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Time and Space (Ensaio #17)

Time and Space

Das várias concepções trazidas à mente humana pelo avanço da Ciência, o que pode ser comparado em estranheza e magnitude com o da eternidade e da infinidade, tal como apresentadas pela astronomia moderna? Nada perturba mais profundamente nosso egoísmo arraigado e nossa autoimportância do que a constatação da total insignificância do homem, que surge com o conhecimento de sua posição no tempo e no espaço.

A vida, ou pelo menos a vida sobre a terra e os outros planetas do sistema solar, estende-se por uma distância diminuta, relativamente falando, no passado; pois a hipótese nebular de Laplace pode rastrear a ancestralidade do sol e dos planetas até uma massa gasosa e incandescente que sob nenhuma circunstância poderia sustentar o princípio vital. E essa condição, separada de nós por incontáveis anos, é obviamente apenas uma questão de ontem, conforme se calcula a eternidade. Nem a perspectiva futura é de alcance muito maior. Em alguns bilhões de anos, um mero segundo na eternidade, o sol e os planetas hão de perder o calor herdado da nebulosa ancestral, rolando negros, congelados e desabitados pelo espaço. Portanto, a própria existência da vida e do pensamento não passa de uma questão de um momento no tempo ilimitado; o mero incidente na história do universo. Há uma hora não existíamos; daqui a outra hora teremos deixado de ser.

Voltando-nos para a consideração do espaço infinito, não ficamos menos paralisados por “pensamentos além do alcance de nossas almas”. Em nosso próprio sistema solar, descobrimos que a terra, aparentemente sem limites, é um planeta comparativamente pequeno, e no universo imediato achamos que todo o sistema solar não passa de uma molécula inconsequente. O que pensar, então, quando soubermos que todo esse universo é apenas um de um número infinito de aglomerados estelares semelhantes, cujos mais próximos são os únicos visíveis a partir de nossa fração do espaço? E além de tudo isso, devemos sempre lembrar que o espaço não tem fronteiras; que os alcances ilimitados do vazio estendem-se infinitamente além de nossa visão ou compreensão, talvez além da região aparentemente infinita do éter luminífero e além do controle das leis do movimento e da gravitação. Que mente pode se arriscar a retratar aqueles reinos remotos onde a forma, as dimensões, a matéria e a energia podem estar todas sujeitas a modificações com que jamais sonhamos e a manifestações grotescas? Tudo o que sabemos, vemos, sonhamos ou imaginamos é menos do que um grão de poeira na infinidade. É virtualmente nada, ou no máximo nada mais do que um ponto matemático.

Contudo, embora todas essas considerações possam muito bem servir para diminuir a presunção do filósofo mezquinho, não devem ser autorizadas a desanimar a humanidade em sua devoção aos ideais que sempre perseguiu. A vida e a humanidade têm seu lugar no plano natural, por mais infinitesimal que esse lugar possa ser; e as leis da Natureza são demasiado óbvias e bem definidas para justificar um sentimento de futilidade e inquietude. A realidade essencial e a racionalidade de nossas aspirações e do nosso código moral devem, não obstante todas as revelações da Ciência, ser evidentes até para o mais empedernido materialista.