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To Charlie of the Comics (Poesia #44)

To Charlie of the Comics

(Com profundas desculpas a Rheinhart Kleiner, Esq., Poeta-Laureado e Autor de “To Mary of the Movies”.)

Tropieças e cambaleias na tela
Que exibe tua imagem tão real.
Arrastas teus pés de proporção bela
Por romance, perseguição ou tiroteio letal.
Enquanto contemplo cada ato cômico,
E encaro a tua perfeição,
Custa-me aceitar o fato irônico
De seres mera projeção.

Já te vi como artista singular,
Com pincel e paleta manchada;
Já te vi o ar vazio golpear
Com uma marreta mal-intencionada.
Já te vi cortejar uma fada gentil
(Para ela, és um sonho, decerto),
Mas nunca te vi num papel sutil
Sem a bengala e o chapéu reto!

Querido rapaz, que a tua ventura
Seja igual à alegria que nos dás,
E, pois a idade traz brandura,
Que a todos nós sobrevivas em paz.
Que a Fortuna te sorria constante,
E a miséria jamais te abrase;
E que teus dias de dor e espanto
Sejam curtos como teu bigode e frase!

Gostaria de ver-te, Charles, velho amigo,
Embora haja um vasto abismo entre nós;
Mas devo apenas aplaudir contigo
Teu deslizar fantástico e veloz.
Contudo, estejas longe ou perto,
Tens o dom de nos despertar o riso:
Teus filmes lotam um cinema aberto
Que é largo como o teu terno impreciso!