Editor, Argosy:
Visto que escribas chamativos com mais facilidade
Conseguem agradar os sentimentos que a entender a verdade,
Nossos contos modernos perdem toda a graça vigorosa,
E o senso é sufocado numa abraço mole e rosa.
Os autores ambiciosos bancam o letrado,
E, sem a substância, imitam ares de arte ao lado.
Contudo, de cabeça e ombros sobre a corja de Grub-street,
Ergue-se o provado Terhune, que às velhas tradições compete;
Que agora sua perícia inesgotável desfruta
Como Milton nos dias da Restauração, na luta.
Salve! Tu cujas obras são eruditas e claras,
Com poder de ensinar e entreter, feitiçarias raras.
No mais verdadeiro gosto estão teus temas fixados;
O grave e o alegre, em justa proporção misturados.
Sob o encanto de tuas palavras harmoniosas,
As eras vivem, e a própria Clio aplaude orgulhosa.
Confinado a tomos descritivos e sem cor apenas,
O passado glorioso, até que Terhune o encene,
Parecia um panorama fantasmagórico a vagar,
Distante da vida e oculto na história sem par.
O ousado Smith, que a costa da Virgínia buscou,
À carne viva bem pouco semelhança mostrou,
Enquanto nossa própria revolução parecia tão distante
Dos nossos tempos quanto a guerra de Troia, marcante.
O bravo Washington, posto que ampla sua fama,
Quase não parecia humano, senão um nome em lama,
E o ganancioso Bonaparte, pela cobiça desfeito,
Sentava-se como um ogre num trono espectral e afeito.
Contudo tu, Terhune, revives cada cena antiga;
Quem lê teus contos viaja pelos anos, sem fadiga.
O passado vivo se desdobra e aos olhos se exibe,
Livre do tédio e do disfarce pedante que o inibe.
Os canhões mortais de Bunker Hill podemos ouvir;
As neves cruéis de Valley Forge surgem a vir,
E eras distantes, banhadas em luz mais forte,
Cativam nosso olhar, com sua visão deorte.
Guiados pela arte hábil e frases cristalinas,
Pisamos solo histórico com posturas altinas,
Pois que homem vive cuja fantasia não resplandece
Onde a virtude habitou e a liberdade floresce?
O verdadeiro americano, com orgulho justo, vê
Como seus pais viveram, lutaram e morreram, com fé.
Nossos espíritos mais fracos captam a nobre raiva,
E sentem o valor de uma era mais brava.
Mas para quê continuar? Certamente, meu verso infeliz
É por demais fraco para narrar o que ele diz.
Conter o voo do tempo é a dádiva sem par
Que as páginas gráficas de Terhune vêm nos dar!