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A Busca de Iranon • “Sonhar… um sonho impossível” • LOVECRAFT

A Busca de Iranon: O Sonho Impossível de Lovecraft

Nesta análise da obra de H. P. Lovecraft, exploramos "A Busca de Iranon", um conto melancólico e existencialista que integra o famoso ciclo dos sonhos do autor. Escrito em 28 de fevereiro de 1921, o conto foi publicado pela primeira vez no primeiro volume da revista *The Galleon*, em julho de 1935, quando Lovecraft já contava com maior notoriedade. Enquanto o "Cthulhu Mythos" aposta em uma vertente de horror cósmico, o ciclo dos sonhos mergulha na fantasia onírica. A narrativa acompanha Iranon, um bardo e cantor atormentado por fortes lembranças de sua cidade natal, Aira, da qual acreditava ser príncipe. Em sua busca eterna por reencontrar o lar perdido, ele atravessa diversas regiões até chegar a Thalar, sua primeira grande parada.

Em Thalar, os habitantes demonstram pouca afinidade com a arte e as canções. O arconte da cidade concede abrigo e comida a Iranon, mas impõe a necessidade de um trabalho braçal para que ele possa permanecer. Iranon questiona o sentido de um trabalho que não proporcione felicidade e existe apenas por si mesmo. O governante responde que, para eles, o trabalho é divino. Diante disso, Iranon decide partir antes do anoitecer. Vagando pelos arredores, ele encontra um garoto chamado Romm, que também sonha em encontrar uma cidade fabulosa chamada Oona. Iranon indaga o jovem sobre seguir aquele caminho incerto, e Romm sugere que Aira e Oona poderiam ser a mesma cidade, decidindo acompanhar o bardo.

Ambos viajam juntos por anos, período em que um traço sutil do caráter divino ou sobrenatural de Iranon se revela: ele não envelhece, enquanto Romm cresce e se torna um adulto. Quando finalmente chegam a Oona, são recebidos com cortesia e o rei lhes fornece aposentos luxuosos. Iranon logo percebe que aquela não é a cidade de suas memórias, mas decide ficar devido à simpatia do povo, entretendo a todos com suas canções ao longo dos anos. Com o tempo, Romm envelhece, torna-se um homem gordo de tanto comer e beber, e acaba morrendo de velhice de forma repentina. Após o luto e a partida de outros bardos que roubam parte de sua atenção, Iranon decide que é hora de continuar sua jornada.

Em sua caminhada, Iranon perambula por algum tempo até encontrar um velho pastor cuidando de seu rebanho em uma fazenda. Ele pergunta ao ancião onde pode encontrar a cidade de Aira e descreve suas características. Vale destacar que, ao longo de suas viagens, Iranon cruza por várias cidades mencionadas em outros contos do ciclo dos sonhos de Lovecraft, como Sarnath e Polaris, criando uma rica teia de referências internas que recompensam o leitor familiarizado com toda a obra do autor.

Ao ouvir a descrição, o velho responde que, há muito tempo, um menino maltrapilho e sonhador costumava falar sobre essa mesma cidade antes de partir em sua busca. Nesse momento, olhando para os arredores ao cair da tarde, Iranon é tomado por uma desolação profunda: ele compreende que sua busca incessante nunca foi real. Iranon era apenas aquele garoto alucinado do passado, cujas memórias eram fruto da imaginação de uma criança que agora retornava velha e esquecida. O conto encerra-se com o protagonista profundamente abatido, perambulando rumo ao desconhecido após descobrir que sua busca eterna foi totalmente infrutífera. Trata-se de uma narrativa singular dentro da bibliografia lovecraftiana, cujo valor se amplifica consideravelmente quando o leitor consegue capturar todas as conexões e referências construídas ao longo do ciclo dos sonhos.