Menu fechado

To the Nurses of the Red Cross (Poesia #106)

To the Nurses of the Red Cross

Onde o esplendor marcial em lúgubre treva afunda,
E o orgulho da conquista em pavor de ruína inunda;
Onde fileiras ordens jazem em mútua mutilação,
Até que o fedor e a dor ultrajem o céu em vão;
Onde bestiais figuras jazem, que outrora homens foram,
E a verminagem acaba o que as bombas começaram;
É aí que brilhas, legião que os céus descendo adoça,
Para aplacar a angústia e purgar a dor que escorça.

Oh, dera eu ter uma lira que em canto soubesse entoar
Um tributo digno de vosso santo e puro altar!
Oh, dera uma pluma cuja ática perícia traçasse
As glórias imortais de vossa branda raça!
Mas que simples mortal com justiça poderia registrar
Vosso labor cristão, e o prêmio escasso a vos cobrar?

O guerreiro, esculpido em barro mais resistente,
Em canção e gracejo aguarda o dia fatal e ciente;
Inflamado de entusiasmo, ao destino entregue e vão,
Sem medos que o distraiam, sem pavor na amplidão.
Sua trincheira lamacenta suporta com estoica calma,
Nem conta peste ou morte entre os cuidados da alma;
Suas fileiras marcham, irrecusáveis como engrenagens,
Avançam e se habituam a tais visagens.

Tais são nossos heróis, honrados, amados, cantados
Onde quer que os pavilhões da Liberdade sejam mostrados:
Se deles é o valor, destemido e verdadeiro,
Que diremos de vós, intrépidas no apuro e outeiro?
Vós, cujas vidas frágeis terna graça abençoou;
Cujos sonhos delicados o mal jamais pisou;
Cuja mocidade escudada ignorou a cruel contenda;
Sobre cujos mares calmos jamais soprou tormenta.

Que coragem vos espicaça, que com tão doce gana
Trocais vosso conforto pela Europa insana?
Vosso é o encargo de apaziguar os campos de massacre,
E espalhar piedade onde a fúria tem seu draque;
Aliviar a sede ardente do herói agonizante,
E arrancar o ferido da boca do canhão fumegante;
Trabalhar onde as bombas voam em fúria profusa,
Onde estilhaços gemem e a névoa letal se recusa;
Suportar todo horror do estado marcial que aterra,
Sem temer encontrar o pior destino da guerra;
Tudo isto é vosso, e vosso só por livre eleição —
Pode voz mortal cantar digna louvação?

Ó ninfas de Hélicon! Nove imortais de escol,
Criai um canto em tom mais nobre que o meu arrebol!
Tais alturas de espírito hão de colher louvor
De cantores divinos e do Aônio ardor;
Nosso grupo humilde vê o celeste esplendor,
Mas cala-se estupefato ante tal fervor!

Restam-nos contemplar mudos as destemidas que vão
Desafiar a planície estilhaçada e o ar de putrefação;
Restam-nos parar, e com reverência admirar
A valente coorte, a quem nenhuma fúria inspira a andar:
De virgens tais, talvez nossos pais tenham traçado
A fisionomia da Bretanha, um dia amado;
Ou a altiva Colúmbia, que o Ocidente governa e atrai,
Ou a graciosa Liberdade, a quem milhões dão paz.

Isto todos podem jurar, que cada rosto destemido
Brilha com uma graça que o mortal há muito há partido;
Que cada coração arde com um propósito sagrado,
Que cada alma anseia o serviço abençoado:
Reinai, espíritos altivos, sobre as terras em labor
Onde saxões encaram o inimigo com novo ardor!