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Ad Balneum (Poesia #69)

Ad Balneum

Salve! marzinho, em cujas águas claras brilham
As miríades de graças do oceano sem fim;
Cujos calmos rasos e marolas ondulantes carregam
O império eterno da cadeira curul de Netuno:
Teu poder bondoso uma raça grata confessa,
E conta tuas virtudes logo abaixo da piedade;
Sejam abençoadas tuas ondas, sem brisas rudes a soprar,
Sagradas aos bretões, e aos judeus a desvendar!

Quantas vezes eu, no dia ditoso da infância,
Arrastei sobre a tua face minhas frotas miúdas na ânsia!
Vede o ousado Ulisses sulcar o mar grego,
E Nelson em Trafalgar morrer de novo, cego;
Vede as trirremes de Pompeu quebrar o orgulho corsário,
E vikings do Norte enfrentar o Ártico solitário.

A fantasia pode rastrear em teu limite mesquinho
O abismo histórico que cinge o nosso planeta vizinho!
Que nobre lembranças tuas margens brancas despertam
Do poder romano que fez a criação cometa!
Teus ancestrais de mármore, junto ao Tibre a correr,
Em tributo à bacia imperial a reluzir:
Onde a sabedoria de César governou a terra,
No oriente ou ocidente, as majestosas termas erra!

Dize, lago lúcido, que silfos e fadas habitam
Sob a magia de cristal que te agitam?
És como uma fonte no prado árcade sagrado
Onde naíades ouvem o silvo silvestre ao lado,
Ou curvas-te ao império mais vasto de Tritão,
E guardas um oceano em teu plácido chão?

Acaso pequenas nereidas, ao teu tamanho ajustadas,
(Pequenas demais para vistas por nossas vistas chulas e pesadas)
Brincam em tuas ondas, enfeitando cada crista,
Montadas nas costas de golfinhos à vista?
A imaginação bem que gostaria de achar em ti
O charme, o fascínio e a glória do mar aqui!

Como teu peito incha quando em teu leito de louça
Nuvens despencam com fúria louca!
Como tua maré roda quando em teu piso perfurado
As águas furiosas jorram num redemoinho malfadado!
Então repousas, coisa seca e deserta,
Para os deuses prantearem, e bardos de ínfima oferta!