Entre as muitas e complexas tendências observáveis na poesia moderna, ou no que passa por poesia nesta época, há um desdém decidido, porém injusto, pelo honesto e velho pastoral, imortalizado por Teócrito e Virgílio, e revivido em nossa própria literatura por Spenser.
Nem esta atitude desfavorável se restringe apenas à écloga formal cujos elementos clássicos são tão bem descritos e exemplificados pelo Sr. Pope. Sempre que um versificador adorna seu canto com as agradáveis e inocentes imagens deste tipo de composição, ou toma emprestada sua atmosfera suave e doce, ele é imediatamente condenado como um pedante irresponsável e um fóssil por todo crítico de meiapataca em Grub-Street.
Os bardos modernos, em seu esforço para exibir com seriedade e minuciosa verossimilhança as operações íntimas da mente humana e das emoções, passaram a olhar com desprezo para a simples descrição da beleza ideal, ou para a apresentação direta de imagens agradáveis com o único propósito de deleitar a fantasia. Tais temas são considerados por eles triviais e artificiais, e totalmente indignos de uma arte cujo propósito eles julgam ser a análise e reprodução da Natureza em todos os seus humores e aspectos.
Mas, nessa crença, este escritor não pode deixar de sustentar que nossos contemporâneos estão julgando mal a verdadeira província e as funções da poesia. Não foi nenhum classicista engomado, mas o extremamente anticonvencional Edgar Allan Poe, que denunciou categoricamente os metafísicos melancólicos e sustentou que a verdadeira poesia tem como primeiro objetivo “o prazer, não a verdade”, e “o prazer indefinido em vez do prazer definido”. O Sr. Poe, em outro ensaio, definiu a poesia como “a criação rítmica da beleza”, dando a entender que sua preocupação com os aspectos sombrios ou feios da vida é realmente mínima. Que o bardo e crítico americano estava fundamentalmente correto em suas deduções parece bem provado por um levantamento comparativo daqueles poemas de todas as eras que perduraram, e daqueles que caíram na obscuridade merecida.
O pastoral inglês, baseado nos melhores modelos da antiguidade, retrata cenas cativantes de simplicidade árcade, que não apenas transportam a imaginação através de sua beleza intrínseca, mas lembram à mente erudita as mais primorosas lembranças da Grécia e de Roma clássicas. Embora a combinação de ocupações rurais com sentimentos e dicção refinados seja claramente artificial, a beleza não é nem um pouco menor; tampouco os nomes, frases e imagens convencionais diminuem em nada a pitoresca agradabilidade do conjunto. A magia deste tipo de verso é, para qualquer mente sem preconceitos, irresistível, e capaz de evocar uma sequência de imagens mais deliciosamente plácida e refrescante na imaginação do que aquela que se pode obter de qualquer espécie de composição mais realista. Toda fantasia não corrompida gera visões ideais das quais a forma pastoral constitui um reflexo legítimo e artisticamente necessário.
Não é impossível que a reviravolta intelectual decorrente do presente conflito acarrete uma simplificação e retificação gerais do gosto, bem como uma apreciação do valor da pura beleza imaginária em um mundo tão cheio de miséria real, o que pode se combinar para restaurar o desprezado pastoral ao seu devido posto.