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The State of Poetry (Poesia #46)

The State of Poetry

“Non bene junctarum discordia semina rerum.”

—Ovid.

 

Atendei, bardos modernos, que brilhais frouxamente
Como dignos rebentos da linhagem de Mac Flecknoe!
Ainda que mal brilheis nas alturas helicônias,
A um ainda mais desajeitado dais um tema:
Como o caule magro brota de um jardim estéril,
Assim brota a minha escória de vossas rimas beócias.
Em estado estabelecido no trono do Néscio,
Ouvi o infante Codro gemer com cólica.
Seu lamento sombrio não transmite vestígio de sentido,
Mas os críticos ocultam sua ignorância em louvores.
Ali perto do Rei, o pálido Raucus se põe,
Uma resma de baladas insípidas nas mãos.
Métrica esquecida, ele grita seu canto doentio
Em quadras em parte curtas demais e em parte longas demais.
Mas antes que pare, Agrestis enche o ar
Com sotaques delicados e ilusões raras.
Como poderíamos louvar versos tão suaves e doces,
Se não fossem mancos em seus pés poéticos!
Assim que o coração do leitor irrompe em chama,
O fogo é apagado ao rimar “ganho” com “estranho”,
E o êxtase se torna tarefa nada fácil
Quando campos de “erva” na luz de Sol “desvanece”!
Agora a nossa atenção aguda se volta para Durus,
Cuja página ríspida arde com paixão viril.
Oxalá suas expressões cabíveis não jazassem
Onde a sílaba e o tom hão de desandar;
Um sentimento menor havemos de sentir
Se o amor “re-al” for pronunciado como “anel”;
Enquanto de sua linha frouxa desejamos fugir,
Quando o solene “po-e-ma” se mascara como “tema”!
Depois Hodiernus com sua lira aparece,
E agrada aos ouvidos de Midas do crítico moderno.
Em suas estantes repousam clássicos esquecidos,
Enquanto ele lê Kipling e o proclama o melhor.
O verso bem torneado, a frase escolha e harmoniosa
São estranhos aos seus modos novos e corrompidos.
A forma é um erro, a elegância um crime,
Para ele que corteja os aplausos do momento.
O mais hábil é quem na rima consegue alcançar
A altiva grosseria da fala de um plebeu.
Nenhum nome damos àquele porco degenerado
Que macaqueia a linha vulgar do imundo Whitman.
O som gago, a atmosfera viciada,
A confusão em branco e a perspectiva sombria,
Tanto repelem a mente de classe decente,
Que o autor se perde em meio ao Caos que criou!
Notai agora Mundanus, que com mente sórdida
Se detém em nossas alegrias e males de espécie inferior.
Para ele não esperam encostas gramadas de Tempe,
Nem sua Musa relata a bem-aventurança árcade:
Estrefão e Cloé, toda a comitiva esplêndida,
Excitam sua ira e convocam seu desdém.
Dias saturnianos não ocupam seu pensamento,
Mas para ele todo o mundo é uma Idade de Ferro.
Sua fantasia terrena jamais sobe aos céus,
Mas extrai sua fonte da vala, do celeiro e do chiqueiro.
Nenhuma cena silvestre, nenhum riacho guarnecido de caniço em junho,
Mas moinhos, minas e lojas inspiram sua toada.
Onipotente Estupidez! vede o império erguer-se,
Para manchar o puro, para paralisar o forte:
Comércio destrutivo! teus poderes todos devastadores
Poluem nossos versos e esmagam as flores mais belas do Pensamento.
Pode a Arte sobreviver em uma era degradada
Quando ninguém senão brutos e cínicos ocupam o palco?
Quando o verso ideal traz o sorriso vulgar,
E as palavras honestas são desprezadas pelas vilas?
Aquele que quiser acender de novo o fogo do poeta
Deve retirar-se imediatamente para algum local isolado;
Onde, meditando sobre os dias mais felizes de outrora,
Sua fantasia possa restaurar os tempos antigos;
Onde, como antigamente, a voz da Natureza bondosa é ouvida,
Para elevar a mente e inspirar a palavra escrita.
Lá podemos encontrar a Idade de Ouro de novo,
Onde os pensamentos são simples e nossos sonhos verdadeiros;
Em tais cenas benditas podemos ensaiar novamente
A grandeza clássica do reinado de Eliza,
Ao estilo de Shakespeare comover o coração ansioso,
Ou encantar as ninfas da floresta com a arte de Jonson.
Mas que eu pare! Nenhuma esperança tão expansiva
Pode mover meu lápis do estilo de Pope;
A linha sonora, que nem quebra nem vacila,
É necessária para ocultar minhas faltas mais graves!