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“O Festival” – Quando o personagem perde a cabeça (literalmente)!

“O Festival” – Quando o personagem perde a cabeça (literalmente)!

E aí, pessoal do Universo Santaris, bem-vindos de volta ao canal e à nossa playlist onde analiso todas as histórias que H.P. Lovecraft escreveu ao longo de sua vida. No vídeo de hoje, vamos falar sobre o conto intitulado "O Festival", escrito em 1923 e publicado em janeiro de 1925 na revista *Weird Tales*. É um conto muito interessante. Mas vamos lá, qual que é a história dele?

A história começa com o narrador, um dos muitos narradores do Lovecraft que não têm um nome específico, mas que é descendente de uma família que vinha de Kingsport, uma cidade fictícia criada pelo autor no estilo de Arkham, mas um pouquinho mais afastada. Pense numa cidade média, uma cidade de interior, mas não tão pequena; Kingsport já é uma cidade costeira, mais com cara de cidadezinha mesmo. Enfim, esse personagem mantém as tradições da família, participando do festival — um evento em que os familiares dele iam e do qual o avô dele participava. Embora ele não more mais lá, as pessoas da cidade aguardam sempre pelo menos um membro da família para o festival.

Nesta temporada específica, sobrou para ele. Ele pensa: "Vou ter que voltar lá, fazer o quê? Acho que o pessoal não gosta muito de estrangeiros, mas sou da família. Não vivo lá, vivo fora há anos, mas acho que eles vão me aceitar". E, de fato, eles aceitam. Quando ele chega à cidade, cara, que descrição bela! Você já sente um cagaço assim que chega. Sabe aquela sensação? Eu não sei de onde vocês são, mas sabe aquelas cidades onde você olha de longe e ela passa uma aura estranha? É como se devesse ter mais pessoas nas ruas, mas ao mesmo tempo elas não estão presentes. É uma temporada de inverno, com neve, e ainda tem o porto local. E aí ele fica boladão, pensando: "Caraca, cadê a galera?". É uma cidade que vai subindo um morro até chegar a uma igrejona.

Ele vai até a casa que seria de um dos membros de sua família para dar um toque na porta, mas não ouve o barulho de passos ("tum, tum, tum, tum"). Quer dizer, ele pensa nisso: "Caramba, que susto da peste!" (mentira, ele não toma esse susto, mas eu achei interessante o Lovecraft descrever isso, a ausência do barulho de passos). Então, abre um senhorzinho com uma cara de cera, que parece ter feito botox. O homem diz: "Você pode entrar, estávamos aguardando você". Na verdade, a pessoa nem fala; ela usa uma tabuleta no pescoço e vai apontando com um estilete: "Entre, estávamos aguardando", e blá-blá-blá. Ele entra e vê uma senhorinha num canto, girando para um lado e para o outro num brinquedinho qualquer. O homem da tabuleta escreve: "Vou ter que esperar, já volto, vou levar você ao festival. Leia uns livros aí". Ele responde: "Beleza".

O rapaz senta e pega os livros. Ele pensa: "Caraca, esses livros são muito antigos, de 1600!". Até que ele acha o livro: o *Necronomicon* de Abdul Alhazred, exatamente o do árabe louco. O Lovecraft era fascinado pelas *Mil e Uma Noites* (também gosto pra caramba; talvez em um futuro eu faça vídeos sobre essas histórias aqui). Mas, claro, o Lovecraft dá um *twist* macabro. Ele começa a ler sobre diversas coisas doidas e demoníacas; tudo de ruim está no *Necronomicon*, e as pessoas que leem ficam com aquela sensação ruim.

Do nada, o homem pega um casacão e diz: "Vamos, está na hora". Ele leva a mulher — que também tem cara de botox —, eles saem para a rua com uma lanterna e as pessoas começam a marchar. Cara, isso me lembrou muito *Resident Evil*, principalmente os "ganados" de *Resident Evil 4*: todo mundo indo para um só lugar, você não sabe para onde, só sabe que estão indo para a igreja, num silêncio absurdo. O próprio personagem não consegue ouvir o barulho de passos, mas ele segue. Eles vão indo em direção à igreja e ele vê a cidade ao longe, completamente deserta.

Eles entram no saguão. No começo, ele acha a igreja macabra por dentro, mas nada fora da realidade. Só que ele percebe que há um compartimento embaixo do púlpito por onde as pessoas estão descendo em fileiras. O carinha olha para ele e aponta numa tabuleta: "Por aqui, por aqui". Eles começam a descer, descem, descem, descem tanto que parecia que estavam indo para a Terra Média (do *Senhor dos Anéis*). Eles chegam a uma espécie de caverna ou gruta onde corre um rio sangrento e esverdeado, com uma flâmula que as pessoas estão venerando. E que flâmula esverdeada é essa que não emite sombra? Que doideira!

O homem pega o livro da mão dele e começa a entoar coisas. O personagem fica apavorado, mas é legal ver isso: ele está infiltrado, como se estivesse infiltrado na KKK ou entre os vilões. Então ele vê tudo de camarote, cheio de cultistas ao redor. Um flautista começa a tocar e, do rio subterrâneo, surgem criaturas parecidas com gárgulas que o pessoal usa como montaria para ir embora, voando ou nadando. O personagem fica apavorado, e o homem diz: "Vem, meu filho, vem, está esperando o que?".

Aí ele perde a cabeça — literalmente — quando percebe que a feição daquele homem na verdade não era real; ele não tinha cabeça! O personagem fica doido, pula no rio e acorda no dia seguinte em Kingsport, resgatado por uma galera que o leva de volta para Arkham e diz: "Meu amigo, nós encontramos você desacordado, você deu muita sorte, estava quase congelado". E ele pensa: "Meu Deus, eu nunca mais vou voltar, porque me lembrei do que estava escrito no *Necronomicon*: que existia uma espécie de criatura antropomórfica que deveria estar se arrastando por conta de sua forma". E o conto termina com essa citação de Abdul Alhazred.

É um conto bem maneiro, bem legal, que eu gosto muito. E enfim, fizemos muitos vídeos de Lovecraft, pessoal! Espero que vocês estejam acompanhando, porque estamos chegando à reta final. Quer dizer, não faltam muitos — mentira, falta bastante ainda —, mas os contos vão ficando mais curtinhos e começam a surgir as *magnum opus* do Lovecraft. É isso, vejo vocês no próximo vídeo e até mais!