E aí, pessoal do universo Antares, bem-vindos de volta a mais um vídeo aqui no canal, bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todos os contos e todas as histórias que o H.P. Lovecraft escreveu. E no vídeo de hoje nós vamos analisar um conto muito interessante com o título de "Ar Gélido". Sim, "Ar Gélido", ele foi escrito em 1926, março de 1926, e publicado pela primeira vez em março de 1928 na revista Tales of Magic and Mystery, beleza? O que é interessante desse conto, né? Primeiro é que ele se passa fora das localidades habituais que o Lovecraft comumente escrevia, que era ou Arkham, ou Providence, enfim, ou alguma coisa assim, e aqui a história principal se passa em Nova York, porque à época o Lovecraft tinha se mudado, ele viveu durante um tempo em Nova York. Então imagina, o cara racista vai pra cidade simplesmente com mais diversidade, com mais, enfim, imigrantes do mundo, né? Com mais pessoas, tipo, de diferentes culturas, enfim, devia ter sido interessante para ele, né, ou quem sabe não. Mas enfim, e aqui a gente acompanha a história de um escritor, e aí a gente consegue ver um pouco dessa coisa do Lovecraft se transportando para dentro da narrativa. Mas qual que é a história? Bom, a história do conto é a seguinte: é o escritor novamente, que ele tá vivendo na pobreza, então ele precisa ir para apartamentos muito ruins, porém ele se aloca no apartamento de uns imigrantes espanhóis, e aí ele acha o apartamento tolerável, né, para aquilo que ele tá fazendo, pelo menos por enquanto. Só que o inquilino de cima, ele é um tanto quanto estranho. O que que acontece? De noite, às vezes, ele ouve o barulho de passos e o barulho de, sabe, parafernalha, assim, quase como se fosse um aparato mesmo, sendo, sei lá, transportado acima dele. E aí ele fala lá com a, eu não sei como é que se diz, enfim, mas sabe aquela pessoa responsável pelo condomínio, digamos assim? Acho que é er, alguma coisa assim, er, er, eu acho que algum nome que eu pronuncio, desculpa, mas ela fala sobre o Dr. Muñoz, que ele é um tanto quanto afastado da população, que ele é muito dedicado aos estudos, que ele já foi um homem muito bom, mas hoje um homem muito grandioso, mas hoje ele tá isolado da sociedade, mas ele continua sendo muito gentil, ele é um profissional muito competente, um médico muito habilidoso. E a gente fica naquela, né? Tipo, quem que será que ele é? E ela fala: "Agora eu tô responsável pelos cuidados dele, pelos cuidados dele", e é isso. E aí, beleza, ele fica intrigado com isso, né? Mas o tempo passa até que um dia ele tá no laboratório dele, no laboratório não, no escritório dele escrevendo, e aí ele sente um ataque do coração, ele sente que ele tá tendo um ataque cardíaco e ele pensa assim: "Ferrou, preciso de ajuda imediata". E aí ele pensa: "Cara, ela falou que o Dr. Muñoz é um excelente profissional, então eu tenho que ir até lá". E aí ele vai tendo um ataque do coração, ele sente que ele tem um ataque, tá começando a ter um episódio cardíaco, ele vai até o apartamento do Dr. Muñoz e bate. E aí o Dr. Muñoz responde, né, com aquele sotaque comel, mas bem, bem articulada, né, bem fluente: "Quem está aí?". E aí ele fala: "Por favor, você é o Dr. Muñoz? Eu preciso de ajuda". E aí ele abre a porta, e quando a porta se abre a gente já percebe uma mudança no ambiente, porque aonde o doutor está é muito frio, muito frio, e ele usa amônia para poder deixar o ambiente ainda mais frio, uma espécie de ar-condicionado com amônia. E aí ele fala, né: "Olha, eu preciso de ajuda, eu acho que eu tô tendo um ataque cardíaco". E aí o Dr. Muñoz, muito habilmente, ele chega assim: "Não se preocupe, eu sou o maior inimigo da morte aqui, já tratei pacientes de tudo quanto é jeito, de pacientes que os meus próprios amigos não tinham esperança para com eles e tudo deu certo". E de fato dá certo, porque o cara é muito bom. E aí, só que o personagem principal ele tem um asco assim que ele não consegue saber ao certo de onde vem, porque, por exemplo, o doutor, ele é bem apessoado, sabe, ele tem uma barba bem feita, o cabelo dele é aqueles cabelos de genten, sabe? A indumentária dele, o rosto dele, aquele rosto bem gentil e sábio, sabe? Mas ele sentiu longe, ele fala assim, ó: "Senti um gojo dele, não sei o que poderia ter sido". Mas aí ele começa a falar, né, sobre a aparência dele, é quase como se ele fosse muito branco assim, muito, muito gélido, gélido até demais. É quase como se o coração dele não batesse, porque quando ele estava manuseando as substâncias, né, para poder, enfim, curá-lo, ele falou que não sentia calor nele, vindo dele. E aí, por conta disso, ele acaba virando um amigo do doutor, do Dr. Muñoz, e ele fala assim, ó, e ele fala: "Não", mas ele decide ajudar o Dr. Muñoz com os experimentos dele, porque ele também gostava de escrever sobre isso, e aí ele ajuda o Dr. Muñoz a diversos experimentos, até que ele começa a perceber, né, que o Dr. Muñoz falou de um procedimento que poderia curar até mesmo a morte, já que muito do ser vivo está no espírito, e se o espírito for forte o suficiente, a carne pouco importa. E aí ele vai fazendo experimentos e experimentos, e com o tempo ele vai ficando pior, vai ficando deteriorado assim o aspecto dele, até o ponto de que os outros inquilinos, incluindo a er, eu acho que a, enfim, a responsável do condomínio, ela pede inclusive pro filho dela parar de visitar o doutor. E aí o inquilino ao lado também, mano, tá ele, como o médico acaba aumentando, ou melhor dizendo, diminuindo ainda mais a temperatura, isso começa a afetar os inquilinos ao lado. Então o personagem principal acaba tendo que ajudar eles a precaver esses problemas, a acatar esses problemas também, comprando novas, enfim, novas fechaduras e novos batentes e um compartimento para vedar, porque sim, senão o frio de fato fica congelante. E aí chega num determinado ponto, né, que o personagem principal percebe nitidamente que o cara tá se deteriorando. E aí ele fala: "Eu tive uma experiência com o doutor na França", e aí ele falou que era muito, mas ele tinha cometido uma falha no experimento, mas o meu eu não vou cometer a mesma falha e blá, blá, blá, e blá, blá, blá. E você fica, caramba, o que que tá acontecendo, né? O que que será, qual será o procedimento que ele tá utilizando? E aí ele tomava banhos de amônia com gelo assim para poder, enfim, dar continuidade nos experimentos dele, até que um dia ele é acordado no meio da noite com um barulho incessante, bu, bu, bu, bu, sabe, tipo, na porta dele, e ele atende ao doutor, e ele fala assim, ó: "Quebrou o meu aparato lá para deixar a fábrica, o ar-condicionado, sei lá, personalizado", e ele quebrou, né, um dos pistões, e aí eu tô desesperado, você precisa me ajudar, você precisa procurar ajuda agora". E ele pensa: "Cara, como é que eu vou procurar ajuda agora?". E aí ele começa a fazer os telefonemas e tudo mais, e vê que vai ter que procurar fora, ele não vai conseguir encomendar um, ele vai ter que achar algum mecânico por aí. E aí o doutor fica tipo completamente desesperado, ele fala assim: "Eu tenho uma ideia, traga-me a maior quantidade de gelo que você puder". E aí o personagem principal, ele fala: "Beleza", e ele vai até um cara assim, no meio da rua, e ele fala o seguinte: "Eu preciso que você ajude o meu amigo, você tem que levar gelo para ele aqui, ó, toma dinheiro, eu pago, não se preocupe com isso, você vai receber uma parte boa também, leva gelo para ele enquanto eu tô indo em direção a um, sei lá, um mecânico para poder achar um pistão para ver se ele consegue consertar". E aí, beleza, ele deixa o cara nessa tarefa, só que ele demora muito tempo porque ele não acha um mecânico competente, até o tempo que ele acha e ele volta com o mecânico. E quando ele volta, parceiro, tá tudo, tá tudo um caos, tá todo mundo correndo para um lado para o outro. E ele pensa assim: "O que que aconteceu? O que que será que tá acontecendo? Que cheiro é esse?". E ele vai até o apartamento do doutor, né, ele tá fechado, trancafiado de fato. E aí ele arromba, e na verdade ele não arromba, ele pede para, enfim, aquela dona er, né, ele pede para ela ajudá-lo a destrancar a porta. E quando tranca a porta, ele vê que tem um rastro, né, da banheira com gelo que já derreteu, no caso do lado assim, na parte do banheiro, e tem um rastro que vai até uma escrivania. Nesse meio tempo, ele tinha pedido também pro personagem principal: "Eu vou escrever várias coisas para você, se algo der errado, se algo acontecer comigo, você leva toda essa papelada para um doutor X, envie essa papelada para um doutor X em algum lugar aí". E aí o personagem principal, ele fica bolado com aquilo, né, porque ele vê uma, quase uma, um rastro mesmo de cinzas. E aí ele chega, e ele fala assim, ó, e ele estava correto, mas eu quase consegui, eu sinto que eu conseguiria, enfim, agora já não dá mais, eu morri naquela ocasião há 18 anos, ou seja, 18 anos antes. O doutor, a gente descobre, né, o plot twist, que o doutor já tinha morrido há 18 anos, ele tava só tentando se manter vivo, tentar manter o corpo dele vivo por mais tempo. E aí o conto termina com o personagem principal botando fogo em tudo, ele fala: "Meu amigo, não quero, o mundo não merece saber disso aqui não, e porque, enfim, olha no que o doutor se transformou". E aí o conto termina dessa maneira, eu acho ele muito divertido, muito interessante, é um conto bem diferente do Lovecraft. Mas é isso, espero que vocês tenham gostado e eu vejo vocês no próximo vídeo, até mais.
“Ar Gélido” de HP Lovecraft ‐ Um horror congelante!