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ILÍADA: Posso não gostar dos clássicos?

Posso não gostar de clássicos literários? | Ilíada

Neste trecho de discussão literária, os participantes refletem sobre a validade de criticar clássicos consagrados e a tendência de elevar escritores a um patamar quase sobrenatural. O diálogo aborda a importância de analisar as obras com honestidade, sem a obrigação de gostar de tudo o que foi escrito séculos atrás.

O que vocês acham? Eu acho que é muito importante sim, até para evitar alguns comentários que você fez, Lucas, com relação aos cantos nos seus vídeos. Mas não só isso; eu tinha anotado aqui sobre a live de *Auto da Barca do Inferno*. Tem uma hora em que você fala que há um pedaço em que o autor monta determinada situação e aí você diz: "Pô, mas não tinha uma forma melhor de o cara escrever isso daí?". Não, não tinha. Foi escrita há quinhentos anos — ah, não lembro exatamente, mas enfim —, não tinha. Se tinha, a prerrogativa é sua de achar que uma obra escrita há quinhentos anos deveria ter uma forma melhor de contar aquilo, entendeu? Mas não tem problema também. Até onde a gente sabe, não tinha, então não tem problema.

Exatamente. Só tem uma coisa sobre a qual eu estou me preparando para fazer um comentário. Não é que eu esteja com receio de falar, é que eu ainda não descobri o jeito de falar sobre isso. Eu vejo às vezes que o pessoal, quando vai falar de literatura, fala dela como uma coisa meio etérea, dizendo que a literatura causa isso nas pessoas e na sociedade, tentando explicar por que você tem que ler literatura. E você pensa: "Mas espere aí, qual literatura? Ou só essa que você acha que é literatura, essa que você escolheu?". Porque parece… Eu vi até um cara falando assim — um especialista, um cara de renome —, ele falava dos escritores como pessoas quase sobrenaturais, como se, quando o escritor escreve, ele estivesse pensando nisso e naquilo. Meu amigo, você não tem como saber! Às vezes o cara só teve uma grandíssima sacada legal para caramba e pôs no papel, só isso. E aí a gente fica igual a uns patetas tentando interpretar.

No fim das contas, qualquer escritor, mesmo os grandes, é passível de crítica. Você pode pegar um pedaço da *Odisseia* e falar: "Isso aqui eu achei uma droga". Não tem nenhum problema. Foi o que eu fiz em *Auto da Barca* — quer dizer, não usei exatamente essas palavras lá, e nem lembro qual parte é, mas me lembro de ter falado sobre isso. Você pode pegar um pedaço e falar: "Não gostei disso aqui, mas vamos ler o resto". Você pode não gostar de nada, inclusive, não tem problema nenhum em não gostar de um texto. Teve um seguidor aqui nos comentários — na verdade, é o EC, que é bem ativo por aqui — que não gosta de *A Metamorfose*, do Kafka; ele é um hater do Kafka. O Gadara já tinha falado sobre isso no começo também. Enfim, não tem problema, bicho. Você tem todo o direito de não gostar.

Agora, resta ver se as suas explicações vão fazer sentido, porque o Panda já reagiu a alguns vídeos de pessoas fazendo críticas a obras, e às vezes as críticas eram estapafúrdias. Bem, você também tem o direito de fazer uma crítica estapafúrdia, mas talvez precise melhorar como leitor. É aquilo: às vezes a sua crítica é estapafúrdia, mas serve como um aprendizado para você mesmo.