Neste vídeo, o canal explora o conto "Massa Cinzenta" (ou "Matéria Cinzenta"), presente na aclamada coletânea *Sombras da Noite* do mestre do terror Stephen King. A narrativa traz elementos clássicos de horror corporal e suspense urbano que marcam a obra inicial do autor.
O conto se passa na cidade de Bangor, uma das localidades fictícias recorrentes nos universos de Stephen King. A história começa no bar de um homem chamado Henry, um ambiente pacato que basicamente vive dos jovens universitários que passam por lá para beber e dos encontros de alguns velhinhos, amigos de longa data que ficam conversando no estabelecimento. Nesse grupo estão Henry, Bert e o narrador da história. Eles estão conversando no bar, trocando aquela ideia, até que a porta se abre e eles conseguem sentir o frio, pois está nevando muito naquele dia. Entra então o Tim, um jovem que é filho de Rich, figura bem importante para a história. O Tim entra extremamente assustado, em um pânico pavoroso.
Henry, que é o dono do bar, está sentado atrás do balcão e, por ser uma cidade pequena, conhece quase todo mundo. Ele pergunta o que foi e como Rich está — no caso, o pai do garoto. Rich é o alcoólatra do bairro; todo dia ele costuma passar pelo bar e comprar suas cervejas, geralmente levando a que está em promoção no dia. Henry vendia para ele e ele levava para casa, sendo essa a interação básica dele com as pessoas. Rich é um cara que ganhou muito peso após sofrer um acidente de trabalho — não se sabe ao certo, mas o fato é que aconteceu alguma coisa, ele ficou com um problema nas costas e passou a viver de assistencialismo. Ele ficava só em casa bebendo e pedia para o filho Tim passar lá e comprar suas cervejas todos os dias, como sempre acontecia.
Só que, dessa vez, o Tim entrou totalmente apavorado. Ele vai falar com Henry, mas não consegue se expressar bem; Henry nota que o garoto está muito nervoso e o chama para o quartinho nos fundos para conversarem, enquanto o resto dos velhinhos fica ali escutando de fundo, tentando compreender o que está acontecendo. No quartinho, com um tom mais agudo e nervoso, e Henry com um tom mais sereno tentando manter a situação calma, ele tenta entender o que aconteceu. Eles só escutam que a coisa não está bem e que Tim começa a chorar. Ao sair de lá, Henry está com uma expressão de preocupação e percebe que há algo estranho acontecendo com o garoto. Ele diz: "Olha, por que você não fica aqui? Aproveita que está frio e faz uma refeição até porque você está bem magro".
Em seguida, Henry chama o narrador — que não tem o nome revelado — e Bert, dizendo que há um problema e que é melhor eles irem lá ver o que aconteceu. Ele pega o dinheiro que Tim deu para comprar as cervejas para o pai e repara que as notas estão manchadas com uma massa, uma gosma cinzenta. Ele diz para pegarem a cerveja de determinada marca para levarem à casa de Rich, e avisa aos outros: "Ninguém toca aqui nesse dinheiro". Nisso, saem Henry, Bert e o narrador em direção à casa de Rich, já levando o pacote de cerveja. No caminho, para demonstrar a seriedade da situação — já que ainda não contou exatamente o que aconteceu —, Henry levanta a camisa e mostra que está armado, afirmando: "O negócio é sério; se metade do que esse garoto contou for verdade, já é absurdo o que aconteceu".
Ele começa então a contar o que Tim lhe relatou. O pai, depois que parou de trabalhar e passou a ficar só em casa, costumava ficar em frente à TV assistindo e tomando sua cerveja. Fora isso, ele conversava normalmente com o Tim, mas tornou-se um homem muito sedentário. A rotina era o Tim sair do colégio, passar no bar, comprar a cerveja com o dinheiro que o pai já deixava separado e entregar a ele. Acontece que, certo dia, o Tim estava estudando em seu quarto e escutou o pai gritando: "Nossa, que negócio nojento, que gosto horrível, foi o gosto mais horrível que eu comi na minha vida!". O Tim perguntou o que foi, e o pai disse: "Espera, acho que eu vou vomitar", mas acabou não vomitando e segurou, repetindo: "Nossa, que gosto horrível essa cerveja, foi a coisa mais nojenta que eu já provei!". O Tim foi lá, olhou e cheirou, e disse que era uma coisa podre e terrível, notando que havia uma gosma cinzenta.
Nesse ponto, os três — Henry, Bert e o narrador — comentam sobre aquilo: o gosto era horrível para os padrões normais, mas ainda assim Rich havia tomado, pois era um alcoólatra de primeira, acostumado a competições de beber cerveja, de modo que para ele qualquer coisa que descesse já servia.
Depois disso, Tim disse que o pai mudou demais e o processo foi lento. Primeiro, ele começou a ficar incomodado com as luzes da casa, a ponto de não abrir mais as cortinas, ficando apenas no sofá em frente à TV bebendo no escuro. Depois, passou a reclamar das luzes dos cômodos em geral, inclusive da luz do quarto do Tim — mesmo com a porta fechada, a fresta de luz o incomodava. Com isso, o Tim passou a estudar na casa de um amigo que morava perto, afinal, como estudar no escuro? Tim também notou que havia um cheiro muito ruim no apartamento; toda vez que chegava perto do pai para pegar o dinheiro da cerveja, sentia um cheiro terrível de podridão.
As coisas só pioraram. Um dia, ele voltou para casa e viu que a lâmpada em frente ao apartamento havia sido quebrada. Certa vez, ao ir pegar o dinheiro da cerveja como de costume, o pai estendeu a mão, mas ela não parecia uma mão normal; era basicamente uma gosma, uma massa, algo pouco humano. Ele ficou extremamente assustado. Quando o pai, que estava coberto com um cobertor, se mexeu, o Tim conseguiu olhar para o rosto dele: não tinha uma forma totalmente humana, os olhos estavam amarelados, exalando um cheiro terrível, bizarro.
Tim fugiu extremamente assustado, percebendo que a situação só piorava. O pai começou a fechar todas as frestas com lençóis e o garoto percebeu que ele nem assistia mais à TV; ficava apenas sentado em frente ao aparelho desligado, totalmente no escuro. O Tim começou a se perguntar como aquilo era possível, afinal, em algum momento ele precisava ir ao banheiro ou comer — embora só tomasse cerveja, a ponto de pedir para o Tim esquentar a cerveja dele, como se tomasse aquilo feito sopa.
Movido pela curiosidade e pelo medo, um dia em que voltou mais cedo do colégio por causa da neve, o Tim resolveu espiar o pai pela porta. Ele viu que a massa cinzenta deixava rastros de gosma por onde passava. O pai abriu um compartimento e tirou de lá um gato morto, já em estado estranho, e simplesmente comeu o animal. O Tim correu apavorado para conversar com Henry, que é o momento do início da conto. Ele já havia tentado conversar com o pai anteriormente, no estágio inicial do problema, para buscar ajuda médica, mas o pai negava e dizia que estava se sentindo melhor. Contudo, desta vez foi demais e ele precisou de ajuda.
Enquanto Henry termina de contar a história aos amigos, eles chegam em frente ao prédio. Os três estão extremamente atordoados e preocupados, questionando se tudo aquilo é verdade ou se o Tim estava apenas vendo coisas. Por se tratar de uma cidade pequena, eles precisam resolver a situação de algum jeito. São três contra um, e Henry pelo menos está armado. Eles sobem para o terceiro andar e notam que tudo está muito empoeirado, com vestígios de gosma pelo chão. Eles se perguntam como ninguém expulsou aquele homem antes, embora percebam que o prédio parece abandonado, escuro e empoeirado.
Eles chegam à porta do apartamento e Henry bate, chamando: "Rich, viemos trazer a sua cerveja!". Rich pergunta: "E o meu garoto? E o meu filho?". Henry responde: "Ele está lá no meu bar tendo uma refeição decente, o coitado estava muito magro". Rich fica calado, e Henry decide tocar em um ponto sensível, perguntando como está a forma física dele. Pelo tom da voz, percebe-se que Rich está mais nervoso; ele apenas diz: "Só abre a porta aí, joga a cerveja e vai embora". Henry insiste que não vai embora, e Rich pede: "Olha, cara, abre a cerveja aí para mim, bota aí e vai embora". Ele inclusive pede para abrirem porque diz não conseguir fazer isso sozinho.
Henry, então, dispara: "Mas Rich, não são apenas mais gatos, né?". Nessa hora, o narrador pensa: "Poxa, o Henry já se tocou, e agora eu entendi também", pois lembrou que duas meninas haviam desaparecido na cidade naquela mesma semana. Fica evidente que aquela entidade, aquela massa cinzenta, foi provavelmente a responsável pelo desaparecimento das garotas. Henry ameaça: "Se você não sair, eu vou te pegar", e já saca a arma.
Nesse exato momento, eles escutam um estrondo; a porta vem abaixo, dobra-se e é totalmente destruída. O narrador e Bert metem o pé e saem correndo escada abaixo, sem olhar para trás. Enquanto fogem, escutam três tiros disparados por Henry. Ao olharem para trás, percebem que o rosto de Rich estava deformado, com olhos amarelados — mas não apenas dois, e sim quatro, com uma espécie de linha branca pulsando no meio. O narrador percebe o bizarro: aquela criatura estava se dividindo, a massa cinzenta parecia estar se multiplicando em duas.
Eles voltam correndo para o bar, extremamente assustados e tentando processar o que aconteceu. Esse é o desfecho do conto: não sabemos ao certo o que aconteceu com Henry, apenas que ele ficou lá no apartamento e disparou três tiros contra a criatura. O narrador e Bert retornam ao bar, ficando à espera para ver se Henry voltará ou não. Assim se encerra o conto "Massa Cinzenta", de *Sombras da Noite*.