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A Conspiração Grega Que Selou o Destino do Poeta

A Conspiração Grega: Leitura de As Tesmoforiantes

Neste trecho de uma transmissão ao vivo, Lucas Rosalém e seu convidado Pedro Henrique iniciam a leitura comentada da comédia grega *As Tesmoforiantes*, escrita por Aristófanes. A discussão aborda a premissa da peça, na qual o famoso dramaturgo Eurípides tenta se infiltrar em uma festa religiosa exclusivamente feminina para evitar ser julgado e condenado à morte pelas mulheres de Atenas, que o acusam de difamá-las em suas obras.

Fala, moçada, aqui é o Lucas Rosalém. Estou aqui hoje com outra pessoa que não tinha aparecido por aqui ainda, mas que está no nosso grupo lá no Telegram. Se você não é inscrito, apareça por lá, porque lá é onde a gente quebra o pau. Inclusive, hoje mais uma vez, teve outro quebra-pau. É, geralmente é engraçado, tá? Geralmente é engraçado, mas nem sempre. Mas a gente está desbloqueando hoje aqui mais um personagem nosso lá, que é o Pedro Henrique. Pedro Henrique, quem diabos é você?

Boa tarde aí para o pessoal que está acompanhando o Universo Antares. Meu nome é Pedro Henrique, eu sou recifense — recifense não, estou morando em Recife, mas eu sou pernambucano. Eu nasci em Petrolina, interior daqui de Pernambuco. Salve, Gadara. Cara, eu sou uma pessoa, como é que eu posso falar sobre mim? Deixa eu pensar aqui. Eu, uma pessoa não, com certeza não. Eu sou, cara, eu sou católico. Isso daí é uma coisa que eu tenho certeza, eu sou católico, cristão principalmente. Mas, cara, eu já participei de muita coisa. Eu já vi, por exemplo, inclusive na época em que eu acompanhava mais política, eu tive a oportunidade de ver o Bolsonaro discursar na minha frente. Foi em 2017. Isso, 2017, cara. Então, eu já participei de muita coisa. Hoje em dia eu saí dessa, minha vida é outra, minha vida é totalmente outra. Águas passadas, tudo isso daí são águas passadas.

Aí, depois de todo esse negócio aí com política, com militância, não sei o quê, chegou aqui para fazer uma live sobre um "feministo" sendo acusado de misoginia, hein, cara? Exatamente, pois é, que confusão, quem diria!

É, gente, hoje é mais uma peça aqui do Aristófanes. A gente pegou uma peça dele semana passada, sábado passado, né? Quer dizer, eu estou meio confuso aqui, cara, porque a live passada não foi sábado, foi quinta, quarta ou quinta-feira. A gente teve uma live extra aí sobre world building, e depois dos cortes que eu fiz, ficou bem melhor, né? Eu recomendo aí a live. Mas enfim, sábado passado a gente pegou *As Rãs*, do Aristófanes, que eu queria muito ler porque eu sabia que ele fazia uns microensaios sobre crítica literária ali, como eu estou chamando, e achei muito bom, cara, fiz bastante anotação. Em breve vou tentar fazer um conteúdo extra sobre isso aí. E aí, eu sabia que nessa peça aqui ele também falava do Eurípides. Parece que tem mais uma peça ainda em que ele fala do Eurípides, só que eu não estou lembrando qual é. E nesta aqui, a peça é sobre o Eurípides, né? A peça *As Tesmoforiantes*. Meu Deus, velho, tesmoforiantes, muito complicado esse nome, muito ruim, cara. Eu decorei já, mas para falar não vai, cara. Tesmofórias e tesmoforiantes, as deusas tesmofórias, né? Enfim, vamos ver o que que sai hoje aí. Uma peça bem assim, cheia de gracinhas sexuais, né? Muito. É uma peça para adultos essa aqui, com certeza.

Pior que é mesmo, cara. Eles podiam fazer uma alta linguagem falando sobre essa peça específica aqui, tá ligado? Ou tendo isso em mente parte da dialética assim deles. Ia ser da hora, cara, ia ser engraçado. Ó o Vossa por aqui, cara, que bom. Fica mais um pouquinho aí, Vossa. Você vai ver. Depois você leva as minas para a outra linguagem lá, para ver se faz sentido eles colocarem na dialética deles esta peça aqui. Mas vamos lá, eu vou começar então a narrar aqui a peça. Qualquer intromissão, qualquer coisa que você tiver para pontuar, você pode falar, tá?

Você tem o grande cara dessa peça, que é o Eurípides, né? Mas a peça não começa com ele em cena, já começa com o parente do Eurípides. Tá certo que ele está ali, ele já vai aparecer, mas o cara que é o verdadeiro protagonista aqui é esse parente do Eurípides, né? Tem até o nome dele aqui, deixa eu ver se eu encontro, porque o nome dele é tenso, cara. Vamos chamar ele de parente. Quem anda de falar parente é o parente do Eurípides, que é Mnesíloco. Mnesíloco, tá?

Então vamos lá. O parente do Eurípides começa ali sendo levado pelo Eurípides para um lugar que ele não sabe qual é, e ele quer saber onde é que eles estão indo. Mas o Eurípides, como a gente já sabe, ele é tratado pelo Aristófanes, ele é descrito pelo Aristófanes como um cara cheio de recursos retóricos, sofísticos, né? Muita persuasão e tal. Então o que que ele faz ali? Ele fala: "Ó, eu quero saber onde é que a gente está indo", tal, né? O Eurípides dá uma enrolada braba nele lá e não conta onde eles estão indo. Mas eles param logo assim de frente para uma porta, a casa do Agatón ou Agatão, que era um tragediógrafo, inclusive que aparece no banquete lá do Platão. O Aristófanes também está por lá, e eles fazem, cara, já várias piadinhas com baitolagem desse cara aí, né? Eles vão fazendo um monte de piadinha ali de baitolagem e tal.

Da casa está saindo ali um servo do Agatón que ia fazer o que parece sacrifícios para que a poesia do Agatón tivesse sucesso. Não era isso? Foi isso, né? Ele canta, né? Na hora em que ele está fazendo esse sacrifício, antes de ele fazer esse sacrifício, ele canta, né? Ó, como é que é a passagem? Ele começa a falar do panteão olímpico, das musas, né? Ele começa a invocar os nomes de deuses para abençoar a poesia do Agatón.

Ah, tá, cara. É uma peça que nesse começo ela é bem obscena, e depois ela volta a ser obscena para caramba. Pior ainda, né? Depois ela fica pior, muito pior. Eles não param de fazer piadinha lá com o Agatón. O amigo do Gomadara ia adorar essa… Ele começa a fazer, antes de eles adentrarem o recinto — como o próprio Eurípides fala —, ele começa a fazer piada com o próprio servo, tipo, eles estão tirando onda com o que o servo está falando, tipo: "Ah, isso é besteira", porque depois lá para a metade da história é revelado para a gente que o Eurípides não tem uma crença nos deuses, ele é chamado de ateu muitas vezes.

É, sim, é exatamente. É uma crítica que ele faz, na verdade, mais aos atenienses sobre as crenças deles do que ao panteão, no qual ele parece ainda acreditar em alguns momentos, né? Mas tá. Enfim, o Eurípides pede para aquele servo do Agatón que está lá fora chamar o Agatón, e aí ele pede para esperar. O servo fala para… É exatamente isso, ele está saindo já. E aí, finalmente, o Eurípides aponta para o parente dele o porquê de eles estarem ali, né? Você lembra qual que era? Conta aí o motivo para a galera, por que que eles estão ali?

Então, é porque ele foi sentenciado à morte pelas mulheres da civilização. Ele falou mal de algumas mulheres, e agora as mulheres se revoltaram e querem juntar ele para matar.

O parente do Eurípides pergunta como é que o Eurípides vai ser julgado, né? Elas estão querendo fazer um tribunal para julgar ele e tal, mas como é que isso vai acontecer se naquele dia ali não tem nem assembleia do conselho ateniense, nem os tribunais para julgar, né? Porque eles estão justamente no meio das Tesmofórias. Isso. Das tesmofórias.

E por que que isso é interessante aqui? Primeiro, porque aqui a gente já começa a entender o nome da peça, né? Então, eles estão no meio das Tesmofórias, e a peça é *As Tesmoforiantes*. E também porque essa festividade era um evento religioso, um evento religioso em honra a Deméter e Perséfone, né? Que, como a gente já viu na live de sábado passado, estavam relacionadas ali com aquele culto dos mistérios de Elêusis, os mistérios eleusinos, né? Para quem aí se lembrar, era aquela parada supergnóstica lá. Claro, chamar de gnosticismo aquilo é um jeito anacrônico de falar, né? É tipo um protognosticismo ali, um gnosticismo incipiente e tal, mas enfim, que vai influenciar também as ideias do próprio Platão, que parece que participava dessas festas, dessa seita aí, que era uma seita esotérica, inclusive, né?

Era, eu ia usar esse termo justamente: esoterismo. Parece muito esoterismo. Essa seita dos eleusinos, um monte de gente importante participava disso, da cerimônia pública. Agora, essa aqui das mulheres, eu acabei não pesquisando muito, não, não sei como é que funcionava. Eu sei que está relacionado por causa das deusas, né? Na verdade é meio óbvio, né, cara? A gente acabou de ver uma peça dele em que ele fala dos mistérios eleusinos, fala inclusive duas vezes a palavra "mistérios", fala do deus da tocha, cita lá o Iaco, que é o deus principal, e é citado de novo nesse… E aí ele cita um monte de coisa parecida, não tem como ser muito distante uma coisa da outra, né, pelo amor de Deus.

Tá. Então aqui, gente, só para resumir o que a gente falou até aqui: a gente tinha visto na peça passada o mistério dos eleusinos, que era uma seita protognóstica lá. E o que eu não sabia é que tinha mais essa festividade aqui, que funciona diferente da outra que a gente citou na live, porque esta aqui só as mulheres podiam participar, tá? Só elas entravam no templo, inclusive. E a peça, mais para frente, ainda vai citar outras duas festividades idênticas, que são, parece que só com mulheres também, para as mesmas deusas, né? As peças — até anotei o nome aqui, ó —, as Esteneias e as Ciraizias, né? Só que eu não fazia ideia, não encontrei esses nomes, acabei não pesquisando também, mas tá, isso daí me passou batido.

É, percebi isso. Ele cita lá, mas só que ele cita mais para frente.

Essa questão aí da festa feminina é importante também porque o Eurípides diz que são justamente as mulheres que estão conspirando contra ele, né? Então, esse aqui é todo o lance da peça, esse é o mote principal da peça. E essas mulheres iam fazer um tribunal elas mesmas para julgar o Eurípides, tá? Então, esse é o lance, né? Como é que você vai ser julgado se não tem tribunal nenhum? Não, elas vão fazer o tribunal, né? E o motivo era que ele falava mal das mulheres, né? Como a gente viu aí, o Pedro falou.

Então, lembrando, o Eurípides fazia peças — o Aristófanes está dizendo aqui na peça —, e porque ele falava mal das mulheres, as mulheres queriam dar cabo nele, né? E o parente até diz que, se acontecesse isso, ele sofreria com justiça. Então, é interessante que, claro, tem um discurso aqui do Aristófanes, né? Ele insiste então que é isso mesmo, porque o próprio parente dele concorda que ia ser justo que ele morresse, mulher justo. Nem ele estava do lado dele, e ainda participou da tramoia dele.

Aí, justamente, ele tinha um plano.