Sendo a Muito Apreciada Conclusão em Poesia em Prosa da Carta da Sra. Renshaw de 1º de Outubro, Versada em Dísticos Heroicos Regulares
As horas amenas do verão, tão cedo idosas,
Ainda habitam a mente, memórias preciosas;
Mas enquanto ponderamos feitos consumados,
A estação sangra sob os golpes dos outonos gelados.
Vede agora o campo farto e a vinha fecunda
Cederem seu cuidado ao homem que o mundo inunda,
Enquanto sobre o sopro minguante do sol ardente
Brumas azuis se estendem, mortalha iminente.
E os bosques em luto choram em aspecto alterado,
Esperando em esplendor o sono congelado:
Onde havia verdura, folhas de tom bravio
Sucede o ouro e o vermelho ante o frio vazio.
As flores agonizantes despertam piedoso pranto,
E o homem lamenta o ano em seu giro tanto.
A alma em luta, por loucura mística acorrentada,
Renova a colheita da volta anual esperada,
E acha na morte estival e no parto invernal
Um sinal de promessa ao solo terrenal.
O verão tardio e persistente do céu oriental
Veio com tesouros, sem nos tratar mal.
As rosas perfumadas, o bando plumado,
O riso amoroso do camponês alucinado,
Cada qual como bênção o verão ofereceu,
Que agora, livre de peso, busca seu ocidente seu.
Pétalas de rosa para poucos; espinhos para os demais:
Para alguns, o canto da ave; para a maioria, ninhos vazios e tais.
Alguns saudam o fim com alívio e contento,
Outros se agarram ao pranto sem nenhum alento.
Alguns com alegria despacham a estação;
Outros com dor a erva murcha examinam no chão.
Onde flores em arco enfeitavam a vereda,
Eis a palidez do que o tempo herda:
O verão expirante, com seus raios amenos,
Dá o último sopro no fogo outonal, ao menos.
Quão rico sudário tece o outono pensativo,
Com a uva-do-monte roxa, o bordo altivo,
O corno-sangue rubro e o sassafrás,
As goma-e-vara-de-ouro enfeitam a missa traz.
Crisântemos apinhados na porta aberta estarão,
Vejam a estação que logo sumirá na amplidão;
Enquanto a clematite silvestre, em estado sagrado,
Apertará a garganta; rosário do fado.
Como velas santas, que a arder vagarosas vêm,
Os juncos altos vigiam a morte além,
E a lavanda olorosa, como incenso raro,
Doará sua doçura ao ar suspenso e claro.
A terra ganha o repouso que a brisa gélida traz,
E, em sono cravada, aguarda o sol que renasce a paz.