O livro é sobre uma fazenda cujos animais resolvem fazer uma revolução comunista. Eles se apropriam dos meios de produção dos seus donos para se libertar da escravidão, mas no final acabam sendo escravizados pelos próprios idealizadores do movimento. Inclusive, o livro não é sobre a revolução em si, pois a revolução já acontece logo de cara, no segundo capítulo. É que o nome do livro em português ficou *A Revolução dos Bichos*, mas o original é *Animal Farm* (*A Fazenda dos Animais*). Em português, a fazenda se chamava Granja do Solar, enquanto no original em inglês era Manor Farm, um nome bem genérico.
O ponto principal do livro é que ele constitui uma alegoria da União Soviética e do estalinismo, apresentando quatro regimes políticos diferentes. O primeiro é uma aristocracia clara, com os humanos em cima, superiores, e os animais embaixo, inferiores e serventes.
O segundo regime começa na metade do segundo capítulo e dura até o final do quinto. Trata-se de uma democracia direta que lembra muito a democracia grega antiga, especificamente a ateniense. Embora a democracia ateniense contasse com monarcas e nobres, ela também permitia reunir o povo para votar em questões cotidianas, como aumentar ou baixar impostos, prevalecendo sempre a vontade da maioria.
Do final do quinto capítulo até o nono, desenvolve-se o terceiro regime, análogo ao da União Soviética, conforme se pode observar em leituras de Soljenítsin. No entanto, já no décimo capítulo, o sistema transiciona para o quarto e último regime do livro, consolidando-se em suas linhas finais. Esse quarto regime configura um corporativismo aristocrático, assemelhando-se a um capitalismo de Estado sobreposto a um regime aristocrático. Os porcos não são apenas mais ricos que todos os outros; eles são os únicos que possuem dinheiro. Imagina-se, assim, servos, plebeus e camponeses feudais sustentando um mundo superior baseado no corporativismo, misturando os infernos do feudalismo e do corporativismo.
Embora o quarto regime seja o que mais dura em termos de tempo ficcional — abrangendo quase dois anos inteiros —, ele é resumido em apenas um capítulo de dez páginas, diferente dos outros regimes que ocupam de trinta a quarenta páginas repletas de pormenores, grandes batalhas como a do estábulo e a do moinho, e cenas de explosões. O último regime foca na rotina e no cotidiano ao longo do tempo.
Nesse período final, a fazenda volta a se chamar Granja do Solar. O crânio do porco Major já havia sido enterrado há muito tempo, e a bandeira original, que trazia um chifre e uma ferradura, foi substituída por uma bandeira verde lisa. A maior parte dos animais remanescentes encontra-se tão fraca e esquelética que mal consegue procriar. Contudo, os porcos solucionam isso comprando animais de fazendas vizinhas. Os recém-chegados são educados pelos antigos moradores e aceitam tudo, acreditando que são livres e que ali os animais trabalham para animais. Assim, o sistema se perpetua, sugerindo a existência de uma rede de fazendas interconectadas, algumas especializadas na produção de animais e outras na exploração do trabalho deles para a economia.