Que outros bardos de talentos mais nobres cantem
As belezas da branda e madura primavera.
Minha rústica Musa deve deter-se em tempos mais desolados,
Quando a Terra, recém-liberta do feitiço do inverno,
Mostra-se desprovida de vestes, sem abrigo, sem adornos;
Despida de mantos brancos, e ainda não vestida de verde.
sopra a brisa, mas com força mais calorosa.
O solo que se funde, o curso d’água transbordante,
O ar que desperta, o reverso voo dos pássaros,
A luz do sol mais longa e a noite mais curta,
Os raios de Arturo e os feixes brilhantes de Corvo,
Difundem a promessa dos dias amenos.
Aquele remanescente lamacento da neve invernal
Encolhe-se humilde sob o brilho equinocial,
Enquanto nos campos precoces lâminas de grama espreitam
Acima da terra tão recentemente envolta em sono.
Que odor doce e evasivo preenche o solo,
Para despertar o lavrador para seu labor anual!
Embora densas sejam as nuvens e nu o galho do bordo,
Com que canção alegre ele conduz o arado pescoço!
Nele agita-se, como a seiva dentro da árvore,
O chamado jubiloso para uma nova atividade:
A cena exterior, por mais opaca e sombria que seja,
Adquire um esplendor vindo da alegria interior.
Mês profético! Quem dera eu puder entoar
Tuas belezas ocultas em versos mais sublimes:
Tua juventude gloriosa, teu vigor inteiramente gasto,
Tus ventos inquietos, de primavera e inverno mesclados.
O verão traz bênçãos de espécie enervante;
Tuas alegrias, ó Março, são êxtases da mente.
Em junho regozijamo-nos com o zumbido suave das abelhas,
Mas o Março nos exalta com a ventura por vir.
March (Poesia #32)