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“A Estranha Casa Alta na Névoa” ‐ Toc! Toc! É o capeta? Pode entrar!

“A Estranha Casa Alta na Névoa” ‐ Toc! Toc! É o capeta? Pode entrar!

E aí, pessoal do universo Antares, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todas as histórias que o H. P. Lovecraft escreveu. E no vídeo de hoje nós vamos dar continuidade à nossa playlist e eu vou analisar um conto muito interessante com o título de "A Estranha Casa Alta na Névoa". Esse conto ele foi escrito em 1926, em novembro de 1926, e publicado em outubro de 1931 na revista *Weird Tales*. Este conto é muito maneiro, mas por quais motivos? Bom, deixa eu só pegar aqui e colocar os nomes dos personagens, porque são alguns personagens que aparecem. Eu li nessa edição aqui, tá, da D. Classics.

O que torna este conto tão interessante é que aqui novamente a gente vai trazer, né, a gente vai, quer dizer, presenciar uma história que se passa em Kingsport, que é uma cidade fictícia — as três cidades fictícias que têm uma geografia compartilhada do autor, então é Arkham, que é a mais famosa, né, depois vem Innsmouth e depois vem Kingsport, então são essas três cidades aí que a gente acompanha. Aqui a gente está acompanhando a cidade costeira de Kingsport. Um filósofo chega na cidade, o nome dele é Thomas Olney, e ele tem algumas predileções ao cosmicismo, né, e mais especificamente a perguntas que vão levar ao cosmicismo, que é as perguntas sobre a existência da alma e de outros seres, sobre a realidade, até onde o conhecimento humano é capaz de nos levar, etc., etc.

E o que eu acho interessante aqui é que o povo da cidade, ele é tido como muito simples, mas todas as superstições que são levadas a ele, ele encara elas de maneira um tanto quanto proveitosa, porque ele não questiona muito a integridade das pessoas, como posso dizer, a integridade da testemunha, por assim dizer. Ele é muito, ele acredita, ele acredita muito facilmente nas coisas, sabe, mas ainda assim ele precisa saber se é verdade ou não os boatos que dizem respeito a uma casa que fica num precipício, uma espécie de, não sei explicar, uma montanha que é de muito difícil acesso, quer dizer, de acesso muito difícil, e o caminho por ela parece que ele é feito de tal modo, né, é de tal modo e apresentado que parece que é quase como se, ainda que natural, houvesse alguma força que não quisesse que as pessoas alcançassem essa casa que fica lá no alto desse precipício.

E aí, em diversas ocasiões, uma névoa paira sobre lá, né, sobre aquela casa, e os moradores que vivem mais próximo do precipício, eles relatam que eles ouvem coisas vindo, enfim, de outros planetas. E o que eu acho interessante aqui é que, não sei se vocês lembram do vídeo que a gente já fez aqui do canal sobre o "Terrível Homem Velho", porque ele tá de volta aqui! O Thomas Olney vai conversar com ele e eles ficam conversando com maior tempão e eles ficam tipo assim, amigos mesmo. Então, antes, no conto anterior, né, que a gente analisou, uns ladrões tentam roubar o Homem Velho, o Homem Velho dá pau neles, o cara simplesmente acaba com todo mundo, mas parece que esse Thomas Olney e esse Terrível Homem Velho, eles têm uma relação de amizade.

E aí esse Terrível Homem Velho fala sobre o tataravô dele, e na verdade o bisavô dele, que quando ele era jovem ele já sabia da existência de uma pessoa que vivia lá, um indiano, alguma coisa assim, que vivia lá na alta casa da montanha, né, na névoa. E ele fala sobre essas coisas. O Thomas, então, decide… está decidido, depois de conversar com ele… Ele tem uma família, né, então ele decide fazer uma expedição, mas só nesse caso, né, uma expedição solo até essa casa na névoa. E é muito interessante porque o que que acontece à medida que a história avança? Ele de fato passa dias tentando escalar essa casa na névoa. Quando ele chega lá, ele acha que ela está completamente abandonada, então ele fica tipo assim: "Caraca, como é que eu vou entrar aqui, né?" E ele começa a, enfim, tentar não arrombar, mas sabe, abrir à força a porta, as janelas, até que ele ouve uma batida.

E aí ele percebe que alguém está abrindo as portas e as janelas. Ele fica colado assim no lado de fora, sabe, na parede para evitar que ele seja visto, mas não tem o que fazer, ele tem que confrontar o hóspede dele, né? Quando o hóspede dele fala: "Quem está aí?", aí ele precisa, né, não tem jeito, ele tem que enfrentar o cara. E é muito interessante que assim que ele se encontra, primeiro, o hóspede dele não é um ser maligno, mas ele percebe que o hóspede dele tem tanto indumentária quanto articulação vocal muito antiquada, parece que é quase como se ele viajasse no tempo, quase como se resistisse ao tempo.

E aí ele adentra a casa e o senhor, né, o hóspede, fala sobre as coisas que ele descobriu ao longo do tempo, que não é nomeada, mas ele fala sobre os outros deuses também, que a névoa permitiu com que ele alcançasse. Não sei se vocês lembram, né, no conto anterior que eu analisei, com o título de "Os Outros Deuses" — se vocês não viram, vejam aqui no canal —, mas um homem, né, ele tenta alcançar os deuses, porque os deuses supostamente saíram da terra e eles só voltam nessas nesses precipícios, nessas montanhas altas em épocas chuvosas ou em épocas que a névoa é forte o suficiente para esconder esses deuses. Ele diz, esse homem diz, que ele encontrou esses deuses.

Ele fala também sobre as ocasiões em que pessoas tentaram encontrar, então são diversos paralelos. Por isso que é muito interessante você ler as histórias, tudo o que o autor tem a oferecer, porque você vai conectando essas histórias, é quase como se elas tivessem contando uma grande história. É muito interessante. Mas tudo é interrompido porque a névoa vem, e junto com ela barulhos estranhos, e o hóspede fecha todas as portas, e ele percebe que tem alguém batendo à porta: "Toc, toc, toc, toque". E aí você fica tipo assim: "Mano, quem que é?" E aí o hóspede vai na ponta do pé, tranca tudo, ele percebe… fica no… o Thomas, ele fica nitidamente… ele percebe o nítido terror nos olhos do hóspede dele, porque uma figura negra vai rodeando a casa para tentar encontrar uma entrada, e ele fica em silêncio. E a gente pensa assim: "Caraca, o que que é, né, que tá tentando entrar na casa?"

E aí, depois disso, eh, ele sai de lá, o Thomas, e ele está completamente mudado, inclusive ele relata os seus acontecimentos, as suas narrativas para o Terrível Homem Velho. O Terrível Homem Velho tem ideias muito interessantes a partir disso e ele decide se mudar para outra cidade, e o conto termina dessa maneira.

E eu acho ele muito maneiro, muito maneiro mesmo, porque ele começa a conectar todas as narrativas do Lovecraft até então, e eu acho legal que isso que é o bom de escrever contos, né, não… Você pode criar um universo compartilhado dentro dos contos de maneira que eles funcionam de modo independente, mas agrada quem está acompanhando todas as narrativas. Então é por isso que essa playlist é muito especial, porque às vezes muitos YouTubers por aí, eles vão fazer… e os booktubers, né, especialmente, eles vão fazer somente das melhores histórias, digamos assim — não tem problema nenhum, mas o legal de apurar todas as histórias é que você tem insights, né, é sobre o mundo, sobre o autor, sobre os personagens que estão envolvidos, que estão envolvidos naquela aventura, tem insights que de outro modo você não poderia ter, ou ficaria meio avoado, ficaria sem entender, sabe? E eu acho isso muito interessante.

Mas, de qualquer forma, vou ficando por aqui e eu vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!