Menu fechado

Eventos importantes antes da ILÍADA [Homero] ••• Nayark

Eventos antes da Ilíada: mitos que antecedem Troia

Antes de mergulharmos na “Ilíada”, de Homero, é preciso entender alguns acontecimentos que antecedem a guerra de Troia. O vídeo “Eventos importantes antes da Ilíada” traz, de forma detalhada, a cadeia de mitos que culmina no conflito entre gregos e troianos, passando por casamentos divinos, profecias das Moiras e a disputa pela beleza entre as deusas.

A história começa com Tétis, a ninfa do mar, filha de Nereu e Dorida, reconhecida por sua extraordinária beleza. As Moiras – as três irmãs que controlam o fio da vida – previram que quem se casasse com Tétis seria superado por seu próprio filho. Essa profecia, muito sensível na mitologia grega, ecoa um padrão recorrente: um pai é destronado por seu descendente. O exemplo clássico é o de Urano e Gaia. Urano, temendo que seus filhos, os Titãs, o usurpassem, aprisionou-os no ventre de Gaia. Enfurecida, Gaia incitou Cronos a rebelar‑se; Cronos, ao derrotar o pai, recebeu de Urano uma maldição que dizia que ele também seria derrubado por seu filho. Assim, quando Cronos casou‑se com Réia, passou a devorar seus próprios filhos para impedir a profecia. Réia, porém, salvou o caçula, Zeus, substituindo‑o por uma pedra que Cronos engoliu. Zeus cresceu em segredo, libertou seus irmãos e, ao derrotar Cronos, pôs fim ao domínio do Tempo, tornando‑se imortal junto a eles. Essa narrativa reforça a ideia de que quem se casa com Tétis acabaria sendo superado por seu descendente.

Para contornar a profecia, os deuses organizaram o casamento de Tétis com Peleu, um mortal que aceitou unir‑se a ela. O convite foi estendido a quase todos os deuses, exceto a deusa da discórdia, Eris, que, ressentida, lançou a famosa maçã dourada com a inscrição “Para a mais bela”. As três deusas que a reivindicaram foram Atena, Afrodite e Hera. Zeus, para evitar conflito, delegou a escolha a um mortal, o mais belo dos homens: Paris, filho de Príamo e Hécuba, também conhecido como Alexandre.

Paris, ainda bebê, foi protegido de uma profecia que anunciava sua responsabilidade na ruína de Troia. Hécuba, temendo o destino, entregou‑o a pastores que o criaram nas colinas de Tróia. Quando adulto, Paris foi chamado ao julgamento das deusas. Cada uma tentou seduzi‑lo: Atena prometeu sabedoria, Hera ofereceu poder político e Afrodite garantiu o amor da mulher mais bela do mundo. Paris escolheu Afrodite, que lhe concedeu Helena, rainha de Esparta, esposa de Menelau. Assim, Paris raptou‑a (ou a trouxe consigo, segundo versões diferentes) e a conduziu a Troia, transformando‑a em Helena de Troia. Esse ato, além de violar a hospitalidade – um código sagrado que obrigava qualquer visitante a ser recebido e alimentado antes de ser questionado – gerou a ira dos gregos.

A hospitalidade (xenia) era tão importante que qualquer transgressão provocava consequências graves. Ao violar esse princípio ao levar Helena, Paris não só desonrou Menelau, mas também afrontou todo o conjunto de valores gregos, preparando o terreno para a guerra.

Com a disputa pela beleza resolvida, a narrativa avança para a ascensão de Agamenon, rei de Micenas e líder da coalizão grega. Ele, ao longo de anos, expandiu seu domínio, saqueando cidades e recrutando exércitos. Durante essas campanhas, capturou várias mulheres troianas, entre elas Criséis, filha de Crises, sacerdote de Apolo. Quando Crises implorou a Agamenon que devolvesse sua filha, o rei recusou. Indignado, Crises recorreu a Apolo, que lançou uma praga sobre o exército grego. Essa maldição, descrita no início da “Ilíada”, marca o ponto de partida da grande guerra que Homero eternizou.