E aí, pessoal do Universo Antares! Bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos, todas as histórias que o H. P. Lovecraft escreveu. E no vídeo de hoje, vamos dar continuidade à nossa série, à nossa narrativa com um conto muitíssimo interessante, com o título de "O Modelo de Pickman". Este conto foi lido por minha pessoa. Tem uma edição aqui que eu tenho da editora Pandorga que tem esse conto, tá? E vocês podem achá-lo traduzido, mas eu li no original, nessa edição aqui da Delphi Classics, que tem todo o trabalho do Lovecraft e no inglês original. Então, esse conto tem tradução, sim, e ele foi escrito em 1926, publicado pela primeira vez em outubro de 1927 na revista Weird Tales. E qual que é a história do conto? Vamos lá.
Bom, o conto é sobre… Na verdade, ele é escrito de uma maneira muito interessante, porque ele é quase como se fosse em segunda pessoa, e ele não é epistolar. Então, a gente está acompanhando o tal de Thurber, ele está conversando com o Elliot. Nesse caso, o Elliot é a gente — imagina que o Elliot sou eu aqui —, e aí o Thurber ele está falando com a gente, que é o Elliot, numa cafeteria, enfim, sobre o modelo de Pickman. Todos esses personagens fazem parte de um clube de artes, e aí o Thurber é amigo desse Pickman, que é um artista, ele é um pintor, né? Ele faz pinturas. E ele está falando sobre como ele teve o medo do… ele passou a ter medo de becos escuros, de metrô, enfim, de qualquer lugar subterrâneo. E aí ele fala sobre esse amigo que ele tinha, né, que era o tal de Pickman, que todo mundo ia contra ele, inclusive um dos membros lá do Círculo de Artes do qual ele fazia parte, que era o Reid. Ele falava que o cara não era humano, mas enfim.
Ele fazia algumas pinturas grotescas e as pessoas não gostavam, mas o Thurber tinha um fascínio enorme, porque ele era um pintor muito bom. Ele conseguia captar aquela essência do Gustave Doré, sabe? Tipo, de pegar o macabro, pegar o próprio inferno e transformar numa pintura, sabe? E aí o Pickman é esse artista, né? Justamente "O Modelo de Pickman" tem o título por conta desse artista, que é o Pickman, e a, sei lá, tataravó dele era uma bruxa e tudo mais, então existe essa conexão com o ocultismo. Eles moram em Boston, né? Todo mundo fica ali em Boston. E aí, certa feita, o personagem do Thurber vai conversar com o Pickman, ele se demonstra, né… demonstra-se muito interessado nas discussões que ele tem com o artista, e o artista começa a criar um afeiçoamento, assim, ele vai se afeiçoando à figura do Thurber também. Ele começa a revelar o porquê dele fazer o que ele faz, né? Que ele gostaria de capturar… Ele achava que existiam artistas que poderiam capturar… que nasceram para capturar o divino, nasceram para capturar as coisas boas, as coisas belas, e ele achava que também existiam os artistas que nasciam para capturar o macabro, né? Para captar de maneira muito entre aspas bela, né, mas o precisa, aquilo que é mal, aquilo que é sombrio. E ele fazia isso de uma forma muitíssimo competente, de maneira que o Thurber fica falando, né, com ele: "Olha, você admira muito seu trabalho e tudo mais". E o Pickman fala: "Ó, tem muito material que eu tenho, que eu produzi, que ele não está disponível aqui porque, enfim, as pessoas não gostam. Elas já não gostam dessas pinturas que eu produzo, o que elas achariam de outras que eu produzo? Se você quiser saber como eu capturo a essência do erro… como eu capto a essência do erro — do horror, na verdade —, você apenas precisa ir para as favelas. Você tem que acompanhar o lugar mais sujo possível, porque é lá que você vai ver o verdadeiro horror". E é com o fascínio que eu tenho… Ele fala, né, de uma favela de Boston em que as pessoas… em que ela simplesmente cresceu, e aí ele fala inclusive sobre complexos subterrâneos, inclusive que na casa em que ele alugou, né, na casa que ele tem, que ele paga uma mixaria, tem um desses complexos subterrâneos. E aí ele fala que as pessoas antigamente usavam esses complexos subterrâneos para ir uma à casa da outra, para fugir, enfim. E aí eu, muito interessado, falo: "Nossa, eu gostaria de visitar um dia". Aí o Pickman fala: "É, podemos ir agora mesmo". E aí eles vão, eles têm que sair, né? Eles vão de táxi, mas eles têm que sair um pouco antes do táxi para não levantar nenhuma suspeita, vão até a residência desse Pickman e lá já começam as paradas doidas.
Bom, aqui é muito legal como o Lovecraft faz referência a alguns amigos dele, inclusive uns amigos… o próprio Clark Ashton Smith, que é um outro escritor muito maneiro que a gente vai falar sobre lá no futuro no canal, mas a gente vai falar… Ele é muito maneiro. Aí vai falar sobre outros pintores, né? Sobre o próprio Gustave Doré, sobre alguns outros pintores que, enfim, tinham como objeto de sua obra o macabro, o sombrio. E aí ele vai sendo… O Pickman vai apresentando diversos quadros em que criaturas que se assemelham a cães, elas estão assolando a cidade de Boston. Elas estão em becos, elas estão no subterrâneo, no metrô, elas estão invadindo a casa de um homem, cheirando, sabe, no cangote, assim, preparada para dar o bote. E aí o personagem principal, ele fica assim abismado. Inclusive, em numa dessas ocasiões, ele inclusive dá um grito. Depois, o Pickman convida ele para ir para o estúdio onde ele está trabalhando num estudo de novas pinturas. É quando ele vê uma imagem… Vocês sabem aquela pintura que eu acho que é "Saturno devorando seu filho"? Imagina uma paródia de "Saturno devorando o próprio filho", só que em vez de ser o Saturno, né, representado, é alguma outra criatura lovecraftiana. O personagem vê essa criatura e ele dá um grito, inclusive. Ele percebe num dos cantos da parede que tem tipo um buraco em que uma espécie de… como posso dizer? Uma espécie de cobertura de madeira está disposta na parede. E aí o personagem já fica: "Nossa, será que esse é um dos buracos que dá para o subterrâneo, algum dos buracos que ele representou e de onde essas criaturas saem?".
Mas enfim, ele continua, ele fica fascinado por essa… uma mistura de horror com fascínio sobre essa criatura, sobre essa pintura, porque ele acha o Pickman… O Pickman é um exímio pintor. E aí o Pickman fala, né, que é sobre o processo de desenho dele, né, de de esboço. E aí o personagem, né, o Thurber, ele fala: "Olha só, eu fui lá, né?". Ele está contando para o Elliot e fala: "Se prepara, porque nada disso foi o motivo de eu ter ficado apavorado e de nunca mais ter falado com o Pickman. Na verdade, o que foi que me aterrorizou foi que eu peguei um papel que estava ali embrulhado do lado da pintura". E aí o personagem, né, do Pickman fala: "Olha, tem essa… eu tenho essa câmera fotográfica aqui que eu tiro fotos de algumas localidades, é só para não ter que ficar carregando meu cavalete por aí, ficar com a pintura lá, sabe? Tipo o quadro, enfim, para eu poder fazer um esboço no conforto do meu lar. Eu acho que os dois são suficientemente bons, e tanto o local quanto a foto para mim são suficientemente bons, então eu consigo tirar esses modelos". E aí ele fala: "Não, tranquilo, beleza". E de repente eles são interrompidos por um barulho, o roçar de quase como se fossem garras na madeira, o baque de madeira caindo. E aí o personagem do Pickman tira o revólver, mano, ele vai para outra sala e "pem, pem, pem, pem", descarrega o pente, o tambor da arma! Aí você fica: "Cara, o que que aconteceu?". E aí ele volta e fala: "Não, foram só os… foram só os ratos. Essas criaturas estão enchendo aqui o local todo". E aí você fica tipo assim: "Caramba, será que foram ratos mesmo, parceiro?".
Beleza, aí eles saem da casa. O Pickman, né, ele fala sobre… enfim, continua falando sobre a sua arte e tudo mais. Eles voltam para a rua principal. O personagem principal, o Thurber, pega um táxi e vai embora, e ele nunca mais volta. Porque ele fala que quando ele viu a fotografia do… enfim, da cena que supostamente ele usou como referência, na verdade a criatura que estava sendo ilustrada, ela estava na foto! Ou seja, a gente descobre que o personagem, né, do Pickman, na verdade, ele é um pintor realista e ele estava ilustrando uma cena que estava acontecendo no momento, sabe? Então, tipo, imagina: ele estava vendo uma criatura enorme comendo um humano, assim, devorando, e ele tirou essa foto, sabe? E aí é lógico que o personagem principal, que é o Thurber, né, ele joga a fotografia no fogo, ele fala: "O Reid estava certo, né, que aquele personagem que falava que o Pickman não era uma pessoa humana, ele tinha descoberto as portas para os outros mundos, uma forma de atravessar para esses outros mundos". Ele fica tipo assim depois, e o personagem, né, ele fica tipo assim: "Ah, eu nunca mais falei com o Pickman depois daquilo". Então, é isso, é um conto muito bom, cara. Ele é muito bem escrito, mas eu acho que o mais interessante dele é justamente essa pegada, né, de tipo assim, o horror através da pintura. Cada pintura conta uma história, né? Mas é isso, eu vou ficando por aqui, espero que vocês tenham gostado, e eu vejo vocês no próximo vídeo. Max