Preparem-se para mergulhar numa das histórias mais envolventes do universo de George R. Martin. Hoje vamos falar sobre A Espada Juramentada, a segunda aventura de Dunk e Egg para segurar a respiração do começo ao fim. Curte esse tipo de história? Então se inscreva no canal e se prepare. Bem-vindos ao especial O Cavaleiro dos Sete Reinos.
Olá, pessoal, bem-vindos de volta à nossa playlist, ao nosso especial O Cavaleiro dos Sete Reinos, onde eu resumo e comento sobre cada um dos contos que o George R. Martin escreveu sobre essa icônica dupla que nós acompanhamos e nós vemos também como o George R. Martin pode escrever em diferentes estilos. A história da vez é A Espada Juramentada.
Aqui nós vemos o Dunk e o Egg numa situação um pouco diferente. Como assim? O que que você quer dizer? Imaginem os Sete Reinos sob um sol escaldante de uma seca terrível. Então, é essa a temática, é essa o grande, esse é o grande problema. Essa é a grande problemática desse conto específico. Então, como ele começa especificamente? Um ano e meio depois dos eventos de O Cavaleiro Andante, nosso querido Duncan, o Alto, agora serve como cavaleiro juramentado a Sir Eustace Osgrey. E cara, que situação complicada que ele foi se meter. Eustace é daqueles cavaleiros que já viu dias melhores, um velho senhor obsecado pelas glórias perdidas de sua casa e pelos fantasmas do passado. É como aquele tio que só fala dos bons tempos no churrasco de família, só que com espada e muito mais drama.
Então vamos lá, a gota d'água que faltou: A Espada Juramentada. De novo, a gente vai acompanhar Dunk, um cavaleiro andante que serve a nobreza nenhuma, e seu jovem escudeiro Egg. E eles, no caso, estão prestando serviços para esse Sir Eustace Osgrey em um verão escaldante conhecido como a Grande Seca. Qual é o contexto histórico aqui? Bom, o que que torna essa história tão interessante? O que que vai alavancar a narrativa?
A coisa fica séria quando Dunk e Egg voltam de uma viagem e descobrem algo chocante: o riacho local secou, mas não foi o Sol que fez isso. Na verdade, foi uma tal de Lady Rohane Webber, de Coldmoat, que mandou construir uma represa rio acima. E aí que nosso amigo Sir Bennis do Escudo Marrom — que, convenhamos, não é exatamente conhecido pela diplomacia — resolve ensinar uma lição. Essas casas são rivais, então por que que elas, como eu posso dizer, têm essa richa histórica?
Há muito tempo atrás houve a Rebelião Blackfyre, que foi uma guerra civil entre Daemon e Daeron Blackfyre. Ou seja, é uma guerra que aconteceu quando o antigo rei declarou, né, que seus bastardos poderiam ser legitimados ao trono. E aí, durante essa guerra que a gente teve da região da Rebelião dos Blackfyre, nós conseguimos ver que um desses lados, né, tava muito forte e que uma guerra precisaria ser feita. As consequências disso era que a casa Osgrey, apoiadora dos Blackfyre, perdeu terras para a casa Webber. Então, pensa só, a gente já tem essa richa histórica e ainda por cima estamos vendo uma atitude, um tipo de ação que quase que menospreza e pormenoriza o fato de que a casa Osgrey está definhando. Então, a gente tem uma tensão entre os apoiadores de lados opostos e isso acontece constantemente, tá?
Então, quem são os nossos personagens? Bom, a gente tem o Egg, claro, da casa Targaryen; nós temos o Sir Eustace Osgrey e a própria Lady Rohane Webber. Eles são personagens que aparecem pouco, na verdade — o Sir Eustace aparece mais —, mas eles têm uma importância muito forte, pelo menos no início do conflito.
Então, o que que acontece? Devido a essa barragem e essa seca extrema que afeta as terras dos Osgrey, a Lady Rohane acabou construindo uma barragem para conseguir suprir o seu povo, suprir as suas fazendas. E isso, no caso, impede a água de continuar correndo. Sir Bennis, nesse caso, o camarada, cavaleiro do Dunk, ele decide resolver as coisas. Ele vai lá, ele vê que tem um pessoal assim construindo e tudo mais, ele pede para eles pararem. E aí os caras, né, que estão lá, os camponeses, coitados, eles são só trabalhadores. E dizem: "Nós estamos aqui trabalhando a pedido de Lady Rohane. Estas são as ordens dela." E aí o Sir Bennis vai lá e corta a cara de uma das pessoas. E o Dunk fica puto com isso, ele fica: "Pô, você não devia ter feito isso." E aí o Sir Bennis dá aquela, tipo: "Não, relaxa, foi só um cortezinho", sendo que ele rasgou metade da cara de uma pessoa. E agora a gente fica naquele aguardo, né? A gente pensa assim: "Caramba, ela não vai gostar nem um pouco disso."
Então, o que que acontece? O Dunk e o Egg aqui estão mais próximos um do outro. O que que a gente quer? O que que eu quero dizer com isso? Nós conseguimos ver como a amizade deles varia de acordo com as origens. Então, o Dunk, como ele tem origens humildes, ele busca por honra e justiça; ele, muitas das vezes, vai pensar de modo tanto quanto humilde. Muitas das vezes a gente vê ele mesmo se autodenegrindo, né, falando "Dunk, o pateta", "cabeça dura como uma rocha", porque é aquilo, ele tá acostumado a isso. Já o Egg continua escondendo a identidade real, ele aprende sobre a realidade do reino e ele não gosta nem um pouco do Sir Bennis, mas o Dunk ensina para ele que às vezes você vai ter que lidar com pessoas ruins no seu dia a dia e que não tem o que fazer. Mas é claro que as coisas vão por água abaixo aqui, ou melhor, pela falta de água.
Então vamos lá. Quem é a Lady Rohane Webber? A Viúva Vermelha. Por que que ela tem essa reputação? Porque ela se casou com vários maridos e todos eles morreram. Ela tem uma reputação sinistra, mas a realidade dela é um tanto quanto complexa. Ela é bem bonita, ela é bem educada e ela tem essa coisa de como ser uma, como ela é uma mulher no meio medieval, ela fica muito dependente da vontade dos homens. E, por exemplo, o seu pai, quando ele estava prestes a falecer, ele falou: "Ó, se você não se casar e der um herdeiro para mim, eu vou te casar com outra pessoa, com um cavaleiro. E o que que eu vou fazer? Ele vai ficar com as suas terras." Então, ela sempre teve essas pressões para se casar novamente, e se ela não o fizesse, ela acabaria perdendo terras e ficando completamente dependente. Por conta disso, ela sempre busca autonomia e justiça.
Já o Sir Eustace Osgrey, ele é um tanto quanto melancólico, porque ele tem orgulho e ressentimento após a perda das terras. Ele também perdeu filhos durante essa Rebelião Blackfyre, o que é um tanto quanto triste, porque, quando o Dunk e o Sir Bennis estão indo lá visitá-lo, várias vezes a gente vê que o Sir Eustace vai visitar a lápide, o túmulo deles, e é um tanto quanto melancólico. Ele sempre continua com a lealdade à causa Blackfyre. Ele insiste que, nossa, faltou isso aqui para eles conseguirem de fato a vitória. E ele tem uma manipulação da narrativa para vantagem própria. É claro que ele também não é santo, mas ele implica que esse direito que ele tem sobre essas terras vai fazer com que eles entrem num conflito e que eles precisam resolver isso da maneira mais eficiente.
Então, a gente tem uma negociação em Coldmoat. Nesse caso, o que que acontece aqui? Chegam os donos de terra, por assim dizer, eles têm essa meio que essa negociação. Mas antes o Sir Eustace vê que, provavelmente, ele vai precisar entrar em algum tipo de conflito armado com a Lady Rohane, então ele e o Sir Bennis vão atrás de vassalos, ou seja, basicamente os fazendeiros que ficam ao redor das casinhas e tudo mais, das fazendinhas, para buscar ajuda para treiná-los, para eles se prepararem para um possível combate. Só que o Sir Eustace, enquanto o Bennis está lá treinando eles, o Dunk percebe claramente que não vai ser suficiente. E aí o Sir Eustace envia o Dunk como emissário para poder negociar com a Rohane. Então, no meio dessa negociação, ele descobre, né — o Dunk, vale salientar, pessoal, o Dunk é muito humilde, ele nem mesmo sabe ler —, então ele descobre que as terras disputadas legalmente pertencem, na verdade, aos Webber, e a Lady Rohane recusa o acordo pacífico sem punição exemplar.
Então, a gente tem as revelações sobre as pressões pessoais que ela tá sofrendo. A gente também tem as políticas da Rohane que também são aliadas à coroa, mas a gente tem essa coisa de que, enquanto o Osgrey quer a água necessária, a gente pode ter um sangue derramado à toa, por assim dizer. Então é isso, existe essa pressão contínua, existe essa pressão clara. E quando o Dunk volta para a casa, para a casa do seu serviçal, ele acaba descobrindo, né, tá tendo um incêndio e tudo mais, mas ele acaba descobrindo que, na verdade, o Osgrey participava dessa casa, dessa rebelião Blackfyre. E o escudeiro dele, que é o Egg, nesse caso, ele, imagina, o seu escudeiro faz parte de uma das casas mais honrosas dos Sete Reinos e aí você descobre que você tá servindo, na verdade, a um rebelde. Então o Dunk fica puto com isso.
Claro que existe uma troca de acusações, porque o que que acontece? Nesse meio há um incêndio suspeito no bosque de Webber que aumenta as tensões, e o Eustace acusa a Lady Rohane de incendiar tudo. Então Eustace começa a falar: "Não, a gente vai para a guerra, que não sei o quê, e vai tudo acontecer do jeito que tem que ser, vamos batalhar e tudo mais." E há uma reunião dos exércitos juntos ao leito seco do rio Teething.
Ok? Então, ó, o que que acontece? Há um duelo, mas antes desse duelo acontecer, é algo muito interessante, porque o Dunk meio que descobre que o Sir Eustace fazia parte dessa casa rebelde, né? Ele não tinha ciência até o momento, mas depois ele começa até a pensar assim: "Nossa, eu jurei lealdade para ele." Ele até cogita em desistir. E o que que acontece depois? Ele propõe chegar a um acordo, né? Ele vai em direção a esse encontro entre os dois e ele propõe um duelo singular para evitar o massacre. Ele também revela muito assim, de maneira muito sutil, a identidade do Egg, porque basicamente o Egg tem uma das botas do Egg, um tipo de brasão, de símbolo, esqueci o nome. Mas assim, tem um símbolo que é justamente da casa Targaryen que, se ele revelar, é basicamente todo mundo ali… Ele com a autoridade da casa Targaryen faz a ordem, mas mesmo assim ela fala, né, que inclusive há um pretexto até honroso, um pretexto nobre para toda essa ocasião. E aí a Lady Rohane fala, né: "Você é tão honrado que, se eu pudesse, eu me casaria contigo", e aí o Dunk começa a ter inclusive esse romance com ela, mas não tem jeito, eles precisam duelar para definir isso.
E o Dunk oferece o próprio sangue como compensação. Chega um momento que ele fala assim: "Ah, a Lady Rohane, ela tá disposta a oferecer de novo o riacho", mas ela falou assim: "Ó, é o seguinte, eu preciso de punição porque vocês machucaram um dos meus vassalos." E aí o Dunk faz isso, né? Ele corta o próprio rosto. E aí quando ela meio que se apaixona por ele, se apaixona pela atitude cavaleiresca dele, a gente tem de novo a prova de que no cenário de *As Crônicas de Gelo e Fogo* há pessoas boas. O Dunk é uma pessoa genuinamente boa, e isso que torna tudo tão interessante.
Mas é lógico que o duelo tem que acontecer de um jeito ou de outro, e ele é feroz, tá? Ele acontece no meio do riacho, tem porradaria, e aí eles caem do cavalo e ao mesmo tempo começa a afogar, e tem porradaria para tudo quanto é lado, mas eventualmente o Dunk vence, só que ele acaba se afogando mesmo. É, não morre, mas ele se afoga. E aí o que que acontece? O Dunk vence o duelo nas águas do fosso. Ele tem o reconhecimento da própria Lady Rohane, a Lady Rohane tem o reconhecimento da derrota, e a barragem é destruída, e assim as águas retornam para as terras dos Osgrey.
Só que o que que acontece? Ele acaba pagando, né? Ele fica tão, ele imagina, se ele já tem um corte no rosto, a exaustão de ficar indo e vindo para essas negociações madrugada a fio… durante esse duelo, durante toda essa empreitada, né, o Sir Bennis acaba ficando no lar do Sir Eustace Osgrey para poder defender caso houvesse um conflito mais sério. Então ele meio que foge, é, acaba roubando tudo. O Dunk fica puto com isso depois quando ele descobre, né, mas ele só vai descobrir isso tudo quando ele acordar, porque ele acaba ficando de novo muito ferido e ele acaba ficando meio que num coma.
E aí, quando ele acorda, né, ele pensa assim: "Nossa, o que que tá acontecendo?" E os caras vêm, um dos meistres lá, ele fala assim: "Ó, é o seguinte, a Lady Rohane e o Sir Eustace se casaram", né? Porque a Lady Rohane, ela tinha uma, ela era encantada, ela era realmente apaixonada por um dos filhos do Sir Eustace que morreu durante a Rebelião Blackfyre. Então é meio que eles têm uma conversa para selar essa paz, e a gente não sabe o que eles conversaram, mas foi o suficiente para selar um tratado, inclusive um casamento entre os dois. Então, a gente tem essa união matrimonial como solução diplomática, o retorno da paz às terras de ambas as casas, e tanto Dunk quanto Egg ganham reconhecimento e gratidão, principalmente pela Lady Rohane.
Então, nesse meio tempo, né, a Lady Rohane quer saber: "Nossa, você me ajudou muito, você evitou o massacre, o que que você quer de presente, né? O que que você quer de recompensa?" Ela oferece a ele um cavalo, né, uma montaria, mas ele só pede dela duas coisas: levar uma trança e acaba dando um beijo apaixonado. Então é muito interessante como a gente tem essa história clássica de trovadorismo, né, em que o cavaleiro honroso se apaixona pela mulher inalcançável, da nobreza inalcançável. E ele continua com a sua viagem com o seu escudeiro Egg.
A gente tem a conclusão em novos rumos. Nesse caso, Dunk e Egg recusam a oferta para ficar em Coldmoat, porque Rohane e Eustace gostam tanto deles que eles pensam assim: "Por que que você não serve a gente? Por que que você vai ficar andando por aí dependendo de outras casas? Fica aqui com a gente, que a gente vai te dar dinheiro, a gente vai te dar comida." Enfim, mesmo assim ele recusa e eles partem rumo ao norte em busca de novas aventuras, porque o Egg quer muito conhecer a Muralha. É claro que ele também tá disposto, né, ao longo dessa empreitada, a caçar o Sir Bennis. Isso mesmo, Sir Bennis, que meteu o pé durante essa problemática que houve, essa confusão. E ele roubou várias coisas, inclusive. Então, o Dunk está disposto a ir atrás do Sir Bennis também.
E aqui a gente tem uma reflexão sobre honra, justiça e escolhas pessoais. Esse conto é muito interessante e de novo é a prova de que George R. Martin sabe escrever histórias com bastante heroísmo quando ele quer. Existe essa crítica que muitos fazem, né, de que ele não sabe escrever histórias que há um lado bom e um lado ruim, ou que essas histórias são pormenorizadas e inferiorizadas pelo autor. Mas quem leu *O Cavaleiro dos Sete Reinos* descobre que isso é uma balela. Ele sabe sim escrever esse tipo de história.
Então, eu espero que vocês tenham gostado. Eu gosto muito dessa série. Espero que tenha mais contos no futuro, mas por enquanto a gente tem esses três, e eu vou falar desses três para vocês. Esse foi o segundo conto, e eu vejo vocês em breve em mais um vídeo. Até mais.