“Non bene junctarum discordia semina rerum.”
—Ovid.
Atendei, bardos modernos, que brilhais frouxamente
Como dignos rebentos da linhagem de Mac Flecknoe!
Ainda que mal brilheis nas alturas helicônias,
A um ainda mais desajeitado dais um tema:
Como o caule magro brota de um jardim estéril,
Assim brota a minha escória de vossas rimas beócias.
Em estado estabelecido no trono do Néscio,
Ouvi o infante Codro gemer com cólica.
Seu lamento sombrio não transmite vestígio de sentido,
Mas os críticos ocultam sua ignorância em louvores.
Ali perto do Rei, o pálido Raucus se põe,
Uma resma de baladas insípidas nas mãos.
Métrica esquecida, ele grita seu canto doentio
Em quadras em parte curtas demais e em parte longas demais.
Mas antes que pare, Agrestis enche o ar
Com sotaques delicados e ilusões raras.
Como poderíamos louvar versos tão suaves e doces,
Se não fossem mancos em seus pés poéticos!
Assim que o coração do leitor irrompe em chama,
O fogo é apagado ao rimar “ganho” com “estranho”,
E o êxtase se torna tarefa nada fácil
Quando campos de “erva” na luz de Sol “desvanece”!
Agora a nossa atenção aguda se volta para Durus,
Cuja página ríspida arde com paixão viril.
Oxalá suas expressões cabíveis não jazassem
Onde a sílaba e o tom hão de desandar;
Um sentimento menor havemos de sentir
Se o amor “re-al” for pronunciado como “anel”;
Enquanto de sua linha frouxa desejamos fugir,
Quando o solene “po-e-ma” se mascara como “tema”!
Depois Hodiernus com sua lira aparece,
E agrada aos ouvidos de Midas do crítico moderno.
Em suas estantes repousam clássicos esquecidos,
Enquanto ele lê Kipling e o proclama o melhor.
O verso bem torneado, a frase escolha e harmoniosa
São estranhos aos seus modos novos e corrompidos.
A forma é um erro, a elegância um crime,
Para ele que corteja os aplausos do momento.
O mais hábil é quem na rima consegue alcançar
A altiva grosseria da fala de um plebeu.
Nenhum nome damos àquele porco degenerado
Que macaqueia a linha vulgar do imundo Whitman.
O som gago, a atmosfera viciada,
A confusão em branco e a perspectiva sombria,
Tanto repelem a mente de classe decente,
Que o autor se perde em meio ao Caos que criou!
Notai agora Mundanus, que com mente sórdida
Se detém em nossas alegrias e males de espécie inferior.
Para ele não esperam encostas gramadas de Tempe,
Nem sua Musa relata a bem-aventurança árcade:
Estrefão e Cloé, toda a comitiva esplêndida,
Excitam sua ira e convocam seu desdém.
Dias saturnianos não ocupam seu pensamento,
Mas para ele todo o mundo é uma Idade de Ferro.
Sua fantasia terrena jamais sobe aos céus,
Mas extrai sua fonte da vala, do celeiro e do chiqueiro.
Nenhuma cena silvestre, nenhum riacho guarnecido de caniço em junho,
Mas moinhos, minas e lojas inspiram sua toada.
Onipotente Estupidez! vede o império erguer-se,
Para manchar o puro, para paralisar o forte:
Comércio destrutivo! teus poderes todos devastadores
Poluem nossos versos e esmagam as flores mais belas do Pensamento.
Pode a Arte sobreviver em uma era degradada
Quando ninguém senão brutos e cínicos ocupam o palco?
Quando o verso ideal traz o sorriso vulgar,
E as palavras honestas são desprezadas pelas vilas?
Aquele que quiser acender de novo o fogo do poeta
Deve retirar-se imediatamente para algum local isolado;
Onde, meditando sobre os dias mais felizes de outrora,
Sua fantasia possa restaurar os tempos antigos;
Onde, como antigamente, a voz da Natureza bondosa é ouvida,
Para elevar a mente e inspirar a palavra escrita.
Lá podemos encontrar a Idade de Ouro de novo,
Onde os pensamentos são simples e nossos sonhos verdadeiros;
Em tais cenas benditas podemos ensaiar novamente
A grandeza clássica do reinado de Eliza,
Ao estilo de Shakespeare comover o coração ansioso,
Ou encantar as ninfas da floresta com a arte de Jonson.
Mas que eu pare! Nenhuma esperança tão expansiva
Pode mover meu lápis do estilo de Pope;
A linha sonora, que nem quebra nem vacila,
É necessária para ocultar minhas faltas mais graves!