso de maneira fascinante, mantendo tudo no campo das metáforas. Enfim, é um conto excelente. Espero que vocês tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!