(Falecido em 26 de abril de 1915)
Pode o sábio Clark em verdade ter deixado de ser,
Como a voz fria da Razão amargamente afirmou?
Pode um intelecto vibrante, da terra tão livre,
Como a argila camponesa perder-se entre os mortos?
Ainda ontem o brilho de sua mente
Tinha o poder de esmaecer a obscuridade:
Em seu brilho severo, a tolice da humanidade
Encolhia-se, como as sombras ao meio-dia.
Um mundo cambiante de lutas ao seu redor fervia;
Ideais apequenados, e o puro desprezado;
Mas em sua alma a sabedoria intocada respirava,
E pairava ao seu redor enquanto seu corpo perdurava.
Uma fama fugaz, ou um louvor passageiro,
Quão pouco ele desejava, e quão nobremente desdenhava.
Quão frequentemente os caminhos mais profundos e ricos do Saber
Foram por ele buscados, e por sua mão adornados.
Enquanto multidões vazias em frenesi anseiam
Pelo ouro reluzente, ou pelas honrarias de um lorde,
Em silêncio ele dedicou seu melhor esforço,
Contente em servir; sem pensar em recompensa.
Que homens menores exibam a fronte laureada,
E implorem por homenagem ao mundo inferior.
Em silêncio repousa um mestre maior agora,
Ainda que seu louro seja sua coroa fúnebre.
Não digais que no vazio além da porta da Morte
O poderoso e o humilde são a mesma coisa;
Pode a poeira grosseira, em vida quase nada mais,
Reivindicar igualdade com a essência mental?
Sua voz calou-se; seu corpo cumpriu seu curso;
Mas terão essas ondas de intelecto decaído?
Pode a energia subtil, a força eterna,
Ser sepultada na tumba como a carne mortal?
Não têm essas ondas, emitidas por uma mente incomparável,
Um caminho sem fim para correr no espaço sem limites?
Para fluir invisíveis; vivas, embora indefinidas,
Mas jamais, como o corpo, chegando ao fim?
Quem pode declarar que tal pensamento descorporificado,
Emitido pelos sábios de eras anteriores,
Através de outros corpos viventes não operou
O bem de todas as eras e de todos os climas?
Portanto, não me digais que ele já não permanece,
Cujo corpo silencioso nenhuma palavra responsiva emite:
Seu corpo dorme, aliviado das dores terrenas,
Mas ele, a alma guia, imortal vive!