O conto "O Cão" (The Hound), escrito por H.P. Lovecraft em 1922 e publicado em fevereiro de 1924 na revista *Weird Tales*, apresenta uma das narrativas mais viscerais e macabras do autor, centrada na obsessão mórbida e na perseguição implacável por uma criatura sobrenatural.
E aí pessoal do Universo Antares, bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal e bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todas as histórias que H.P. Lovecraft escreveu. No vídeo de hoje nós vamos analisar um conto interessantíssimo, com o título de *The Hound*, ou seja, "O Cão", o cramunhão. Esse conto foi escrito em 1922 e publicado na edição de fevereiro de 1924 da *Weird Tales*. Eu li nessa edição da Delphi Classics, que vocês conseguem achar facilmente na internet também.
Mas vamos lá, qual é a história do conto? Este conto é muito interessante porque ele é dividido em duas partes. Na primeira parte, temos uma introdução aos personagens: acompanhamos o narrador e seu amigo, Saint John. Eles são essencialmente entusiastas do bizarro, acumulando qualquer tipo de objeto para o museu pitoresco deles. Os roubos deles incluem a exumação de cadáveres para encontrar relíquias póstumas deixadas pelos entes queridos, ou até mesmo relíquias históricas.
Tudo isso muda quando eles estão em um processo de exumar o corpo de uma figura histórica. No esqueleto — pois é apenas uma ossada —, existem marcas de mordidas, alimentando a lenda de que o homem havia sido morto por uma criatura terrível, um cão infernal. Além disso, há no pescoço dele um amuleto estranhamente brilhante com a aparência de um cão infernal, o que deixa ambos pensando no que seria aquilo. Saint John pega o objeto, e assim que o fazem, começam a ter a impressão de que estão ouvindo latidos ao longe. Eles desenterram o item, vão para casa, e é aí que a situação começa a desandar.
O segundo capítulo mostra as consequências disso. O amigo dele, Saint John, começa a ouvir de fato, com cada vez mais frequência, esses latidos. Os dois passam a escutá-los constantemente, ao ponto de que, enquanto andam pela casa, o brilho da lua na janela é interrompido e eclipsado por sombras muito estranhas. Tudo muda quando o personagem principal é acordado no meio da noite por um som como se alguém estivesse arrastando as unhas ou garras na porta do quarto dele. Ele fica assustado, abre a porta para o corredor, mas não há ninguém lá. Ele vai acordar Saint John, que também se apavora, e juntos eles ficam em estado de alerta e suspense. Em um determinado dia, eles estão no museu particular deles — que é escondido, obviamente, por ser cheio de coisas roubadas — quando ouvem a mesma coisa. Eles vão correndo para a saída, dão um supetão no compartimento secreto, mas não encontram ninguém.
Beleza, a vida continua. Certo dia, o amigo dele, Saint John, está voltando da estação de trem quando é completamente trucidado por uma criatura. O narrador vai em direção a ele para acudir, porém só consegue ouvir suas últimas palavras: "Aquele maldito ídolo, aquele maldito pingente". O narrador fica em pânico porque acredita ter visto ao longe a sombra de uma criatura voando no céu. Ele decide então que está na hora de devolver o que quer que seja aquilo que pegou, pois o objeto está claramente amaldiçoado. Quando ele vai em direção à casa e ao cemitério de novo para devolver o item, descobre que foi roubado. Você pensa: "Ferrou!", e ele fica desesperado.
Porém, no outro dia, ele acorda com a notícia no jornal de que uma quadrilha de ladrões foi completamente trucidada — a família dos ladrões, todo mundo morreu. Ele consegue surrupiar de volta o seu pingente amaldiçoado, vai em direção ao túmulo e começa a desenterrar o local. Assim que desenterra, ele entra em completo pânico porque, no lugar do corpo, ele consegue ver a feição do seu amigo Saint John, e aquele ídolo ou pingente está ensanguentado e brilhando. Ou seja, aquele pingente tem o dever de voltar para o dono original.
Ele enlouquece completamente com isso, mete o pé e sai correndo, e é aí que o conto parece terminar. Mas não: na verdade, o conto começa justamente com ele dizendo que vai se matar com um tiro de revólver, porque mesmo depois de tudo isso ele ainda continua ouvindo os latidos e sabe que a hora dele vai chegar. Ele termina o conto afirmando que vai explodir o próprio cérebro para não ter esse fim mais trágico e horroroso, e a história se encerra aí.
Eu acho esse conto muito interessante porque ele é aquela narrativa mais grotesca, mais visceral, muito marcante do autor. Mas aí, o que vocês acharam? Gostaram? Então eu vejo vocês no próximo vídeo com mais uma história de terror do Lovecraft. Até mais!