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Verossimilhança e os Perigos da Concisão • Rayhan

Verossimilhança e os Perigos da Concisão | Rayhan

Nesta reflexão sobre técnicas de escrita, o autor analisa os limites da concisão na literatura e como a busca por textos curtos e diretos pode, muitas vezes, prejudicar a profundidade narrativa. A partir de discussões recentes sobre o tema, examina-se o equilíbrio entre otimizar o tempo do leitor e preservar os detalhes cotidianos que dão humanidade aos personagens.

Vou comentar um pouco sobre os comentários que o Panda fez a respeito do Max, pois ele abordou um tema que achei muito interessante: a verossimilhança. Eu já tinha comentado que gostei muito dos pontos levantados por ele, e você mencionou algo no seu vídeo que gerou este áudio. Não que eu discorde do que você falou no vídeo, pelo contrário, acho que é muito válido, mas eu tendo a enxergar — se eu tomar como parâmetro os escritores que li — que existe uma ideia que, apesar de válida, pode trazer um reducionismo.

Isso acontece quando o autor, justamente para manter o texto conciso, corta coisas que poderiam ser essenciais para a narrativa. Você havia comentado um exemplo: a ligação telefônica que geralmente começa com "alô, quem é? É o fulano, cicrano", e tudo mais. A gente corta isso na ficção porque consome quantidade de palavras e o tempo de quem está consumindo. Na era moderna e tecnológica em que vivemos, o tempo já é precioso, mas hoje em dia ele se tornou ainda mais valioso para nós, fazendo com que o leitor acabe ficando crítico em relação ao investimento de tempo necessário para consumir uma determinada obra.

No entanto, eu acho que essa característica pode ser muito perigosa. Se estamos falando de narrativa, não importa o quão grandiosa ela seja, essencialmente as histórias são sobre pessoas. Por exemplo, eu gosto muito de *As Crônicas de Gelo e Fogo* do George R. R. Martin. São narrativas épicas que têm dragões, criaturas de gelo e subtramas dentro de subtramas e estratagemas políticos, mas essencialmente nós vemos, pela perspectiva de cada um dos personagens, que a grande história narrada trata de problemas que são essencialmente simples no nosso cotidiano.

Muito da construção de personagens e de mundos acontece justamente nesses momentos simples: no ato de o personagem sair de casa ou tomar o café da manhã. Muitos escritores vão trazer essa coisa à tona de que você não precisa explicar como, por exemplo, o personagem prepara o café da manhã — em vez de resumir que ele tomou o café, contano apenas isso, você diz como ele preparou, que pegou ovos, bacon, suco e qual o suco. Eu entendo o argumento de que nem sempre você pode fazer isso, porque custa tempo e esforço, mas acho que essas atitudes simples são muito menosprezadas por diversos escritores. É justamente nelas que você pode surpreender o leitor e se conectar com a narrativa e com o que está acontecendo ali.

A verossimilhança parte do pressuposto de que um diálogo verossímil não precisa necessariamente ser realista no sentido de falar exatamente como falamos no mundo real. Mas eu acho que essas atitudes simples — seja do narrador, sem precisar ser necessariamente em discurso direto — podem aparecer em qualquer tipo de mídia, embora estejamos comentando mais sobre literatura aqui. O escritor tem que utilizar a verossimilhança acima de tudo como uma decisão. Um texto verossímil não exige que você se atenha a uma forma ou regra específica e fixa ao longo de todo o texto; para mim, a verossimilhança é muito mais uma decisão de produção. Ou seja, eu vou produzir este texto tendo em vista certos aspectos e, a partir disso, definir como será a verossimilhança — considerando, por exemplo, como as regras funcionam em um mundo mágico.

Também acho que a verossimilhança nessas nuances, como o diálogo entre os personagens e a forma como eles se comunicam, pode ser menosprezada por autores, o que empobrece o texto. Muitas pessoas podem argumentar que ninguém quer saber se o personagem deu um "alô" ou como preparou o café da manhã e quais ingredientes usou. Eu concordo que, dependendo da sua perspectiva, isso é perfeitamente inútil. Mas, ao mesmo tempo, quando tratamos de desenvolvimento de personagem e de conexão com a narrativa, são ferramentas que, por serem justamente muito simples, podem engajar o leitor de uma forma que você não conseguiria simplesmente narrando uma história de ação em que o engajamento ocorre porque a família do personagem está sendo ameaçada — estou levando ao ponto esdrúxulo justamente para comentar o contraste.

Portanto, no desenvolvimento dessas personagens e narrativas, a verossimilhança, até mesmo nos atos que poderíamos considerar inúteis, é muito importante. Mas, no geral, é isso.