Quando a tempestade de janeiro varre a colina estéril,
E a própria vida mal consegue suportar o frio que perfura a medula,
Quando a neve cobre as pastagens e sufoca o vale sombrio,
Então a fria terra da Nova Inglaterra parece um tipo de inferno congelado.
Quando o esplendor noturno do céu zomba da terra frígida lá embaixo,
E Orião e a Estrela do Cão brilham no silêncio estéril,
Quando nem todos os fogos dos céus conseguem dissipar o frio do inverno,
Então fitamos em vão as estrelas cruéis e chamamos a terra de inferno.
Quando as ondas loucas e malignas rugem ao longo da costa rochosa,
E o navio com cordames encrostados de gelo é lançado na tempestade oceânica;
Então os ansiosos moradores das cabanas no porto encaram a vaga traiçoeira,
E, pensando nos ausentes, chamam o clima selvagem de inferno.
Mas quando o Norte desperta na primavera, e o branco cede lugar ao verde,
E riachos cristalinos começam a fluir, e flores enfeitam a cena;
Quando juncos margeiam a lagoa placida e folhagens sombreiam o vale,
Então nos regalamos com o calor bem-vindo, sem pensar no inferno.