Menu fechado

A Magia dos Clássicos

A Magia dos Clássicos: Análise de Édipo em Colono

Nesta live dedicada aos grandes clássicos da literatura universal, o apresentador avança na análise da mitologia grega e do teatro clássico, detalhando os desdobramentos finais da peça *Édipo em Colono*, de Sófocles. A discussão aborda as complexas relações familiares do herói trágico, sua morte misteriosa e as reflexões sobre a atemporalidade das grandes obras literárias.

Aproximando-se do desfecho da peça, o filho de Édipo chega ao local e relata ter sido expulso de Tebas pelo irmão mais velho, que seduziu a cidade e virou a população contra ele. Após buscar apoio em Argos e organizar um exército para marchar contra Tebas, ele decide passar antes para ver se o pai o apoia. No entanto, Édipo o rejeita severamente e o amaldiçoa, culpando-o por seu exílio e por sua condição de mendigo e andarilho — um detalhe contraditório, visto que na peça anterior foi o próprio Édipo quem escolheu deixar Tebas.

Antes da partida, o filho conversa com Antígona, sua irmã, que tenta convencê-lo a desistir da guerra para evitar sua morte certa, mas ele se recusa, impulsionado puramente pelo orgulho e pela recusa em fugir novamente. De repente, ouve-se um trovão, e Édipo pede que Teseu seja chamado imediatamente, compreendendo que o fenômeno é um aviso de Zeus sobre o fim iminente de sua vida. Com a ajuda de suas filhas, ele passa por um ritual de preparação, despede-se delas e segue sozinho com Teseu, fazendo o rei prometer que nunca as abandonará nem permitirá que virem mendigas.

Apenas Teseu sabe o que aconteceu a partir dali, como Édipo morreu e onde foi enterrado, fazendo a transição para o Hades. O rei retorna para dar a notícia às filhas, que, embora confusas por não poderem saber o paradeiro exato do pai ou prestar-lhe honras fúnebres, logo se conformam e decidem retornar a Tebas na tentativa de impedir a batalha entre os irmãos. O desfecho dessa disputa só aparece na terceira peça da trilogia, *Antígona*.

O leitor compartilha então suas reflexões sobre o projeto pessoal de leitura cronológica das grandes obras, que já passou por Homero, Hesíodo, fábulas de Esopo e boa parte do teatro grego. Ele comenta sobre as dificuldades e nuances das traduções, desaconselhando a versão de Odorico devido à linguagem excessivamente árida e à necessidade constante de um dicionário, recomendando em contrapartida a tradução de Carlos Alberto Nunes.

Retornando à análise estrutural de *Édipo em Colono*, o autor reconhece que a peça é ligeiramente inferior a *Édipo Rei* — considerada por Aristóteles e por ele próprio a obra-prima do teatro grego —, mas elogia sua estrutura sólida e acessível. Ele destaca que, para os clássicos, o conceito de "spoiler" não existe, pois a grandiosidade da obra permanece inalterada mesmo quando se conhece a história de antemão. Utilizando conceitos de análise narrativa semelhantes aos de Vladimir Propp, Todorov e Greimas, o apresentador examina as funções dos personagens: Édipo atua como a figura central e heroica cujo destino molda a narrativa; Antígona e Teseu desempenham o papel de ajudantes, oferecendo suporte moral e físico; e Creonte assume o papel de oponente, representando os interesses de Tebas e complicando o enredo. Por fim, aponta como a trama se desenvolve através de encontros, tentativas de rapto, conflitos fraternos e camadas adicionais que enriquecem essa curta, porém densa, tragédia grega.