Você é daquele tipo de pessoa que acha que por acaso a literatura não é para você? Toda vez que você pega um livro, toda vez que você senta na cadeira, no sofá, deita na sua cama depois de um dia de trabalho e pensa: "Eu vou tentar dar uma chance". Simplesmente o sono começa, você fica entediado, as redes sociais estão ali a todo momento para te perturbar, tirar você da sua concentração e, muitas das vezes, nós nos vemos vítimas de uma sociedade moderna que parece estar sempre correndo.
Bom, mas você está aqui não é à toa. Você quer dar uma chance para os livros e você quer fazer acontecer. Até o final deste vídeo, eu vou te ensinar e eu vou te dar algumas dicas não somente de como melhorar a sua leitura, mas também de alguns dos livros que fazem até mesmo aquelas pessoas que não gostam de ler ficarem vidradas e amar a leitura.
Bom, a primeira coisa que deve ser levada em consideração é a seguinte: quando você está começando a ler, é normal que as palavras sejam difíceis, é normal que você tenha dificuldade em se concentrar. É normal que você às vezes fique muito cansado com uma sessão curta de leitura, porque é um hábito, e como todo hábito, o cérebro é preguiçoso e demora a se familiarizar. Mas você pode ter certeza de que, com esforço suficiente, um lugarzinho silencioso da sua casa ou quem sabe uma biblioteca, ou quem sabe uma praça onde você possa ler com cuidado, com calma, e também escolhendo justamente o livro ideal para você — um livro que te chame a atenção —, você vai conseguir ler mais naturalmente.
Agora, acontece que, quando a gente está começando na literatura, sempre tem aquele momento em que a gente pensa: por onde eu começo? Qual é o livro ideal? Qual seria a narrativa ideal para mim? E se a gente pergunta ou procura na internet, muitas das vezes nós vemos inúmeras recomendações de livros clássicos, livros gigantescos, livros pequenos, histórias em quadrinhos… Enfim, esta lista, pelo menos, foi feita com base no meu repertório, ou seja, é uma lista de alguém que ama livros, especialmente os livros grandes. Se você conferir o meu canal, já deve ver que eu tenho algumas séries, alguns vídeos sobre histórias bem grandes, mas que ainda assim eu acho que vão funcionar muito bem para quem está querendo começar a aprender a gostar de literatura.
E qual é o primeiro passo de todos? Descubra o que você gosta. Os livros que eu vou indicar aqui, eu fui descobrindo junto com a descoberta dos meus próprios gostos. Então, o que eu vou fazer, na verdade, é peneirar o meu processo para te apresentar algo que te ajude a encontrar o seu próprio gosto pessoal. Com base nisso, você vai explorar os seus próprios livros, os seus próprios gostos. E uma dica de ouro: não está gostando da leitura? Abandone-a. Você não tem nenhum compromisso a não ser consigo mesmo, com a sua diversão, com o seu gosto pessoal, certo? Então vamos nessa.
Bom, o primeiro livro é um clássico, um clássico da literatura de ficção científica. E por que eu acho que, se você fosse começar a ler algum livro, este deveria ser o seu primeiro? Porque é difícil para nós, principalmente na sociedade de hoje, discernir como a falta de informação — mas principalmente como a falta de informação seletiva, uma informação de qualidade — causa um efeito, ah, como eu posso dizer, de perdição, certo?
Então, imagina uma sociedade, uma sociedade num futuro distópico em que os livros — ou seja, a principal ferramenta do pensamento humano, do pensamento crítico, pelo menos —, são proibidos. Isso mesmo. Em *Fahrenheit 451*, nós acompanhamos uma distopia, um futuro em que Ray Bradbury apresenta uma corporação de bombeiros cujo objetivo, em vez de ajudar a deter incêndios… Enfim, justamente o objetivo dos bombeiros aqui nessa narrativa, nessa história, é acabar com os livros. Como as casas, como as construções, elas são feitas em sua grande maioria à prova de fogo, o objetivo deles é justamente acabar com os livros. Com que pretexto? Com o pretexto de que os livros são perigosos, pois eles acabam por fazer com que as pessoas tenham um pensamento desolador sobre os acontecimentos vigentes.
Então, nessa narrativa onde Ray Bradbury — um escritor clássico da literatura, só para vocês terem uma ideia, esse livro foi publicado em 1953 — apresenta diversas tecnologias, como as TVs de LED, os painéis, os headsets, tudo para deixar a população abastecida com informações, por assim dizer, ou seja, noticiários sobre notícias patéticas, reality shows, tudo que, com coincidência ou não, acaba por tirar os olhos dos habitantes dessa nova sociedade de conflitos muito maiores.
O protagonista dessa narrativa, Montag, se vê como um desses bombeiros. Porém, tudo muda quando ele vai até uma ocasião, até um chamado em que ele vê uma mulher, uma senhora, que se recusa a sair de sua casa, uma vez que os bombeiros descobrem uma biblioteca secreta em sua residência. Ele então se pergunta: "Por que alguém daria a própria vida por um livro? Por que alguém daria a própria vida? Por que alguém daria tudo de si, se sacrificaria mediante objetos tão patéticos?", pelo menos na visão dele.
Então, o que acontece? Ele surrupia um livro, e a partir daí a narrativa fica excepcionalmente filosófica, mas de uma maneira muito acessível. Como vocês podem ver, é um livro curtíssimo, mas ele é capaz de mudar vidas. Não tem como você terminar de ler este livro sem pensar pelo menos um pouquinho na nossa sociedade, no pensamento crítico, na importância da literatura para nós como seres humanos, e como se afastar disso é essencialmente se afastar de nós mesmos. Então fica a recomendação: se você ainda não leu, se você quer começar na literatura e acha que todo clássico é grande, gigantesco e difícil de consumir, Ray Bradbury e seu *Fahrenheit 451* estão aqui para provar o contrário.
Agora, eu tenho certeza de que, se você já está familiarizado pelo menos com um pouco da literatura, principalmente com o que a gente chama de literatura de gênero, você deve ter ouvido falar de um tal de Stephen King. Isso mesmo. Conhecido como o mestre do horror norte-americano, Stephen King escreveu centenas de livros ao longo de sua carreira, e cada um é mais legal que o outro. Porém, alguns são mais assustadores, não somente no sentido da narrativa que eles apresentam, mas também da linguagem.
Stephen King é conhecido por ser um amante da linguagem, e ele tem até alguns livros mais rebuscados nesse sentido. Porém, um que eu acho que funciona muito bem, não só por sua narrativa incrível, como também por sua linguagem que une o melhor daquela coisa que a gente costuma ver em filmes, daquele teor visceral, daquele teor narrativo, juntamente com aquela questão mais filosófica, com aquela questão que prende a nossa atenção, que faz a gente refletir sobre a vida, é *Misery*, de Stephen King.
A história nada mais, nada menos acompanha um escritor chamado Paul Sheldon, que sofre um acidente durante uma *trip*, ou seja, uma viagem para o interior dos Estados Unidos. Então o que acontece? Ele é resgatado por uma enfermeira chamada Annie Wilkes, sua fã número um. Ela meio que resgata ele e, ao descobrir que ele é o seu autor favorito, ela o leva para casa com a premissa de cuidar dele. Mas o que acontece é que ela faz com que ele fique viciado em um medicamento e faz com que ele dependa dela diretamente para sobreviver.
Como Paul Sheldon está completamente debilitado pelo acidente, ele se vê obrigado a escrever um final melhor para o seu livro. Tendo ele sido um escritor daquelas novelas, romances históricos, ele decidiu — para acabar com sua carreira, para acabar e se sentir livre do ponto de vista criativo — matar a sua personagem principal, e assim ele poderia ver-se livre das garras do mercado. O que acontece é que a Wilkes não gostou nada disso e ela pede para ele reviver nada mais, nada menos do que a personagem principal.
Então, *Misery* justamente trata de uma narrativa dentro de outra narrativa, porque muitas das vezes nós acompanhamos o escritor Paul Sheldon escrevendo essa história à medida que ele tenta sobreviver. E nesse meio tempo, no meio das alucinações de analgésicos que ele tem, ele acaba refletindo muito sobre a vida, sobre o ofício da escrita, o processo criativo, a importância da literatura também nas nossas vidas, como ela pode ser uma escapatória para a dor. E o desfecho desse livro é fenomenal. Ele é relativamente curto, você vai demorar um pouquinho para ler, mas eu garanto que vale cada página.
Agora, você quer ler um clássico e acha que todo clássico é difícil? Você acha que o clássico tem que ter aquela linguagem rebuscada, que o clássico não pode ser divertido, que o clássico não pode ser tão atraente como as pessoas costumam dizer? Eu sei que esse paradigma hoje em dia já caiu por terra. A maior parte das pessoas sempre encontra um clássico ou outro de que acaba gostando. Alguns eu citei aqui, como o próprio *Fahrenheit 451* — apesar de que é um livro mais moderno, da década de 50, então faz sentido que ele seja mais palatável para a maioria das pessoas. Porém, os clássicos clássicos, ou seja, de 1890 desse século para trás, por assim dizer, eles são mais difíceis de serem consumidos, certo? Porque eles se passam em uma era, em um contexto completamente diferente.
Mais especificamente, *O Médico e o Monstro*. O que torna esse livro tão interessante, principalmente para quem gosta da discussão psicológica sobre a bondade e a maldade? *O Médico e o Monstro* foi publicado em 1886. E por que ele é tão divertido? Por que ele é tão bom? Primeiro, ele é bem curto. E Robert Louis Stevenson, que é o escritor, simplesmente cria uma narrativa centrada no horror gótico. O gótico tem como aspecto justamente dedicar-se a essas estruturas do ser humano, no sentido de estrutura tanto arquitetônica mesmo quanto de estrutura de pensamento. Ou seja, já temos uma pauta, já temos uma ideia mais cientificada até mesmo do sobrenatural.
Então, nessa narrativa, o personagem principal acaba se vendo descobrindo um tal de Hyde, ou seja, *Hyde*, uma espécie de homem deturpado que faz as mais diversas maldades na cidade de Londres. E o que acontece? Um conhecido do Dr. Jekyll acaba indo investigar e descobre que esse Dr. Jekyll cria uma poção que separa justamente o lado bom e o lado ruim de uma pessoa, e supostamente agindo para criar uma nova criatura.
Então, qual é a coisa mais interessante aqui desta narrativa? É que ela já discute o que é ser bom, o que é ser mau. Será que isso faz parte inerente da natureza humana? Será que dá para escapar das atrocidades que nós pensamos? Será que dá para ser verdadeiramente bom? Será que a gente não quer tudo isso? Se você tivesse a capacidade de se separar, de criar uma criatura completamente diferente para esbravejar, para dar, como eu posso dizer, vazão aos seus desejos mais grotescos, será que você conseguiria?
Então, *O Médico e o Monstro* discute isso em uma narrativa inteligente, em uma narrativa curta e ainda assim poderosa. É um tipo de livro que começa meio sem mais nem menos, começa muito simplesmente por acaso, e de repente vai se construindo uma narrativa interessante, vai se construindo um mistério, vai se construindo uma cadeia de eventos que deixa você ligado, deixa você vidrado até o final. Então, Robert Louis Stevenson, com o seu *O Médico e o Monstro*, vale muito a pena ser lido. É um clássico, ele tem uma linguagem um pouco rebuscada, mas o tamanho dele compensa por tudo isso, certo?
Agora, você é o tipo de leitor, de leitora, que quer uma experiência cinematográfica? Você é aquele tipo de leitor que pensa assim: "Nossa, as pessoas falam que os livros são tão bons quanto os filmes, mas eu não sinto a mesma sensação. Eu queria ter uma experiência dinâmica no livro, eu queria que as páginas simplesmente voassem, mas eu não achei uma narrativa capaz de fazer isso comigo". Eu tenho certeza de que *A Paciente Silenciosa*, de Alex Michaelides, vai te impressionar.
Este livro aqui é incrível por vários motivos. Primeiro, ele é um *thriller*. O que é um *thriller*? Geralmente, os *thrillers* são histórias contidas, ou seja, a gente acompanha um personagem justamente desvendando um caso. Pode ser um caso policial, pode ser um caso… Enfim, N motivos podem envolver esse caso, e o nosso objetivo é descobrir quem é o culpado, o que aconteceu de verdade.
O que acontece aqui? Alicia Berenson, uma pintora de sucesso, acaba matando o marido e nunca mais fala uma palavra. Então, o psicoterapeuta Theo Faber decide tratá-la, determinado a descobrir o motivo do crime, mas há mais segredos do que ele imagina. Este livro é tão bom por dois motivos. Um: na maior parte das vezes, quando você pega *thrillers* — e eu gosto de ler *thrillers* —, os *thrillers* ruins geralmente são aqueles que só estão ali pela narrativa, ou seja, o personagem é raso, ele não tem profundidade, a gente vê as páginas rolarem, mas quando chega no final, o livro não entrega uma experiência memorável. Os *thrillers* de qualidade geralmente são muito bons justamente porque eles trabalham tanto o personagem quanto a narrativa.
Então, os personagens deste livro aqui fazem com que, mesmo se você desvende, digamos assim, o mistério, ele ainda assim continue interessante, principalmente para uma releitura. Não só porque você sabe o que de fato aconteceu, mas também porque ele tem diversas discussões sobre psicologia. Afinal, o personagem principal é o investigador, mas ele também é um psicólogo. Então, várias vezes a gente tem discussões de processo terapêutico, de psicanálise, de como desvendar traumas, como tratar traumas. É claro que aqui a gente está falando de uma ficção, então cabe salientar que o autor não está usando isso somente para romantizar abusos nem nada do tipo; muito pelo contrário, ele tem bastante responsabilidade, mas ele sabe utilizar isso para instigar você a cada página. E à medida que as perspectivas vão se trocando — ou seja, à medida que a gente vai acompanhando outros personagens também —, a gente vai descobrindo muito mais. E é incrível. É um livro com um final fenomenal e vale muito a pena, principalmente se você quer uma experiência mais cinematográfica.
Agora vamos para outro clássico. Se você é daquele tipo de pessoa que gosta de causos, ou seja, episódios estranhos, coisas bizarras, você deve e muito conhecer as narrativas de H. G. Wells. O escritor britânico é simplesmente incrível, ele escreveu vários clássicos da ficção científica que até hoje são tidos como algumas das maiores obras já escritas. Mas um que eu acho suficientemente interessante para trazer aqui, justamente porque eu acho que ele é muito bom para quem está começando, é *O Homem Invisível*.
Aqui a gente acompanha a história de um cientista, Griffin, que acaba descobrindo uma maneira de ficar, de se tornar invisível. Só que o que acontece? Você acha que isso seria uma dádiva, você acha que isso seria incrível. O problema é que a vida dele é arruinada, ele não consegue mais viver, e a maneira como ele justamente… A maneira que ele encontra de sobreviver é se enfaixar, ir até o laboratório dele, pegar o máximo de equipamentos e ir para uma casinha no interior para tentar trabalhar em uma cura.
Mas é lógico que as coisas aos poucos dão errado, porque as pessoas começam a se perguntar: "Quem é esse cara? O que ele está fazendo aqui? Será que ele tem algum tipo de doença?". Toda vez que a gente tenta entregar alguma comida no quarto dele, toda vez que a gente tenta vê-lo para tentar ajudar, acudi-lo, ele simplesmente não se deixa ser visto. Será que ele tem algum tipo de doença estranha? Será que ele é um bandido? O que está acontecendo com ele?
E é muito engraçado — e em um sentido triste até — como essa narrativa se desenrola. É uma narrativa muito boa, curtíssima, então você vai gostar. É um tipo de leitura que dá para engajar muito facilmente. H. G. Wells escreve muito bem no sentido de que ele trabalha a ficção científica de uma maneira mais lúdica, então, mesmo que você não tenha muito conhecimento de vocabulário, você vai entender muito da narrativa.
Então, esse, junto com os outros livros, ao meu ver, se você der uma chance para eles, com certeza a sua vida como leitor vai mudar. Se você já é um leitor, ficam as recomendações, porque eu acho que eles são livros fenomenais. Se você já leu, inclusive, pode deixar sua opinião nos comentários. Mas se você não os leu, eu recomendo muito, vai ajudar bastante no seu processo, na sua jornada literária, e com certeza vai fazer você amar ainda mais esse incrível universo que é a literatura.
Então, espero que tenham gostado deste vídeo. Se gostaram, não se esqueçam de se inscrever no canal, deixem uma curtida, e até a próxima.