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A Floresta das Árvores Retorcidas [Alexandre Callari] – Lovecraft e Brasil? Não tem como dar errado!

A Floresta das Árvores Retorcidas: Lovecraft no Brasil

Nesta análise literária, o leitor e criador de conteúdo discute sua experiência de leitura com o romance de terror *A Floresta das Árvores Retorcidas*, escrito por Alexandre Callari e publicado pela Editora Pipoca & Nanquim. A obra é examinada a partir da perspectiva de quem aprecia literatura e investiga como elementos do horror cósmico lovecraftiano foram adaptados para o contexto brasileiro.

E aí, pessoal do Universo Antar, sejam bem-vindos a mais um vídeo. No vídeo de hoje eu não vou comentar sobre os contos do Lovecraft — isso fica para um outro vídeo —, mas vou comentar sobre uma obra que li recentemente, que acabei de ler na verdade, e que tem relação com o Lovecraft. Hoje vou falar um pouco sobre o livro *A Floresta das Árvores Retorcidas*, do Alexandre Callari, publicado pela Editora Pipoca & Nanquim. Acabei lendo através do Kindle pela comodidade e confesso que, para quem não sabe, o Alexandre faz parte do time lá da Pipoca & Nanquim, um canal muito legal que fala sobre diversos conteúdos, mas mais especificamente sobre histórias em quadrinhos. Histórias em quadrinhos não são meu forte; eu gosto mais de romance, de literatura formal por assim dizer. Mas, quando soube que ele escrevera um livro baseado na obra do Lovecraft, sempre fiquei com o interesse de ver o que ele tinha conseguido fazer com a obra como um todo. Vi o vídeo introdutório que eles apresentam no canal e decidi ter essa experiência. Confesso que a experiência foi muito positiva; tem alguns probleminhas ou algumas ressalvas com relação ao livro, mas nada tirou o meu contentamento e o prazer que tive ao ler essa obra.

Para quem não sabe, *A Floresta das Árvores Retorcidas* transporta a cultura lovecraftiana para o Brasil. É muito semelhante ao que eu fiz também na antologia *Lovecraft Rio*. Só que aqui o Alexandre Callari decidiu fazer uma coisa que eu achei muito interessante: ele não pegou somente os mitos das criaturas lovecraftianas e os transportou para o Brasil, ele transportou elementos inteiros. Por exemplo, a cidade de Arkham, que é o cenário onde a maior parte das aventuras lovecraftianas acontecem e que o próprio Lovecraft cria como essa coisa mística onde a própria cidade é um personagem, ele transporta essa cidade para o interior de São Paulo, o que eu achei uma sacada muito interessante.

Adam, o personagem principal, é tido como um cara desiludido que está tendo uma crise de meia-idade. Ele acabou de trair a esposa, foi despedido de um trabalho de forma humilhante e a vida dele nos últimos meses desandou. Ele decidiu dar o fora: o filho ficou traumatizado com a traição, os colegas de trabalho zombam dele, então ele resolveu simplesmente sair, tentar uma nova vida, uma cura geográfica, e acaba parando nessa cidade de Arkham. O interessante é que o nome oficial da cidade não é Arkham, mas as pessoas que lá habitam chamam a cidade assim, o que eu achei muito curioso. À medida que o livro vai se degringolando, os personagens começam a chamar a cidade de Arkham — que é um nome bem inglês —, e o próprio personagem se pergunta: "Nossa, por que estou chamando a cidade assim?". As pessoas simplesmente aceitam.

O livro começa quando ele vai para essa cidade e se instala em um apartamento bem mixuruca; não é necessariamente ruim, mas é um condomíniozinho bem desagradável, e as pessoas que lá habitam não são muito educadas. Ele conhece alguns personagens, por exemplo, o senhor Marcelo e o senhor Albuquerque, além de outros que estão de certa forma relacionados à sua trama. Gostei muito porque eles começam de fato sendo personagens odiosos — não no sentido literal, mas personagens com quem você não vai com a cara — e o autor consegue construir isso muito bem.

Gostei também da forma como o terror se inicia; achei que não ia ser tão abrupto como foi de fato. Para vocês terem uma ideia, o livro é dividido em 12 capítulos, o que para mim deu uma sensação de conto. Para quem não sabe, e isso diz respeito mais ao meu gosto pessoal, eu não gosto de capítulos longos (o que se reflete até na minha escrita, lógico que quando são contos é outra história). Nesse livro, senti que o ritmo da trama, principalmente no meio, poderia ter sido melhor cadenciado, mas entendi a escolha, porque cada capítulo funciona de certa forma como um conto. O primeiro já é muito interessante, pois traz a introdução dele na cidade, e o horror começa de imediato. Não é enrolado; é um horror visceral.

Para os leitores que forem ler este livro, saibam que é uma história adulta, contendo cenas explícitas. Eu gosto muito do *gore*, que é um termo que utilizamos para descrever o estilo em que há muita carnificina, algo muito sanguinário e gráfico. Gostei da forma como o autor trata isso, principalmente resgatando elementos clássicos. Quem curte filmes trash dos anos 80 e 90 vai se deliciar com as histórias aqui, porque elas são muito interessantes, assim como os personagens que rondam a trama. Eu achei que seria uma jornada muito introspectiva e não estava esperando que o Adam fizesse muitas amizades — e ele não tem uma relação de amizade tão profunda no início —, mas gosto de como as coisas se constroem e de como o horror vai escalonando à medida que o terceiro ato se aproxima.

Os personagens são muito interessantes e a história é comovente. Como estamos em Arkham, há referências a diversos pontos e criaturas do universo lovecraftiano, além de referências que você percebe em outros filmes. Por exemplo, Pombo, uma criancinha bem esfarrapada com quem o protagonista desenvolve uma relação de amizade e até paternal à medida que o livro progride, me lembrou elementos de *O Iluminado* — para quem não viu, o filme clássico do Kubrick. Achei muito interessante a forma como o próprio prédio (claro que não vou dar spoiler aqui) e as localidades também têm temas sobrenaturais.

Gosto de como o autor trata temas éticos. Muitas vezes, o personagem principal, Adam, não vai estar inserido naquela aventura mais purista em que o protagonista acaba cedendo à loucura e à insanidade. Nesse caso, o Adam atua até como uma figura meio profética. Embora eu tenha gostado do final do livro — e não vou dar spoiler sobre o que acontece —, a gente acaba identificando que o Adam tem essa postura de lutar contra o mal, o que eu acho que tira um pouco do horror lovecraftiano tradicional. No entanto, como história de terror, eu ainda acho que tem muita coisa interessante.

Os vilões e antagonistas são ótimos. Gostei muito da forma como elementos como o *Necronomicon*, as criaturas do subterrâneo (trabalhadas em pouquíssimos contos do Lovecraft, mas aqui muito bem inseridas) e a própria floresta das árvores retorcidas — que dá título ao livro — aparecem, além de referências a outras localidades onde se passam os contos do próprio Lovecraft. Gostei muito dessa união de fatores e confesso que até senti falta de explorar mais a cidade. O livro funciona muito bem comomicronarrativas, microaventuras que vão se unindo para contar uma história maior, mas acho que, à medida que o livro avança, o Alexandre Callari revelou informações demais para o leitor. Isso acaba tirando um pouco do impacto do mistério de pensar: "Nossa, o que será que está acontecendo?". À medida que a história avança, você começa a ver cultos e uma conspiração sobre sequestro de crianças em determinados períodos do ano. Tudo isso é legal, mas quando o autor decide revelar através do antagonista principal o motivo de cada uma dessas intrigas, acho que isso foge um pouco da temática clássica do Lovecraft, embora a criatura principal seja muito interessante.

Gostei de como o Lovecraft trabalhou seu vilão principal — não vou revelar quem é —, mas este é um livro que vale a pena ser lido. Por incrível que pareça, apesar de dar a sensação de ser longo, eu acho que ele merecia ainda mais conteúdo. Espero que o Alexandre Callari consiga desenvolver melhor essas outras ideias, porque dá para ver nitidamente — e isso eu consigo discutir enquanto leitor e também escritor de histórias — que a gente nunca pode fazer tudo ao mesmo tempo. Quando terminamos uma história, queremos contar outra, mas nem sempre dá tempo, a trama por si só não se encaixa naquele momento, e acabamos tendo que cortar, editar e revisar. Isso faz parte do trabalho de escrita criativa, mas confesso que gostaria muito de ver os próximos passos, ver o Adam no futuro, acompanhar os outros personagens e ler mais histórias se passando em Arkham. As consequências do terceiro ato ganham uma breve sumarização, mas ainda assim eu gostaria de ver mais.

Fica aqui a recomendação de leitura. Gostaria muito que vocês comentassem se já leram outras histórias baseadas na obra do Lovecraft; eu pretendo trazer várias aqui. E, se você parou aqui de para-quedas, saiba que estou analisando os contos do Lovecraft de forma cronológica, então já tem outro vídeo para sair. Pretendo continuar no meu ritmo, porque a rotina acaba sendo um pouco conturbada, mas sempre tento trazer o máximo de conteúdo possível. É isso, pessoal, vejo vocês no próximo vídeo, no próximo conto do Lovecraft. Mas, se vocês querem algo mais atual, algo que trate de um modo um pouco diferenciado a obra do Lovecraft, tenho certeza de que vocês vão gostar de *A Floresta das Árvores Retorcidas*, do Alexandre Callari, assim como eu gostei. Então é isso, beijo vocês no próximo vídeo, até mais!