E aí, pessoal do Universo Antares! Bem-vindos de volta à nossa playlist onde eu analiso todas as histórias que H. P. Lovecraft escreveu. No vídeo de hoje, nós vamos analisar uma história que o Lovecraft revisou, mas que também é uma daquelas narrativas colaborativas do autor. Na verdade, esse conto tem autoria do C. M. Eddy Jr. e de H. P. Lovecraft, então os dois escreveram em coautoria, mas o Lovecraft ficou mais responsável pela parte da revisão. Acredita-se que o conto tenha sido escrito em 1924, e ele foi publicado na edição de abril de 1925 na revista *Weird Tales*. Este conto tem o título de *Surdo, Mudo e Cego*.
Mas vamos lá: qual é a história do conto? Bom, nós acompanhamos aqui uma espécie de cidadezinha no interior. Um médico chamado Doutor Morehouse vai até a casa de um renomado escritor e poeta chamado Richard Blake. Porém, esse poeta já é velho, já participou da guerra e já está surdo, mudo e cego — como diz o título em inglês, *The Loved Dead* ou, no caso, *Deaf, Dumb and Blind* —, ou seja, ele já está completamente dependente de outras pessoas. Na verdade, ele depende de Dobbs, que é um enfermeiro que cuida dele, mas ele é completamente consciente; ele não ficou gagá, pelo contrário, continua escrevendo muito bem, por sinal.
Porém, eles receberam a notícia de que ele provavelmente tinha morrido, depois que algumas pessoas viram alguém sair de lá correndo. O Doutor Morehouse vai visitá-lo e também tem o conhecimento das lendas locais, porque a casa de Richard Blake fica do lado de um pântano, e um dos cômodos da casa havia sido bloqueado há muito tempo. Era ali que ficava a sala de estudos ou a biblioteca, e Richard havia removido essa parede por causa de histórias sobre criaturas que viviam no pântano.
Quando o Doutor Morehouse chega à casa, ele vê o corpo de Richard Blake e fica aterrorizado com a feição, pois outra pessoa havia morrido exatamente da mesma forma anteriormente, o que deixou as pessoas horrorizadas. Vendo a expressão de horror no rosto de Blake — quase como se ele tivesse visto alguma coisa em direção à janela —, o Doutor Morehouse faz alguns testes e descobre que a morte do escritor ocorreu trinta minutos antes do que havia sido previsto, ou seja, ele ficou vivo por algum tempo e, pelo visto, continuou escrevendo enquanto isso.
O Doutor Morehouse vai até a polícia e, junto com os policiais, tenta falar com Dobbs, que havia fugido correndo. Dobbs se recusa a falar sobre o que aconteceu, mas está completamente apavorado; quando sabe da notícia da morte de Richard Blake, ele fica triste, mas não cede. O doutor então volta para casa, vai para sua sala de estudos e começa a ler o manuscrito. Depois da leitura, os parentes o encontram aturdido, meio gagá e completamente abalado.
O Doutor Morehouse prossegue comprando a propriedade de Richard Blake, explodindo e demolindo a construção, cortando as árvores, enfim, extinguindo tudo naquele lugar. E a gente se pergunta por quê. O conto traz um intervalo e apresenta o manuscrito de Blake, explicando que algumas partes continham asteriscos porque foram censuradas para o bem da saúde mental do leitor e também devido a incongruências causadas pela datilografia.
No manuscrito, Richard Blake relata que, embora soubesse que Dobbs havia fugido, não entendia o motivo, pois era cego. De repente, ele alega estar sentindo um tremor ritmado, como se estivesse novamente em uma barragem de artilharia. Ele reconhece a sensação, mas sabe que sua casa não está desmoronando. Depois disso, vem uma sensação de calor intenso, como se a casa estivesse pegando fogo, embora ele tivesse certeza de que não estava. Em seguida, surge a sensação de um cântico, como se várias criaturas estivessem ao seu redor. Ele continua escrevendo, apavorado, porque descreve a linguagem delas como libidinosa, demoníaca e mefistofélica.
O calor cessa e é substituído por um frio enorme, a ponto de Richard Blake ter de parar de datilografar para soprar as pontas dos dedos, que já estavam dormentes. As vozes aumentam e ele passa a sentir toques. Ele conclui que restam apenas três opções: render-se e consentir com o mal ao seu redor; tentar fugir, o que é impossível já que ele é completamente cego e está com as pernas debilitadas pelos ferimentos de guerra; ou morrer. No seu último momento, ele implora para que Jesus Cristo tenha piedade dele. O conto termina com aquela reflexão bem ao estilo lovecraftiano: há coisas, tanto do ponto de vista lógico quanto espiritual, que a mente humana não seria capaz de conceber ou suportar.
Este é um conto muito interessante porque tanto C. M. Eddy Jr. quanto Lovecraft sabem trabalhar bem a expectativa do leitor, gerando aquela vontade constante de "quero mais" — o que chamamos de *page-turner*, uma narrativa que faz você devorar a história para saber o desfecho. Essa construção de expectativa é muito bem recompensada quando chega ao clímax da narrativa. De qualquer forma, é uma história muito maneira. Espero que vocês tenham gostado e vejo vocês no próximo vídeo. Até mais!