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Não subestime os contos em sua escrita!

Não subestime os contos em sua escrita!

Bom, no vídeo de hoje eu queria discutir uma coisa que eu tinha pensado, né? Estava pensando bastante sobre, que é qual é o estilo, qual é o formato ideal para quem escreve, né? Para você que está querendo escrever. E eu comecei na escrita com romances. Na verdade, eu comecei na escrita com RPG, e o RPG, enquanto ferramenta de escrita – eu já até fiz um vídeo aqui no canal sobre ele –, o RPG como ferramenta de escrita é muito, é muito bom, mas não é a mesma coisa, nós sabemos disso.

E então, quando eu comecei a escrever, eu comecei direto nos romances, o que não é necessariamente uma coisa ruim, porque eu estava bastante empolgado, porém me deu um trabalho, me deu muito, muito trabalho administrar diversos personagens numa mesma narrativa, uma narrativa longa de mais de 100.000 palavras. Então, assim, são centenas de páginas de conteúdo, de material que você precisa constantemente revisar e editar, e se certificar de que o que você está apresentando, o que você está escrevendo, se transforme numa narrativa coesa, né?

Então, assim, eu decidi iniciar diversos romances; alguns eu já terminei, outros não, mas, eventualmente, eu acabei descobrindo os contos. E eu acho que os contos eles são muito subestimados, porque eles servem não somente para você, enquanto escritor, testar ideias, mas eles também servem para você que é escritor, né? O que eles servem mais, eu diria, é no fato de que você vai treinar muito a sua habilidade de trabalhar diferentes estilos.

Claro que você pode focar em somente um estilo, em somente um gênero, ou até mesmo um subgênero. Se você pensar nas clássicas narrativas das revistas pop norte-americanas, por exemplo, diversos escritores, como Robert Howard, H. P. Lovecraft, Clark Ashton Smith, eles focavam em gêneros específicos e iam aperfeiçoando essas narrativas ao longo do tempo. Mas, hoje em dia, o conto ele é muito mais livre nesse sentido, então você pode — não só pode, como eu acredito que você deve, em algum momento — focar nos contos.

Porque os contos, eles permitem você ter essa sensação de que você está tendo um progresso na sua escrita, porque eles são, muitas das vezes, curtos. Então você tem a sensação de que você está conseguindo completar alguma coisa. Eles podem ter conexão entre si, então você pode fazer um conto que ele é serializado, por exemplo. Eu fiz isso no *Lovecraft Rio*: apesar das histórias não serem conectadas, elas têm um senso de conectividade, de interconectividade, que contribui para esse sentimento de que você está acompanhando uma narrativa mais longa. E eu também estou fazendo isso na série *Eita [ __ ]*, que é uma série de contos de humor barra terror e que exploram o André, que é um personagem que cada conto começa com, digamos assim, cada conto tem o título de um palavrão e também de uma temática que vai ser trabalhada naquele conto.

Então tem muito disso de, apesar de cada história ser uma coisa diferente que ele enfrenta, todas elas vão se conectando, digamos assim, numa narrativa serializada. Então, por que para você, enquanto escritor, isso é importante, né? Por que que para você, enquanto escritor, é melhor focar, principalmente se você está começando, nessas histórias mais curtas?

Porque as histórias curtas elas exigem uma coisa que é muito, que as pessoas, a maior parte dos escritores, parecem ignorar, que é o sucinto, né? O que que eu quero dizer com isso? E eu não, eu gosto, eu sou muito prolixo, eu gosto de descrições prolongadas, eu gosto de escrever bastante, porém existe uma relação direta disso com a exigência no que diz respeito à qualidade da sua obra.

O que que eu quero dizer? Se você tem uma obra gigantesca, uma obra boa, ou seja, uma obra gigantesca em termos de palavras – eu posso dizer aqui, sei lá, umas 300, 400 mil palavras –, é uma obra muito grande. Ser uma obra boa não passa de uma obrigação, certo? Quando você tem um livro muito grande e o livro é bom, não passa de uma obrigação. Você dedicou várias e várias e várias e várias e várias palavras e vários capítulos e vários arcos para aquela narrativa. Então, se você tem uma história boa, a sensação de satisfação ela é menor, porque você tem que ter uma história boa com tudo isso de palavras; é o mínimo, digamos assim.

Agora, se você tem uma história curta que é muito boa, esse tipo de narrativa já é mais difícil. Então, muitas das vezes, inclusive, vários escritores dão essa desculpa de que "ah, a história não é tão boa porque eu não podia fazer mais", quando na verdade você fazer uma história boa e uma história curta é possível sim. Eu diria que, como eu posso dizer, agrega mais valor à sua escrita. Se você tem contos que apetecem, que são aprazíveis para o seu público, isso é um forte indicativo de que a sua escrita é muito boa.

E aí sim, se você escrever uma obra grande, né, uma obra grande em termos de quantidade de palavras, e ela for boa, o seu público vai ter um reconhecimento maior da qualidade do seu texto, porque ele sabe que você está fazendo essa história boa não pela quantidade de palavras que ela tem, mas pelo fato de que ela é realmente boa, sabe? Você não, não foi uma labuta no sentido de que você teve que incrementar ao longo do tempo até que a obra ficasse num mínimo de qualidade, sabe, consequentemente ficasse maior, mas você fez essa obra porque ela é genuinamente boa.

Então, assim, os contos eles são excelentes para você mostrar os seus diferentes estilos, para você ter essa satisfação própria, né? Eu diria, essa satisfação de tipo assim: "estou completando alguma coisa". Eu faço isso direto: enquanto eu estou escrevendo os romances, vira e mexe eu escrevo algum conto, enfim, para poder me conectar comigo mesmo, eu diria, para poder me divertir. Eu acho que isso é essencial para quem está escrevendo: divertir-se acima de tudo.

Claro que, por exemplo, tem vários escritores que eles não vão ter essa mesma linha de raciocínio. Muitos deles preferem os romances e vão ficar só nos romances; muitos deles preferem os contos e vão ficar só nos contos; muitos preferem crônicas e vão ficar só nas crônicas; muitos poetas, por exemplo, nem vão experimentar a ficção. E assim, a minha dica para quem quer escrever é: escreva de tudo. Se você sabe escrever bem, você sabe escrever bem qualquer coisa.

Claro que vai chegar num ponto que o nível em um determinado estilo, em um determinado formato, vai ser mais notório, digamos assim, em termos de qualidade, mas ainda assim o escritor bom ele se propõe a escrever de tudo, e é isso que eu tento fazer na minha escrita.

Mas enfim, esse é o vídeo, espero que vocês tenham gostado. Comentem aí qual que é o estilo, qual que é o formato de escrita que vocês mais gostam. Vejo vocês no próximo vídeo e até mais!